AVISO: Encerramento devido a tolerância de ponto

 Informamos os nossos Leitores de que:

Em cumprimento do Despacho n.º 12564-A/2021, de 23 de Dezembro, nos próximos dias 24 e 31 de Dezembro  a Biblioteca da Ajuda estará encerrada.

Agradecemos a melhor compreensão.


Novidades do Acervo:


PAIS, José Alberto

Das pobres colônias ricas à rica metrópole pobre : a formação das colecções zoológicas vivas reais em Portugal durante o séc. XVIII / José Alberto Pais. - 1.ª ed. - 
Porto Alegre, RS : Editora Letra 1, 2021. - 260 p : ill. 23 cm

Menção honrosa 
Prêmio Capes de Tese 
Edição 2019 - Comunicação e informação


 BA. 245-II-13

Lançamento | 10 Nov.' 2021 | 17h00 | Biblioteca da Ajuda | Entrada livre


No próximo dia 10 de Novembro, pelas 17 horas, na Biblioteca da Ajuda, será realizado o lançamento do livro An Astrologer at Work in Late Medieval France: The Notebooks of S. Belle (Brill, 2021) de Helena Avelar. Com grande pesar a autora faleceu antes da obra estar finalizada. A apresentação estará a cargo do Professor Charles Burnett (Warburg Institute) do Professor Henrique Leitão (Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia — CIUHCT) e de Luís Ribeiro (Universidade de Lisboa).


AVISO:

 Informamos os nossos leitores que, por motivos de actividade interna da DGPC, estaremos encerrados à leitura no dia 10 de Novembro (quarta-feira).

Desde já as nossas sinceras desculpas por qualquer transtorno causado.

A Coordenadora


AVISO: ALTERAÇÃO DAS MEDIDAS DE ACESSO À BIBLIOTECA DA AJUDA

Para garantir a segurança e a proteção de funcionários e leitores face à Covid-19 e de acordo com as alterações a partir de 23 de Abril de 2022, foram actualizadas as regras e condições especiais temporárias de acesso e utilização dos nossos espaços: 

Medidas de acesso  para todas as pessoas que entrem na Biblioteca da Ajuda:
  •  Recomendação de higienização das mãos com solução antissética de base alcoólica disponível para esse efeito.
  •  Recomendação do uso de máscara de proteção, durante a permanência na Biblioteca da Ajuda.
  • Marcação antecipada, para acesso à leitura e à realização de pesquisas do(s) dia(s) pretendidos, até às 15h00 do dia útil anterior, pelo e-mail bibajuda@pnajuda.dgpc.pt, com a identificação clara do requerente e respectivo n.º de leitor da BA (caso já possua).
Admissão:
  • Respeitando as recomendações de distanciamento social, a lotação da sala de leitura está condicionada ao número máximo de 5 leitores por dia (1 leitor por mesa).
  • Os leitores devem ocupar o lugar que lhe tiver sido indicado e/ou escolhido, não devendo, sob pretexto algum, mudar de lugar durante a consulta.
Consulta:
  • Número de espécimes a consultar:12 por dia; recomenda-se a reserva antecipada dos documentos a consultar  por e-mail (bibajuda@pnajuda.dgpc.pt ) evitando-se, com isso, a sobreposição de pedidos do mesmo documento / obra.
Horário: 

O horário de funcionamento do serviço de leitura é o seguinte:
  • segunda; quarta a sexta, das 10h30 – 17h30 (a sala de leitura encerra às 17h15).


Para proteção de todos, a Biblioteca da Ajuda agradece a sua cooperação.

Novidades do Acervo: "A Academia de Portugal em Roma ao tempo de D. João V" / Teresa Leonor M. Vale

Criada em data ainda por precisar a Accademia della Sacra Corona di Portogallo, também denominada Regia Accademia di Portogallo, ou, mais simplesmente, a Academia de Portugal em Roma, funcionou até 1728, momento em que por viada interrupção das relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé, se registou o seu encerramento.

Com este livro pretende-se apresentar, de forma crítica, o que já é conhecido sobre a academia nacional de Roma ao tempo de D. João V e procurar trazer novidades, sobretudo quanto aos seguintes aspectos: cronologia, espaço e funcionamento, identificando especificidades, eventuais semelhanças e dissemelhanças relativamente a outras academias nacionais estabelecidas na cidade pontifícia.

Porque se nos afigura sempre relevante a publicação e o estudo de fontes, optámos por transcrever e apresentar na íntegra um inventário que nos revela o palácio romano da via di Campo Marzio, onde durante pouco menos de uma década funcionara a Academia de Portugal, ainda que já esvaziado dos seus ocupantes e de parte do seu recheio. Conservado nos fundos da Biblioteca da Ajuda, o manuscrito, redigido em Maio de 1728, conduz-nos efectivamente por um edifício vazio (todos os portugueses não residentes em permanência na cidade pontifícia haviam recebido, no precedente mês de Março, ordem para abandoná-la, no seguimento da interrupção das relações diplomáticas) mas permite extrair ilações que, do nosso ponto de vista, contribuem para o melhor conhecimento da instituição fundada pela Coroa, a qual foi a primeira academia nacional a ser criada na Urbe após aquela francesa, instituída em 1666 por vontade do Rei Sol.

VALE, Teresa Leonor M. 
A Academia de Portugal em Roma ao tempo de D. João V. - Lisboa : Scribe, 2021. 171 p. ISBN 978-989-8410-94-8

Mais [aqui]


Inuentario  di tutta la robba di Caza e Palazzo della Academia delli Signori Caualieri Giuzeppe Giorgeo de Siqueira, e Giuseppe  Correa de Abreu a di 23 Maggio 1728

Cod. 49-IX-25, fls. 63-73


AVISO:


🇵🇹 Por motivo de cerimónia oficial o Palácio encontra-se encerrado no dia 20 de outubro a partir das 13h00 e no dia 25 de outubro a partir das 14h00.
Pedimos desculpa pelo incómodo.

🇬🇧 Due to Official ceremony the Palace will be closed on October 20th from 1 pm and on October 25th from 2 pm.
We apologize for the inconvenience.

Manuel Maria Barbosa do Bocage: evocação no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2021

A propósito dos 256 anos do nascimento de Manuel Maria Barbosa do Bocage (Setúbal 15 de Setembro de 1765- Lisboa 21 de Dezembro de 1805). Uma evocação no âmbito das Jornadas Europeias do Património a partir de alguns manuscritos e fragmentos avulsos da colecção da Biblioteca da Ajuda. Setembro de 2021

Retrato de Manuel Maria de Barbosa do Bocage  / 
Henrique José da Silva / Francesco Bartolozzi. Água-forte e buril. MNAA, Inv. 525 Grav.


Censura que João Guilherme Christiano Muller fez da parte do Desembargo do Paço ao 2º Tomo das Rimas de Manoel Maria Barbosa de Bucage”. BA 54-IV-34 (4)

[ms a lápis 1797-1799]

No manuscrito que V.ª Magde me mandou ver pela Portaria retro apresenta o seu prendado Author novas produções do seu raro talento, que lhe assegura hum lugar distincto entre os Vates insignes Lusitanos, aos quais ainda a Posteridade fará justiça. Poesias ternas que penetrão o coração e onde de vez em quando luzem vislumbres de esclarecida Filosofia, captivando a participação dos espíritos mais meditativos do que sentimentais. Fabulas graciosas que ensinão a prática das virtudes as mais benéficas e promovem a intuição de verdades nunca assas ponderadas Misturadas com traducçoens que patinteão tanta familariedade de seu Author com as belezas das Línguas dos Originaes, como também o seu acesso no sanctuario dos mais recônditos tesouros do seu idioma vernáculo; e com Epistolas, Odes e Epodos altissonantes nos quaes desenvolve toda a força de hum genio culto, e transcencendente, unido intimamente com huma fantasia inexaurivel poética: numa palavra tudo quanto pode servir de documento de hum gosto eminente para os mais admiráveis produtos de todos os tempos, e de todas as regioens do nosso Mundo de mão dada com a singular dexteridade de o transplantar sobre o pátrio chão em quanto neste se cultivão com igual diligencia, e feliz sucesso os seus próprios : de tudo isto he a presente collecção hum elegante florilégio. Bem pena he ser inevitável que se mostrasse em muitos lugares a influencia da atmosfera túrbida, carregada, e penosa, debaixo da qual o Author plantou grande parte deste rico jardim.

Felizmente porem se percebe mais o efeito lamentável disto sobre a mente aflicta do poeta, que sobre as flores e fructos encantadores das vergônteas que regou com os effluvios do seu pranto, em cujo afago a sua Musa sempre conserva menos o caracter de Ministra de inhumanas, e indecorosas paixoens, do que de dictames da Razão e Moralidade e mimosa descripção, prompta a sacrificar tudo o que pode tentar a fraqueza humana a pecar contra respeitáveis Leis, boa ordem social, e tranquilidade civil, e domestica. Eisaqui as observaçoens que resultarão do exame deste manuscripto, e sobre as quaes se escora o meu parecer, que haverá poucos tam dignos da faculdade que o Sup.e solicita. V. Magde porem ordenara o que for servida.”

Em 16 de Maio de 1792 o Príncipe Regente D. João nomeava como Deputado da “Real Meza da Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros” João Guilherme Christiano Muller[1], justificando o gesto com o facto de querer “fazer uteis os conhecidos talentos e distincta Litteratura (…) que o fazem merecedor de toda a honra e consideração” [BA (54-IV-34 (5)]. Muller exercerá o cargo durante 22 anos, justificando os pareceres que elaborou no desempenho daquela Comissão, as expectativas de quem lhe fizera “mercê” de tal distinção.






Retrato de Bocage (miniatura), José de Almeida Furtado, o Gata (1778-1831), têmpera sobre marfim, MNAA, inv. 56 Min.[2]


O Censor Ilustrado.

A “Censura que João Guilherme Christiano Muller fez da parte do Desembargo do Paço ao 2º Tomo das Rimas de Manoel Maria Barbosa de Bucage” [ms BA 54-IV-34 (4)] vem confirmar a ideia, inovadora, sobre ter sido a Real Mesa Censória, e a que lhe sucede Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros[3], “um dos primeiros lugares onde se desenvolveu uma reflexão sistemática sobre as qualidades e defeitos estéticos das obras literárias[4] pois, as “censuras” permitiam aos deputados, não só deliberar sobre a adequação dos escritos “aos padrões políticos, religiosos e morais do Reino[5], impedindo a circulação dos que contivessem qualquer desvio em relação à norma, bem como, avaliar a forma como se expressavam os autores. Isto é, o facto da recusa da impressão poder ser justificada “com base em critérios estilísticos”, pelo modo defeituoso como os escritores se exprimiam na sua língua, sendo comum os censores discorrerem “longamente sobre a qualidade dos textos, do ponto de vista da pureza da linguagem, da construção de personagens, da elaboração das tramas, da observância aos preceitos poéticos e retóricos[6], entre outros, demonstra um lado pouco divulgado do trabalho daqueles deputados.

A “censura” tomava, assim, parte do projecto pedagógico na defesa da Ilustração contra o obscurantismo, do progresso contra a superstição, da separação do certo do errado, mas de igual modo, na defesa da clareza da exposição contra artifícios, condenando “metáforas e hipérboles sem alguma proporção; (de) frases affectadas e totalmente alheias do genio da nossa língua[7], gongorismos, ou incorrecções que “tanto ofende[m], emaltrata[m] anossa Lingoa[8], conforme se pode ler em alguns daqueles textos.


O caso das Rimas de Bocage [BA. 150-VII-5], e das censuras que suscitou, é sintomático de posições diferenciadas no âmbito dos trabalhos da Real Comissão Geral sobre o Exame e Censura de Livros, denominação que tomou a Real Mesa Censória após a reforma de 1787, conforme demonstra um pequeno conjunto de manuscritos avulsos da Biblioteca da Ajuda, referente ao processo relativo à análise daquela obra poética.

Aos “Reparos” que Julião Cataldi, Secretário do Conselho Geral do Santo Ofício, fizera sobre o manuscrito das Rimas, que incidiam tanto no que respeitava “(d)o fogo lascivo e (d)as imagens indecentes que animão estes versos”, tendo “o ultimo terceto, ou pelo menos” sendo “susceptivel de sentido impio, porque nelle o Poeta pertende justificar a mesma paixão impura, a qual no quarteto antecedente havia chamado Igneo desejo audaz (…)”, chamando a atenção para o verso “sem que importe ao rigor que eu viva ou morra”, arbitrando que “(…) a liberdade poetica não pode chegar a tanto que se declare assim contra o modo com que procede a Justiça nestes Estados[ BA 54-IV-34 (3a)]; argumentava Bocage em sua defesa, condenando os seus carrascos, pois, escrevia:

Quem por si ou por outrem conhecer na desgraça o coração humano, saberá que o crime, e muito mais o erro necessariamente se queixa do rigor, e o julga excessivo. Que menos pode dizer um infeliz, abismado em huma das masmorras publicas desta cidade, onde a insensibilidade dos guardas lhe desdenhava a existência como supérflua? O desafogo d´aquele verso só a estes alude, e compete a quem não sendo um perverso, padeceu algumas vezes, o que a eles se deve. Confesso, alem disso é uma perfeita ingenuidade, que me não sinto capaz de substituir áquele verso outro, que exprima tão bem uma situação lastimosa, e desamparada; preferindo antes a supressão de toda a Epístola á de huma parte della, que me parece tão essencial”. Terminava “V. Magde porem mandara o que for servida” BA 54-IV-34 (3).

Entre o parecer de Cataldi, condenador, e os argumentos de Bocage em defesa do poema enquanto reflexo da sua própria vivência, a decisão final cabia ao Príncipe Regente que manda João G. Christiano Muller, analisar as poesias. Este, inspirado pela novidade da escrita e pela força do que considera ser “um génio culto”, ou “um raro talento”, não gasta uma só linha da sua prosa a sentenciar o autor e, bem pelo contrário, cumula-o de elogios, pois considera “que haverá poucos tam dignos da faculdade que o Sup.e solicita”.

Iniciando o seu parecer, estabelece desde logo o lugar que Bocage deveria ocupar no seio da literatura lusitana - “No manuscrito que V.ª Magde me mandou ver pela Portaria retro apresenta o seu prendado Author novas produções do seu raro talento, que lhe assegura hum lugar distincto entre os Vates insignes Lusitanos, aos quais ainda a Posteridade fará justiça”, para de seguida identificar os tópicos de modernidade naqueles versos - “Poesias ternas que penetrão o coração e onde de vez em quando luzem vislumbres de esclarecida Filosofia, captivando a participação dos espíritos mais meditativos do que sentimentais”. Considerando que “com Epistolas, Odes e Epodos altissonantes nos quaes desenvolve toda a força de hum genio culto, e transcencendente, unido intimamente com huma fantasia inexaurivel poética” coloca-o num patamar de qualidade supranacional - “numa palavra tudo quanto pode servir de documento de hum gosto eminente para os mais admiráveis produtos de todos os tempos, e de todas as regioens do nosso Mundo de mão dada com a singular dexteridade de o transplantar sobre o pátrio chão em quanto neste se cultivão com igual diligencia, e feliz sucesso os seus próprios: de tudo isto he a presente collecção hum elegante florilégio”.

A “ilustrada” censura de Muller, apontando tanto para a “esclarecida Filosofia”, como para a força da expressão poética, culta e introspectiva, traduziu-se na autorização para a impressão da obra, demonstrando como, no final do Antigo Regime, as tensões ideológicas e sociais existentes encontravam no Regente uma resposta que, conciliadora, não deixava de apontar as inovações estéticas, ideológicas e culturais que despontavam, o que levou autores como Ana Cristina Araújo a condenar a utilização da expressão de “Viradeira”, para “significar o retrocesso decorrente da política “repressiva” e “reacionária” de D. Maria I”, e Regência de D. João, no campo da cultura[9], tese que parece ir ao encontro da afirmação de Jorge Pedreira de que apesar de durante a regência-reinado de D. João VI ter “havido restituição da censura dos livros, teria sido essa censura no seu tempo tão suavemente exercida que nunca pessoa alguma deixara de ter com facilidade quaisquer obras[10]. Censura que se exercia de uma forma branda que não impedia a circulação de obras “suprimidas”, ainda que na mão de uma elite, sendo pois frequente a existência de livros “suprimidos” constarem nos inventários quer de particulares, quer de Livrarias de Ordens Religiosas.

MMB


[1] Hans Christian Muller, (Gottineng, 1752 – Lisboa 1814), intelectual de elevada craveira que veio para Portugal em 1772 para exercer a sua actividade de pastor protestante. Convertido ao catolicismo, foi nomeado deputado à Real Mesa Censória, sendo ainda membro da Academia Real das Ciências.

[3] A Real Mesa da Comissão Geral para o Exame e a Censura dos Livros foi criada, por Decreto de D. Maria I, em 28 de junho de 1787 para substituir a Real Mesa Censória criada pelo Alvará de 5 de abril de 1768, no reinado de D. José I. Ver https://digitarq.arquivos.pt/details?id=4311313. Consulta em 21.09.21.

[4] ABREU, Márcia, Censura Lusitana : uma pré-história da crítica literária. Disponível em http://www.caminhosdoromance.iel.unicamp.br/estudos/ensaios/censura.pdf. Consulta em 20.09.21.

[5] ABREU, Márcia, No papel de leitor: a censura a romances nos séculos XVIII e XIX. Disponível em https://www.ufrgs.br/gthistoriaculturalrs/marcia_abreu.html.

[6] ABREU, Márcia, Censura Lusitana : uma pré-história da crítica literária. Disponível em http://www.caminhosdoromance.iel.unicamp.br/estudos/ensaios/censura.pdf. Consulta em 20.09.21.

[7] In TAVARES, Rui, O Censor Iluminado. Ensaio sobre o Pombalismo e a Revolução Cultural do Século XVIII, Ed. Tinta da China, 2018, p. 621.

[8] ABREU, Márcia, No papel de leitor: a censura a romances nos séculos XVIII e XIX. Disponível em https://www.ufrgs.br/gthistoriaculturalrs/marcia_abreu.html.

[9] ARAÚJO, Ana Cristina, A Cultura das Luzes em Portugal Temas e Problemas, Livros Horizonte, 2003, p.18. Disponível em https://eg.uc.pt/bitstream/10316/47433/1/A%20Cultura%20das%20Luzes%20em%20Portugal.pdf. Consulta em 21.09.21.

[10] Pedreira, Jorge; Costa, Fernando, D.João VI, o Clemente, Círculo de Leitores, 2006, pag. 21.

Jornadas Europeias do Património Cultural 2021

 Sábado | 25 setembro |15h00 - 18h00 | Adultos | Visita - atelier presencial | Gratuito

Vamos desenhar a, e na, Biblioteca da Ajuda. Esta é uma iniciativa organizada no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2021, pela Biblioteca da Ajuda e Serviço Educativo do Palácio Nacional da Ajuda, em parceria com Tomás Reis, arquiteto e membro dos Urban Sketchers

A Biblioteca da Ajuda, uma das mais antigas bibliotecas de Portugal. Entre livros e manuscritos tão diversos, vários sobreviveram ao terramoto. Outros acompanharam a Família Real ao Brasil. E hoje, muitos segredos continuam ali guardados. Mais do que ler, iremos escolher as histórias que as salas têm para contar, desenhando da monumental entrada à vista da janela.

No final, também os nossos desenhos contarão uma história.
Os participantes, mesmo sem experiência de desenho, terão de trazer o seu material: caderno e lápis ou pastel. Esta atividade é destinada a adultos, mas crianças a partir dos 7 anos, devidamente acompanhadas, são bem-vindas.

Marcação prévia obrigatória até 12h00 de 24 de setembro para: bibajuda@pnajuda.dgpc.pt

Notícia


É com muito gosto que informamos que algumas obras manuscritas da Biblioteca da Ajuda, enquadradas pelo tema geral Macau-China: fontes sécs. XVI- XIX, estão a ser disponibilizadas online pela Biblioteca Nacional Digital / BNP. Incluídas no projecto "Descrições de Macau-China dos Séculos XVI ao XIX", promovido pelo Observatório da China e que envolve várias instituições nacionais ligadas ao estudo e divulgação do papel histórico de Macau, o Portal Digital daqui resultante permite o acesso e consulta integral dos códices já digitalizados [aqui]









Damos assim mais um passo para a disponibilização universal do acervo da Biblioteca da Ajuda.

Dia Internacional do BRINCAR

O tema da educação dos príncipes, presente em títulos célebres desde o séc. XVI ("Espelho de virtudes", "Espelho de um Príncipe cristão" ….), evoca imediatamente o "contraponto natural" da instrução associado aos tempos livres dessas tarefas pedagógicas e que se condensa num verbo: BRINCAR. Focando-nos na infância dos que vieram a ser os últimos habitantes permanentes do Paço da Ajuda – D. Luís e D. Afonso – e do seu irmão mais velho – D. Pedro V - que incarnou o modelo do Príncipe esclarecido, moderno, aberto às inovações mecânicas e organizacionais e atento ao evoluir da história num século de transformações críticas na política, economia e sistema social e deparamo-nos com uma falha de testemunhos circunstanciados das suas brincadeiras habituais. O "Diário" do mestre de Latinidades dos infantes, Francisco António Martins Bastos (BA 51-XII-44), instrumento fundamental para aceder à esfera privada e familiar do paço real, à época nas Necessidades, é bastante pormenorizado no espaço consagrado à instrução formal diária mas pouco detalhado na ocupação dos tempos livres que muitas vezes são remetidos para o tempo de férias em Mafra e Sintra ou para referências de actividades que se desenrolam após o tempo diário de estudos e que são apenas apontadas como tempos livres passados no exterior em passeios e actividades dinâmicas (caça, cavalgadas, procura e recolha de espécies naturais…) ou no interior em actividades lúdicas em família (música e canto, desenho, leitura..). Os paços da família real incluem também para uma área física onde se desenrolam estas actividades familiares e que ainda hoje é visível: a sala de jogos de Mafra, com os seus 'campos' de futebol de manejo e outros 'acessórios' desta ordem, muitos importados, ou as salas de Mármore e  do Bilhar na Ajuda.


Um destes indícios materiais das actividades lúdicas dos príncipes é uma peça muito curiosa, integrada na colecção da BA onde tem a localização 35-XV-11, e que atesta um conjunto de afirmações sobre a educação dos infantes no séc. XIX: um jogo, semelhante ao da "Glória" e que tem por objectivo a aprendizagem e treino de matemática. "Aprender, brincando" é uma fórmula pedagógica da modernidade e que ao aplicar-se directamente a esta peça lúdico-pedagógica dá conta da novidade dos ideais educativos da Família Real no seu espaço íntimo. A atenção à educação e às suas consequências directas na reconstrução de uma nação e de um povo tornam-se marcas maiores do programa régio de D. Maria II – cujo epíteto de "A Educadora" abarca as dimensões pública e privada da sua actuação -  e de D. Pedro V, exposto por dever e gosto aos princípios de uma educação simultaneamente de rígida instrução livresca e livre actuação na natureza, de severo equilíbrio entre o estudo sério e árido e as aplicações práticas e lúdicas desse mesmo estudo nas vertentes científicas. Tal como para aprender Ciências Naturais os infantes construíram um Museu de curiosidades vegetais e animais que recolheram previamente ou que lhes foram oferecidos para satisfazer este seu passatempo, o cálculo aritmético simples é o cerne de um jogo colectivo de tabuleiro em que imaginamos várias crianças brincando empenhadamente. Sinal de uma educação moderna em que o lazer, a brincadeira, os tempos livres são partes fundamentais de uma educação completa que compreende a instrução mas a ela não se limita, em que BRINCAR pode ser uma dimensão do APRENDER. E se hoje esta é uma afirmação corrente e inócua é ao final do séc. XVIII / início de XIX que a devemos com a mudança da imagem da infância e a valorização da liberdade, do corpo e do lazer.

Identificação da autoria e datação aproximada, de uns mapas da Bahía que fazem parte do acervo da Biblioteca da Ajuda

A Biblioteca da Ajuda — Biblioteca Real, sua antiga designação— foi herdeira de alguns acervos legados pelos seus possuidores.

De entre eles destacamos a livraria de José Monteiro da Rocha (1734-1819), mestre do príncipe D. Pedro e dos Infantes seus irmãos, doutor em Cânones, lente da Universidade de Coimbra onde regeu as disciplinas de Ciências Físico-Matemáticas e Astronomia, membro da Sociedade Real da Marinha e da Academia Real das Ciências (à qual legou a colecção de manuscritos). A sua livraria, com ca. de 1300 títulos, foi deixada em testamento ao príncipe real D. Pedro de Alcântara (futuro D. Pedro IV), e incorporada na Biblioteca da Ajuda em 1822 (BA. 52-XIV-35, nº 42).


O “Catalogo dos Mapas // anno de 1831”,  com a cota 
51-XIII-8, inclui  a ref. de "Mapa da Capitania da Bahia, dividido em 4 partes pelos seus Confins",  "2.º e 3º pte", n.º reg. 390-391, pert. "Rocha". As partes, 1.ª e 4.ª, não deram entrada na BA.





Reg. 390 (2.º parte)

Mapa da Baía em gesso, colorido, sobre madeira; perdas no canto superior esquerdo

37,5 x 51,7 cm



Reg. 391 (3.º parte)

Mapa da Baía em gesso, colorido, sobre madeira; 

37,5 x 51,7 cm




Ambos os mapas, não datados e sem autoria atribuída, têm na cartela, para além do título e da escala usada as iniciais A.D.S.A. 



Reg. 390



Até à data as iniciais, acima, apesar das várias tentativas de identificação, nada nos diziam (!) há dias, no seguimento de uma troca de e-mails, com um dos mais importantes historiadores do Brasil, o Prof.  João José Reis (Univ. Federal da Bahía) e graças ao seu contributo, ficámos a saber que as inicias se referiam a Anastácio de Santa Anna autor do "Guia de Caminhantes"  [aqui], do acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Do mesmo modo a data, que estava situada no séc. XVII foi, com a informação prestada e por comparação, recolocada  na segunda metade do séc. XVIII princípio do XIX. 

Mais informações: 

José Monteiro da Rocha (Canavezes, 25 de Junho 1834 – Lisboa, 11 de Dezembro 1819)  /  Fernando B. Figueiredo [aqui]

José Monteiro da Rocha (1734-1819): notícia do seu legado na Biblioteca da Ajuda [aqui]

José Monteiro da Rocha / J J O'Connor and E F Robertson [aqui]

Portal do Astrónomo: [aqui]

Dia Mundial do Livro

No dia 23 de Abril celebra-se o dia Mundial do livro e o dia Mundial do Escutismo cujo santo padroeiro, São Jorge, é igualmente celebrado nesta data. 

Neste dia, a propósito da acção de angariação de livros para doação a jovens da Ajuda (Lisboa), organizada pelo Grupo da Ajuda dos Escoteiros de Portugal (AEP), na qual também participam o Corpo Nacional de Escutas (CNE), esteve o Presidente da República na Biblioteca da Ajuda para assinalar a dupla celebração e destacar a acção destes jovens na promoção do livro.



Mais [aqui]






Curiosamente em Espanha, mais precisamente na Catalunha, a data "El Día del Libro y de la Rosa", é celebrada com a troca de rosas e livros “uma rosa por amor e um livro para sempre” [aqui]

Alexandre Herculano e a Real Biblioteca da Ajuda

“Um grande edifico, fosse qual fosse o destino que o seu fundador lhe quisesse dar, é sempre e de muitos modos um livro de historia” (Opúsculos / Alexandre Herculano)

Escrevia, em 1965, Mariana Machado Santos, directora da Biblioteca da Ajuda (1954-1974), que há muito estava “em aberto uma dívida para com um dos maiores pensadores e trabalhadores da nossa Pátria que chefiou e orientou durante trinta e oito anos a “Real Biblioteca de Sua Magestade[1]. Referia-se a Alexandre Herculano que, de 1 de Agosto de 1839 a 13 de setembro de 1877, desempenhara funções como “Bibliotecario-Mor de Sua Magestade El-Rei”, na Biblioteca anexa ao Paço Velho da Ajuda.

Este texto, a propósito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, tem como base o levantamento sobre a obra de Alexandre Herculano na Biblioteca da Ajuda, bibliografia activa e passiva, efectuado pela Dr.ª Conceição Geada, ao longo da sua longa e profícua carreira na instituição.

Quisemos evocar Alexandre Herculano (1810-1877), não apenas pelo seu trabalho de organização e engrandecimento da Real Biblioteca, que foi imenso, mas, de igual modo, pelas suas reflexões sobre a sociedade portuguesa de oitocentos, enquanto polemista empenhado na regeneração pátria, nas quais se incluem as páginas que dedicou à salvaguarda dos Monumentos Pátrios, os “livros de pedra”, incluídas nos seus Opúsculos[2], e ainda de uma actualidade indelével.

Na sua obra Alexandre Herculano e a Biblioteca da Ajuda, Mariana M. Santos elencou alguns factos pelos quais o historiador ficara ligado à história da instituição pois, apesar de não ter acompanhado a mudança para as novas instalações, na ala norte do Palácio novo, em 1880, onde actualmente se encontra, deixará, no entanto, uma marca perene na sua organização.


 




Casa de Alexandre Herculano anexa à Livraria do Paço Velho da Ajuda, junto à  torre da antiga Patriarcal (Foto de Alberto Carlos Lima, in: AFCML)


O acervo da Biblioteca da Ajuda, pelo seu lado, constituirá uma fonte documental relevante para a obra de Herculano, que no seu “eremitério”[3], mantêm um “diálogo criativo e insubmisso”[4], com a documentação manuscrita que tem à sua guarda, a qual lhe serve, quer para a sua obra de historiador, quer de inspiração para a sua produção literária de carácter ficcional.


O Cancioneiro da Ajuda:

A Alexandre Herculano se deve a integração de umas “folhas avulsas”[5], no então denominado “Cancioneiro do Collegio dos Nobres”, códice que apesar de truncado, era já então considerado como “um dos mais preciosos manuscritos da Coroa que se encontrava desde 1832”, na Real Biblioteca da Ajuda, proveniente daquela instituição pedagógica pombalina. Os onze fólios localizados na Biblioteca de Évora, que por iniciativa de Herculano, se juntavam ao original, completando-o, tornaram-no no mais antigo conjunto de textos poéticos compostos por trovadores galego-portugueses. Constituído por 310 cantigas de 38 autores, “códice vetusto e venerando que encerra os monumentos primevos da arte lírica peninsular”, nas palavras de Carolina Michaelis[6], tesouro nacional à guarda da Biblioteca da Ajuda (BA), foi um lugar de memórias que Herculano revisitou para a sua escrita.

O Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, fragmento apenso ao Cancioneiro, será publicado por Herculano na obra Portugaliae Monumenta Historica[7]. Do Cancioneiro retirará, ainda, versos de Pero da Ponte, (cantiga 292) que incluirá em O Monge de Cister.


[Livro das Linhagens de D. PedroConde de Barcelos]:

Integrada nas Lendas e Narrativas, A Dama Pé de Cabra tem como fonte o [Livro das Linhagens de D. Pedro, Conde de Barcelos], cópia manuscrita do séc. XVI, proveniente da Biblioteca dos Oratorianos das Necessidades, códice igualmente à guarda da BA[8]. Naquela, o narrador introduz-nos no ambiente temporal no qual decorre a lenda, alertando o leitor que a razão pela qual a vai contar “é porque a li num livro muito velho”[9], invocando a sua relação com contextos literários medievos.

Devem ainda ser destacadas, dentro da imensa produção literária de Herculano, duas obras marcantes no panorama da investigação historiográfica oitocentista:

Da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal[10], para a qual utilizou núcleos documentais insertos no acervo da BA.















[Anais de D. João III]
, manuscrito autógrafo de Fr. Luís de Sousa[11] que Herculano publica[12] a partir do original da BA.


Mas se a obra de Herculano reflecte o seu interesse pelos “monumentos das epochas anteriores” nas “diversas espécies nos próprios originais ou cópias coevas”, não deixou de ser um intelectual interessado nas questões do mundo seu contemporâneo, batendo-se pelas suas convicções políticas, com as quais defendeu a sua “utopia municipalista[13], de autonomização dos municípios, do poder central. 

Conciliando as suas ideias com a vontade de as pôr em prática, concorre nas eleições municipais, em novembro de 1853, sendo eleito Presidente da Câmara Municipal de Belém, entre 1854-1856.

Monumentos Patrios. Não menos relevantes foram os seus artigos acerca da questão da preservação dos monumentos arquitectónicos que deram origem a escritos incisivos, nos quais denunciou a incúria face à ruína e à degradação, às quais os vestígios venerandos da nossa história eram votados, numa sociedade deslumbrada com os desígnios do “progresso”.“Livros de pedra”, documentos eles também, que via desabar à sua volta, fruto da ganância especulativa, e que o levaram a escrever palavras fundacionais de uma consciência patrimonial em Portugal, e a proclamar, no artigo “Monumentos Patrios, de 1838”- “contra a índole destruidora dos homens de hoje que a razão e a consciência”, escrevia, o forçavam a ele “a erguer a voz e a chamar, como o antigo eremita, todos os ânimos capazes de nobre esforço para nova cruzada”, para a qual propunha se erguesse “um brado a favor dos monumentos da historia, da arte da gloria nacional, que todos os dias vemos desabar em ruinas”[14].

Quis Herculano que a História fosse “cousa mais séria e grave do que a narração exclusiva de dois casamentos, quatro enterros, e seis batalhas[15], como escrevia na introdução do Portugaliae Monumenta Historica, e “fosse uma verdadeira sciencia que habilite o presente e o futuro para tirarem lições do passado”.

Foi esse o seu imperativo moral, a sua cruzada cívica, e de certo modo utópica, que revelava a natureza poética e “romântica” do seu pensamento, na busca de modelos e acontecimentos de um passado longínquo, que o levou a procurar “um refúgio lustral”, sobretudo na Idade Média, “época a que atribuía sentimentos vigorosos e de um sadio crescer social”[16], confessando na Introdução de O Bobo: “No meio de uma nação decadente, mas rica de tradições, o mister de recordar o passado é uma espécie de magistratura moral, é uma espécie de sacerdócio”[17].

O espírito de missão que norteou o trabalho de Alexandre Herculano fez com que legasse, às gerações futuras, o fruto das longas horas que passou “desenterrando diariamente do pó das bibliotecas e dos archivos monumentos desconhecidos”[18].

A sua procura de um passado plural, múltiplo e rico de propostas, aberto generosamente ao futuro, complexo, diverso e informado e que nos permite rejeitar leituras anacrónicas, pobres e redutoras da História, é a lição magistral, que nos deveria obrigar à (re) leitura da obra de Alexandre Herculano.

MMB

(BA)


[1] SANTOS, Mariana A. Machado, Alexandre Herculano e a Biblioteca da Ajuda, Separata de O Instituto, Vol. CXXVII, Coimbra, 1965, p. 4. - Acessível em, https://digitalis-dsp.sib.uc.pt/institutocoimbra/UCBG-A-24-37a41_v127-1/UCBG-A-24-37a41_v127-1_item1/P138.html

[2] HERCULANO, Alexandre, Opusculos, Lisboa, 1897-1907, BA 119/120- B-82 a 92. Acessível em, https://purl.pt/718/4/

[3] Pato, Bulhão, Memórias. - Lisboa : Typ. da Academia Real das Sciencias, 1894-1907. - 3 vol. ;Acessível em, https://archive.org/details/memorias01bulhuoft/page/190/mode/2up?view=theater

[4] COSTA, Fernando Gil, “Herculano tradutor e intérprete do Romantismo europeu”, in Revisitando Herculano no bicentenário do seu nascimento, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2013. Acessível em https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/12594.pdf.

[5] SANTOS, Mariana A. Machado, Alexandre Herculano e a Biblioteca da Ajuda, Separata de O Instituto, Vol. CXXVII, Coimbra, 1965, doc. reproduzido p.42.

[6] VASCONCELOS, Carolina Michaelis, Cancioneiro da Ajuda. - Lisboa : Impr. Nac. - Casa da Moeda, 1990. Início da Adverténcia Preliminar que abre o primeiro volume. BA. Usuais

[7] HERCULANO, A., Portugaliae Monumenta Historica, Lisboa, 1856, BA 135-III-31 a 35.

[8] Livro das Linhagens de D. Pedro, Conde de Barcelos, BA. Cod. 47-XIII-11.

[9] HERCULANO, A., Lendas e Narrativas, Emp. Diário de Notícias, Lisboa, 1920, Tomo II, p. 7. BA 141-II-1 e 2.

[10] HERCULANO, A., Da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Imprensa Nacional, Lisboa,1854, BA 52- VI-33 a 35.

[11] BA Cod. 50-V-33.

[12] HERCULANO, A., Annaes de D. João III por Fr. Luiz de Sousa, Lisboa, 1844, BA 52-VII-15

[13] SARAIVA, José António, Herculano Desconhecido, Publicações Europa-América, 2ª edição, 1971, p. 47.

[14] HERCULANO, A., “Monumentos Patrios”, Opusculos, Tomo II, Lisboa, 1907, p. 10. BA 119/120-B-83

[15] HERCULANO, A., “Apontamentos para a Historia dos Bens da Coroa e dos Foraes”,Opusculos, Tomo III, Lisboa 1897, p. 281. BA 119/120-B- 90.

[16] MONTEIRO, Ofélia Paiva, “Herculano :Da arte narrativa do ficcionista”, in Revisitando Herculano no bicentenário do seu nascimento, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2013, p. 10. Acessível em https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/12594.pdf.

[17] Herculano, A., O Bobo, Livraria Bertrand, s/data, p. 10. BA 135/136-J-85.

[18] HERCULANO, A., Portugaliae Monumenta Historica, vol. I, Lisboa, 1856, BA 135-III-31