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Novidades: Artigos em Linha Nº 11

Já está disponível, através do site do Palácio Nacional da Ajuda (sep. Estudos), o texto
«Banidos» os proprietários das livrarias mas não os livros».  [aqui]

Movidos pelo mesmo espírito indagador que os livros e documentos suscitam, e no confronto com alguma documentação manuscrita que integra o Arquivo Interno da casa, parte dela inédita, reunimos alguma informação, que nos permite acrescentar novos dados a uma história já secular. É agora nosso propósito, com este trabalho, dar um contributo para um melhor conhecimento sobre o modo como, com o propósito de reconstruir o brilho devido a uma biblioteca que era a privada do rei, se procedeu a aquisições e incorporações, nas primeiras décadas do séc. XIX, dedicando especial atenção ao período correspondente à regência e governos de D. João VI (1799-1826) e de D. Miguel (1828-1834), por menos tratado e conhecido.
A. Mafalda Távora de Magalhães Barros
Biblioteca da Ajuda
2024, 45 pp. a cores
Artigos em Linha Nº 11

Novidades do Acervo:


PAIS, José Alberto

Das pobres colônias ricas à rica metrópole pobre : a formação das colecções zoológicas vivas reais em Portugal durante o séc. XVIII / José Alberto Pais. - 1.ª ed. - 
Porto Alegre, RS : Editora Letra 1, 2021. - 260 p : ill. 23 cm

Menção honrosa 
Prêmio Capes de Tese 
Edição 2019 - Comunicação e informação


 BA. 245-II-13

Destaques do Acervo: Ricordo del viaggio in Persia della Missione italiana ,1862

A Biblioteca da Ajuda integra no acervo um álbum de fotografias de Luigi Montabone - fotógrafo da primeira missão oficial do Reino da Itália no Irão levada a cabo em 1862.
BA 123-III-39

O álbum em questão é um trabalho extremamente importante, seja pelo raro testemunho visual que oferece, seja pelo papel que teve no desenvolvimento de estudos historiográficos relacionados com fotografia durante o período em que a Pérsia (Irão desde 1934) foi governada pela dinastia real Qajar, de origem turca, especificamente da tribo Qajar, que governou a Pérsia de 1789 a 1925.


Marcello Cerruti


A missão em questão, ordenada por Rei Vítor Emanuel II, foi planeada e organizada por Camillo Benso de Cavour, liderada por Marcello Cerruti e era composta por 19 membros de diferentes áreas: diplomática, militar, comercial e científica.   
Grupo da Missão


A composição da missão que incluía cientistas desacatados visava representar o prestígio político e cultural da nova Itália. 






Figuras significativas incluem um grupo de cientistas, incluindo Giacomo Lignana, professor de filologia comparada na Universidade de Nápoles; Camillo Ferrati, professor de geodésia da Universidade de Turim e matemático Michele Lessona, professor de história natural da Universidade de Gênova e médico; Filippo De Filippi, diretor do Museu de Geologia de Turim; Giacomo Doria, jovem naturalista genovês e Carlo Orio, bacólogo, todos destinados a ocupar posições importantes no panorama científico italiano.

Palácio real em Teerão, vista do jardim
      
Mesquita de Sultanieh
  

Soldados persas


Palácio real de Kasvin

Mais [aqui]

Missão de Mariano de Carvalho à Província de Moçambique

Mariano Cirilo de Carvalho, mais conhecido como Mariano de carvalho, nasceu a 25 de Junho de 1836, em Alenquer. Farmacêutico, profissão que exerceu durante um ano, matemático, professor, de Astronomia e Geodesia  na Escola Politécnica de Lisboa, jornalista e politico. Criou e dirigiu, com Andrade Corvo, Observatório Astronómico. Em 1890 foi encarregue, por D. Carlos, de viajar para Moçambique. Parte, no vapor Malange, em Junho de 1890 regressando em Dezembro do mesmo ano.

Da viagem em questão resultou  um álbum, em caixa,
de fotografias cujo objetivo foi "retratar", o mais detalhado possível, o estado da colónia em questão. As fotografias, num total de 115, mostram as paisagens, modo de vida, hábitos e etnias dos habitantes de Moçambique em especial de Lourenço Marques, actual Maputo, Quelimane, Nacala, Prazo Mahindo, da baías do Mocambo e das ilhas de Chiloane e Ibo.

BA. 233-IX

O fotógrafo da expedição foi
Manuel Joaquim Romão Pereira natural de São Bartolomeu de Messines, nasce a 1 de Junho e  morre em Agosto de 1894.

Viveu alguns anos em Loureço Marques, onde tinha o seu atelier de fotografia "Atelier Portuguez de Photographia", localmente conhecida como a "casa do photographo Pereira."




"Provincia de Moçambique. Choca, um grupo"
         

As restantes fotografias estão acessíveis através do Matrizpix [aqui]




Destaques do Acervo:

A Biblioteca da Ajuda tem, na sua colecção de fotografias, um conjunto de  8 imagens de vários modelos do fabricante de automóveis Benz & Cie. (empresa que antecedeu a agora Mercedes-Benz), representado em Portugal por José da Silva Monteiro. 

Em 1908, José da Silva Monteiro, empresário do Porto, abre um stand de vendas 
na rua das Flores 133-135 e uma garagem, na Rua da Liberdade.

Do conjunto de imagens, abaixo, destacam-se vários modelos Phaeton [28 HP, 40 HP, 50 HP..] que, de acordo com o site da Mercedez Benz [aqui], terá sido o primeiro modelo a entrar em Portugal.

As imagens, com a cota BA. 232- I, reg. 997 (A-I) estão acessíveis, com a respectiva descrição física e técnica , através do matrizpix [aqui]. 







Para saber mais:

Museu Carl Benz [aqui].

A Implantação do Automóvel em Portugal (1895-1910) / José Carlos Barros Rodrigues [aqui]



Livros Raros


A Biblioteca da Ajuda cujo espólio foi sendo enriquecido com a integração de algumas livrarias particulares e de ordens religiosas entretanto extintas como as livrarias da Companhia de Jesus (Casa Professa de São Roque e Colégio Santo Antão) tem no seu acervo a obra, rara, de Manuel Bocarro.


Tratado dos cometas que appareceram em Novembro passado de 1618 / Composto pello Licenceado Manoel Bocarro Frances, medico, & astrologo, natural desta cidade de Lisboa. - Em Lisboa : por Pedro Craesbeeck, 1619. - 20 f. : il. ; 4º (20 cm).

BA. 50-X-47. - Pert. ms.: "Da livr.ª publica de S. Roque"

Notas: Brasão de D. Fernão Martins Mascarenhas [Inquisidor Geral] a quem é dedicada a obra


Manuel Bocarro Francês [Jacob Rosales], médico, astrónomo e matemático nasce em Lisboa em 1588 (cf. BA. 50-V-36, fl. 146) e morre em 1662, em Florença. Inicia os seus estudos no colégio Jesuíta de S. Roque prosseguindo os mesmos primeiro em Montpellier, de onde lhe virá o toponímico francês, seguindo depois para Alcalá de Henares e por fim Coimbra. Em 1618, de novo em Lisboa, escreve sobre os cometas que foram avistados, nesse ano. Figura polémica, pela sua ligação ao movimento sebastianista e por ser opositor das teorias Aristotélicas.

A Biblioteca Nacional de Portugal publicou, em 2009, um fac-símile da obra [aqui] acompanhado de um estudo de Henrique leitão [aqui]

Mais:

Manuel Bocarro Francês alias Jacob Rosales: Percurso de Vida, Legado Escrito e Ars Magna / Sandra Silva [aqui]

O físico Imanuel Bocarro Rosales: vestígios da sua presença em Livorno / Sandra Silva [aqui]. Inclui a reprodução dos fls 147-147v. do manuscrito autógrafo de Bocarro redigido em Livorno no ano de 1658 (BA, 50-V-36)