Notícia


É com muito gosto que informamos que algumas obras manuscritas da Biblioteca da Ajuda, enquadradas pelo tema geral Macau-China: fontes sécs. XVI- XIX, estão a ser disponibilizadas online pela Biblioteca Nacional Digital / BNP. Incluídas no projecto "Descrições de Macau-China dos Séculos XVI ao XIX", promovido pelo Observatório da China e que envolve várias instituições nacionais ligadas ao estudo e divulgação do papel histórico de Macau, o Portal Digital daqui resultante permite o acesso e consulta integral dos códices já digitalizados [aqui]









Damos assim mais um passo para a disponibilização universal do acervo da Biblioteca da Ajuda.

Dia Internacional do BRINCAR

O tema da educação dos príncipes, presente em títulos célebres desde o séc. XVI ("Espelho de virtudes", "Espelho de um Príncipe cristão" ….), evoca imediatamente o "contraponto natural" da instrução associado aos tempos livres dessas tarefas pedagógicas e que se condensa num verbo: BRINCAR. Focando-nos na infância dos que vieram a ser os últimos habitantes permanentes do Paço da Ajuda – D. Luís e D. Afonso – e do seu irmão mais velho – D. Pedro V - que incarnou o modelo do Príncipe esclarecido, moderno, aberto às inovações mecânicas e organizacionais e atento ao evoluir da história num século de transformações críticas na política, economia e sistema social e deparamo-nos com uma falha de testemunhos circunstanciados das suas brincadeiras habituais. O "Diário" do mestre de Latinidades dos infantes, Francisco António Martins Bastos (BA 51-XII-44), instrumento fundamental para aceder à esfera privada e familiar do paço real, à época nas Necessidades, é bastante pormenorizado no espaço consagrado à instrução formal diária mas pouco detalhado na ocupação dos tempos livres que muitas vezes são remetidos para o tempo de férias em Mafra e Sintra ou para referências de actividades que se desenrolam após o tempo diário de estudos e que são apenas apontadas como tempos livres passados no exterior em passeios e actividades dinâmicas (caça, cavalgadas, procura e recolha de espécies naturais…) ou no interior em actividades lúdicas em família (música e canto, desenho, leitura..). Os paços da família real incluem também para uma área física onde se desenrolam estas actividades familiares e que ainda hoje é visível: a sala de jogos de Mafra, com os seus 'campos' de futebol de manejo e outros 'acessórios' desta ordem, muitos importados, ou as salas de Mármore e  do Bilhar na Ajuda.


Um destes indícios materiais das actividades lúdicas dos príncipes é uma peça muito curiosa, integrada na colecção da BA onde tem a localização 35-XV-11, e que atesta um conjunto de afirmações sobre a educação dos infantes no séc. XIX: um jogo, semelhante ao da "Glória" e que tem por objectivo a aprendizagem e treino de matemática. "Aprender, brincando" é uma fórmula pedagógica da modernidade e que ao aplicar-se directamente a esta peça lúdico-pedagógica dá conta da novidade dos ideais educativos da Família Real no seu espaço íntimo. A atenção à educação e às suas consequências directas na reconstrução de uma nação e de um povo tornam-se marcas maiores do programa régio de D. Maria II – cujo epíteto de "A Educadora" abarca as dimensões pública e privada da sua actuação -  e de D. Pedro V, exposto por dever e gosto aos princípios de uma educação simultaneamente de rígida instrução livresca e livre actuação na natureza, de severo equilíbrio entre o estudo sério e árido e as aplicações práticas e lúdicas desse mesmo estudo nas vertentes científicas. Tal como para aprender Ciências Naturais os infantes construíram um Museu de curiosidades vegetais e animais que recolheram previamente ou que lhes foram oferecidos para satisfazer este seu passatempo, o cálculo aritmético simples é o cerne de um jogo colectivo de tabuleiro em que imaginamos várias crianças brincando empenhadamente. Sinal de uma educação moderna em que o lazer, a brincadeira, os tempos livres são partes fundamentais de uma educação completa que compreende a instrução mas a ela não se limita, em que BRINCAR pode ser uma dimensão do APRENDER. E se hoje esta é uma afirmação corrente e inócua é ao final do séc. XVIII / início de XIX que a devemos com a mudança da imagem da infância e a valorização da liberdade, do corpo e do lazer.

Identificação da autoria e datação aproximada, de uns mapas da Bahía que fazem parte do acervo da Biblioteca da Ajuda

A Biblioteca da Ajuda — Biblioteca Real, sua antiga designação— foi herdeira de alguns acervos legados pelos seus possuidores.

De entre eles destacamos a livraria de José Monteiro da Rocha (1734-1819), mestre do príncipe D. Pedro e dos Infantes seus irmãos, doutor em Cânones, lente da Universidade de Coimbra onde regeu as disciplinas de Ciências Físico-Matemáticas e Astronomia, membro da Sociedade Real da Marinha e da Academia Real das Ciências (à qual legou a colecção de manuscritos). A sua livraria, com ca. de 1300 títulos, foi deixada em testamento ao príncipe real D. Pedro de Alcântara (futuro D. Pedro IV), e incorporada na Biblioteca da Ajuda em 1822 (BA. 52-XIV-35, nº 42).


O “Catalogo dos Mapas // anno de 1831”,  com a cota 
51-XIII-8, inclui  a ref. de "Mapa da Capitania da Bahia, dividido em 4 partes pelos seus Confins",  "2.º e 3º pte", n.º reg. 390-391, pert. "Rocha". As partes, 1.ª e 4.ª, não deram entrada na BA.





Reg. 390 (2.º parte)

Mapa da Baía em gesso, colorido, sobre madeira; perdas no canto superior esquerdo

37,5 x 51,7 cm



Reg. 391 (3.º parte)

Mapa da Baía em gesso, colorido, sobre madeira; 

37,5 x 51,7 cm




Ambos os mapas, não datados e sem autoria atribuída, têm na cartela, para além do título e da escala usada as iniciais A.D.S.A. 



Reg. 390



Até à data as iniciais, acima, apesar das várias tentativas de identificação, nada nos diziam (!) há dias, no seguimento de uma troca de e-mails, com um dos mais importantes historiadores do Brasil, o Prof.  João José Reis (Univ. Federal da Bahía) e graças ao seu contributo, ficámos a saber que as inicias se referiam a Anastácio de Santa Anna autor do "Guia de Caminhantes"  [aqui], do acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Do mesmo modo a data, que estava situada no séc. XVII foi, com a informação prestada e por comparação, recolocada  na segunda metade do séc. XVIII princípio do XIX. 

Mais informações: 

José Monteiro da Rocha (Canavezes, 25 de Junho 1834 – Lisboa, 11 de Dezembro 1819)  /  Fernando B. Figueiredo [aqui]

José Monteiro da Rocha (1734-1819): notícia do seu legado na Biblioteca da Ajuda [aqui]

José Monteiro da Rocha / J J O'Connor and E F Robertson [aqui]

Portal do Astrónomo: [aqui]

Dia Mundial do Livro

No dia 23 de Abril celebra-se o dia Mundial do livro e o dia Mundial do Escutismo cujo santo padroeiro, São Jorge, é igualmente celebrado nesta data. 

Neste dia, a propósito da acção de angariação de livros para doação a jovens da Ajuda (Lisboa), organizada pelo Grupo da Ajuda dos Escoteiros de Portugal (AEP), na qual também participam o Corpo Nacional de Escutas (CNE), esteve o Presidente da República na Biblioteca da Ajuda para assinalar a dupla celebração e destacar a acção destes jovens na promoção do livro.



Mais [aqui]






Curiosamente em Espanha, mais precisamente na Catalunha, a data "El Día del Libro y de la Rosa", é celebrada com a troca de rosas e livros “uma rosa por amor e um livro para sempre” [aqui]

Alexandre Herculano e a Real Biblioteca da Ajuda

“Um grande edifico, fosse qual fosse o destino que o seu fundador lhe quisesse dar, é sempre e de muitos modos um livro de historia” (Opúsculos / Alexandre Herculano)

Escrevia, em 1965, Mariana Machado Santos, directora da Biblioteca da Ajuda (1954-1974), que há muito estava “em aberto uma dívida para com um dos maiores pensadores e trabalhadores da nossa Pátria que chefiou e orientou durante trinta e oito anos a “Real Biblioteca de Sua Magestade[1]. Referia-se a Alexandre Herculano que, de 1 de Agosto de 1839 a 13 de setembro de 1877, desempenhara funções como “Bibliotecario-Mor de Sua Magestade El-Rei”, na Biblioteca anexa ao Paço Velho da Ajuda.

Este texto, a propósito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, tem como base o levantamento sobre a obra de Alexandre Herculano na Biblioteca da Ajuda, bibliografia activa e passiva, efectuado pela Dr.ª Conceição Geada, ao longo da sua longa e profícua carreira na instituição.

Quisemos evocar Alexandre Herculano (1810-1877), não apenas pelo seu trabalho de organização e engrandecimento da Real Biblioteca, que foi imenso, mas, de igual modo, pelas suas reflexões sobre a sociedade portuguesa de oitocentos, enquanto polemista empenhado na regeneração pátria, nas quais se incluem as páginas que dedicou à salvaguarda dos Monumentos Pátrios, os “livros de pedra”, incluídas nos seus Opúsculos[2], e ainda de uma actualidade indelével.

Na sua obra Alexandre Herculano e a Biblioteca da Ajuda, Mariana M. Santos elencou alguns factos pelos quais o historiador ficara ligado à história da instituição pois, apesar de não ter acompanhado a mudança para as novas instalações, na ala norte do Palácio novo, em 1880, onde actualmente se encontra, deixará, no entanto, uma marca perene na sua organização.


 




Casa de Alexandre Herculano anexa à Livraria do Paço Velho da Ajuda, junto à  torre da antiga Patriarcal (Foto de Alberto Carlos Lima, in: AFCML)


O acervo da Biblioteca da Ajuda, pelo seu lado, constituirá uma fonte documental relevante para a obra de Herculano, que no seu “eremitério”[3], mantêm um “diálogo criativo e insubmisso”[4], com a documentação manuscrita que tem à sua guarda, a qual lhe serve, quer para a sua obra de historiador, quer de inspiração para a sua produção literária de carácter ficcional.


O Cancioneiro da Ajuda:

A Alexandre Herculano se deve a integração de umas “folhas avulsas”[5], no então denominado “Cancioneiro do Collegio dos Nobres”, códice que apesar de truncado, era já então considerado como “um dos mais preciosos manuscritos da Coroa que se encontrava desde 1832”, na Real Biblioteca da Ajuda, proveniente daquela instituição pedagógica pombalina. Os onze fólios localizados na Biblioteca de Évora, que por iniciativa de Herculano, se juntavam ao original, completando-o, tornaram-no no mais antigo conjunto de textos poéticos compostos por trovadores galego-portugueses. Constituído por 310 cantigas de 38 autores, “códice vetusto e venerando que encerra os monumentos primevos da arte lírica peninsular”, nas palavras de Carolina Michaelis[6], tesouro nacional à guarda da Biblioteca da Ajuda (BA), foi um lugar de memórias que Herculano revisitou para a sua escrita.

O Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, fragmento apenso ao Cancioneiro, será publicado por Herculano na obra Portugaliae Monumenta Historica[7]. Do Cancioneiro retirará, ainda, versos de Pero da Ponte, (cantiga 292) que incluirá em O Monge de Cister.


[Livro das Linhagens de D. PedroConde de Barcelos]:

Integrada nas Lendas e Narrativas, A Dama Pé de Cabra tem como fonte o [Livro das Linhagens de D. Pedro, Conde de Barcelos], cópia manuscrita do séc. XVI, proveniente da Biblioteca dos Oratorianos das Necessidades, códice igualmente à guarda da BA[8]. Naquela, o narrador introduz-nos no ambiente temporal no qual decorre a lenda, alertando o leitor que a razão pela qual a vai contar “é porque a li num livro muito velho”[9], invocando a sua relação com contextos literários medievos.

Devem ainda ser destacadas, dentro da imensa produção literária de Herculano, duas obras marcantes no panorama da investigação historiográfica oitocentista:

Da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal[10], para a qual utilizou núcleos documentais insertos no acervo da BA.















[Anais de D. João III]
, manuscrito autógrafo de Fr. Luís de Sousa[11] que Herculano publica[12] a partir do original da BA.


Mas se a obra de Herculano reflecte o seu interesse pelos “monumentos das epochas anteriores” nas “diversas espécies nos próprios originais ou cópias coevas”, não deixou de ser um intelectual interessado nas questões do mundo seu contemporâneo, batendo-se pelas suas convicções políticas, com as quais defendeu a sua “utopia municipalista[13], de autonomização dos municípios, do poder central. 

Conciliando as suas ideias com a vontade de as pôr em prática, concorre nas eleições municipais, em novembro de 1853, sendo eleito Presidente da Câmara Municipal de Belém, entre 1854-1856.

Monumentos Patrios. Não menos relevantes foram os seus artigos acerca da questão da preservação dos monumentos arquitectónicos que deram origem a escritos incisivos, nos quais denunciou a incúria face à ruína e à degradação, às quais os vestígios venerandos da nossa história eram votados, numa sociedade deslumbrada com os desígnios do “progresso”.“Livros de pedra”, documentos eles também, que via desabar à sua volta, fruto da ganância especulativa, e que o levaram a escrever palavras fundacionais de uma consciência patrimonial em Portugal, e a proclamar, no artigo “Monumentos Patrios, de 1838”- “contra a índole destruidora dos homens de hoje que a razão e a consciência”, escrevia, o forçavam a ele “a erguer a voz e a chamar, como o antigo eremita, todos os ânimos capazes de nobre esforço para nova cruzada”, para a qual propunha se erguesse “um brado a favor dos monumentos da historia, da arte da gloria nacional, que todos os dias vemos desabar em ruinas”[14].

Quis Herculano que a História fosse “cousa mais séria e grave do que a narração exclusiva de dois casamentos, quatro enterros, e seis batalhas[15], como escrevia na introdução do Portugaliae Monumenta Historica, e “fosse uma verdadeira sciencia que habilite o presente e o futuro para tirarem lições do passado”.

Foi esse o seu imperativo moral, a sua cruzada cívica, e de certo modo utópica, que revelava a natureza poética e “romântica” do seu pensamento, na busca de modelos e acontecimentos de um passado longínquo, que o levou a procurar “um refúgio lustral”, sobretudo na Idade Média, “época a que atribuía sentimentos vigorosos e de um sadio crescer social”[16], confessando na Introdução de O Bobo: “No meio de uma nação decadente, mas rica de tradições, o mister de recordar o passado é uma espécie de magistratura moral, é uma espécie de sacerdócio”[17].

O espírito de missão que norteou o trabalho de Alexandre Herculano fez com que legasse, às gerações futuras, o fruto das longas horas que passou “desenterrando diariamente do pó das bibliotecas e dos archivos monumentos desconhecidos”[18].

A sua procura de um passado plural, múltiplo e rico de propostas, aberto generosamente ao futuro, complexo, diverso e informado e que nos permite rejeitar leituras anacrónicas, pobres e redutoras da História, é a lição magistral, que nos deveria obrigar à (re) leitura da obra de Alexandre Herculano.

MMB

(BA)


[1] SANTOS, Mariana A. Machado, Alexandre Herculano e a Biblioteca da Ajuda, Separata de O Instituto, Vol. CXXVII, Coimbra, 1965, p. 4. - Acessível em, https://digitalis-dsp.sib.uc.pt/institutocoimbra/UCBG-A-24-37a41_v127-1/UCBG-A-24-37a41_v127-1_item1/P138.html

[2] HERCULANO, Alexandre, Opusculos, Lisboa, 1897-1907, BA 119/120- B-82 a 92. Acessível em, https://purl.pt/718/4/

[3] Pato, Bulhão, Memórias. - Lisboa : Typ. da Academia Real das Sciencias, 1894-1907. - 3 vol. ;Acessível em, https://archive.org/details/memorias01bulhuoft/page/190/mode/2up?view=theater

[4] COSTA, Fernando Gil, “Herculano tradutor e intérprete do Romantismo europeu”, in Revisitando Herculano no bicentenário do seu nascimento, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2013. Acessível em https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/12594.pdf.

[5] SANTOS, Mariana A. Machado, Alexandre Herculano e a Biblioteca da Ajuda, Separata de O Instituto, Vol. CXXVII, Coimbra, 1965, doc. reproduzido p.42.

[6] VASCONCELOS, Carolina Michaelis, Cancioneiro da Ajuda. - Lisboa : Impr. Nac. - Casa da Moeda, 1990. Início da Adverténcia Preliminar que abre o primeiro volume. BA. Usuais

[7] HERCULANO, A., Portugaliae Monumenta Historica, Lisboa, 1856, BA 135-III-31 a 35.

[8] Livro das Linhagens de D. Pedro, Conde de Barcelos, BA. Cod. 47-XIII-11.

[9] HERCULANO, A., Lendas e Narrativas, Emp. Diário de Notícias, Lisboa, 1920, Tomo II, p. 7. BA 141-II-1 e 2.

[10] HERCULANO, A., Da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Imprensa Nacional, Lisboa,1854, BA 52- VI-33 a 35.

[11] BA Cod. 50-V-33.

[12] HERCULANO, A., Annaes de D. João III por Fr. Luiz de Sousa, Lisboa, 1844, BA 52-VII-15

[13] SARAIVA, José António, Herculano Desconhecido, Publicações Europa-América, 2ª edição, 1971, p. 47.

[14] HERCULANO, A., “Monumentos Patrios”, Opusculos, Tomo II, Lisboa, 1907, p. 10. BA 119/120-B-83

[15] HERCULANO, A., “Apontamentos para a Historia dos Bens da Coroa e dos Foraes”,Opusculos, Tomo III, Lisboa 1897, p. 281. BA 119/120-B- 90.

[16] MONTEIRO, Ofélia Paiva, “Herculano :Da arte narrativa do ficcionista”, in Revisitando Herculano no bicentenário do seu nascimento, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2013, p. 10. Acessível em https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/12594.pdf.

[17] Herculano, A., O Bobo, Livraria Bertrand, s/data, p. 10. BA 135/136-J-85.

[18] HERCULANO, A., Portugaliae Monumenta Historica, vol. I, Lisboa, 1856, BA 135-III-31

Projecto Res Sinicae: Base digital de fontes documentais em latim e em português sobre a China (séculos XVI - XVIII)

É com gosto que informamos, como parceiro institucional do projecto Res Sinicae, que a sua plataforma digital já se encontra on-line a partir de hoje:

APRESENTAÇÃO

O projecto visa reunir e disponibilizar numa plataforma digital, em constante actualização, documentação inédita em latim e em português sobre a China dos séculos XVI a XVIII, escrita por portugueses ou por pessoas com eles relacionadas de outras nacionalidades. Trata-se da criação de um repertório digital de fontes de diferentes tipologias, que urge constituir para o caso português e que se pretende que venha a ter continuidade para além do período de financiamento. Após inventariação exaustiva, transcrição e tradução para português dos textos escritos em latim, os documentos serão editados on-line na língua original e acompanhados da respectiva tradução. De forma a alcançar-se um maior impacte na comunidade científica, numa segunda fase, uma ampla selecção de fontes será publicada em inglês e chinês. Esta plataforma incluirá ainda estudos realizados pelos investigadores, consultores e outros colaboradores.

Divulgam-se nesta plataforma os resultados, já extensos, da investigação realizada pela equipa do projecto Res Sinicae, «Cousas da China» como se dizia no século XVI. O período de financiamento, que lhe foi atribuído pela FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) em 2018, cessará em 2022. Mas a equipa empenhada na sua realização decidiu continuar o seu trabalho pelo tempo que for necessário para disponibilizar nesta plataforma um acervo incomensurável, em quantidade e interesse científico, de documentos produzidos na China entre os séculos XVI e XVIII.

Esta plataforma é, pois, uma arca de um tesouro inesgotável que será actualizado e enriquecido com a incorporação de novos documentos, à medida que se forem transcrevendo, editando e traduzindo.

https://www.ressinicae.letras.ulisboa.pt/


PRESENTATION

The already extensive results of the research carried out by the team of the project Res Sinicae, «Things of China» [Cousas da China] as it was said in the sixteenth century, are being divulged through this platform. The funding period, which was assigned to the Project by FCT (the Foundation for Science and Technology) in 2018, will end in 2022. But the team committed to its realization has decided to continue working for as long as necessary to make available on this platform an immeasurable collection, in quantity and in scientific interest, of documents produced in China between the sixteenth and the eighteenth century.

This platform is, therefore, an inexhaustible treasure trove that will be updated and enriched with the incorporation of new documents, as they are transcribed, edited and translated.

https://www.ressinicae.letras.ulisboa.pt/