“Um saber de experiência feito… uma língua para o saber”

Comemora-se hoje, desde novembro de 2019, o Dia Mundial da Língua Portuguesa, um reconhecimento da abrangência geográfica do português e da sua primazia histórica na globalização, tornando-a numa das “línguas da comunicação global”.

 A Biblioteca da Ajuda, guarda na sua coleção vários exemplares que testemunham esta ligação histórica das viagens portuguesas ao desenvolvimento do conhecimento científico e à escolha do português como seu instrumento de expressão e sistematização. De entre várias possíveis, o Colóquio dos simples e das drogas e das cousas medicinaes da India (…), por Garcia da Orta, impresso em Goa, por Ioannes do Endem em 1563, destaca-se pela sua anterioridade e características próprias, desde logo o seu local de impressão.

Estruturado em 58 diálogos entre Ruano e Dr. Orta, descreve com grande exatidão plantas, ervas e frutos da Ásia, principalmente da Índia, insistindo na premissa, que fundamenta o método experimental, da observação direta sobre o conhecimento da autoridade e na recolha tradicional, junto de boticários e médicos indianos, das suas propriedades terapêuticas e formas de aplicação. À época da publicação, Garcia da Orta estava já estabelecido na metrópole indiana há mais de 30 anos e era um elemento importante da comunidade administrativa portuguesa e local. 





A primeira parte da sua vida na Índia, acompanhando Martim Afonso de Sousa (c. 1500 – 1571), é passadas nas expedições militares para onde este é enviado e que aproveita para registar observações. Médico dos vice-reis e amigo dos príncipes locais, deverá ter ensinado no Real Hospital de Goa, instituição que é exemplar do progresso médico e do seu ensino. Os Colóquios remetem para esta experiência de vida, referindo notas etnográficas dos locais onde as plantas foram observadas e apontamentos literários de carácter auto-biográfico.

A publicação da obra em Goa, na tipografia ali existente no Colégio de S. Paulo dos jesuítas, que era inicialmente destinada à Etiópia, e em português poderia ter levado a obra para o caminho do esquecimento científico renascentista, onde proliferam outros textos nesta linha, embora de publicação posterior. É o caso de Cristovão da Costa (1525-1596), auto-denominado o Africano, que em 1572 publica uma obra muito próxima da de Garcia da Orta, em Burgos, ou de Nicolás Monardes que faz o mesmo, em 1569, para o mundo natural das Índias Ocidentais, ou Américas.

   Exemplar BND [aqui]   

Canela

Tamarindo
                                                            


                                                                   


O destino da 1ª edição dos Colóquios é determinado pelo acaso de um naturalista, Charles l’Ecluse (1526-1609), empreendendo “viagens de instrução” por vários países da Europa e, devido a estas, ter-se decidido a empreender expedições naturalistas que o trouxeram à Península Ibérica, onde se manteve durante algum tempo a ‘herborizar’, tendo contactado com a obra de Garcia da Orta em Lisboa, em 1564 ou 1565, resolveu traduzi-la para latim e publicá-la. Este empreendimento não correspondia a uma tradução direta da obra de Orta, mas sim a um resumo, um ‘Epítome’ desta, de onde desapareceram as marcas de coloquialidade e as digressões literárias. Também a sistematização a que sujeitou as observações e conclusões e a adição de imagens contribuíram para um acolhimento muito maior do texto por um público atento e curioso A 1ª edição é de 1569, tendo tido 5 edições nos anos seguintes:

Aromatum et simplicium aliquot medicamentorum apud Indos nascentium historia: Primum quidem Lusitanica língua per Dialogos conscripta, D. Garcia ab Horto, Proregis Indiae Medico, auctore Nunc vero Latino sermone in Epitomen contracta, & iconibus ad uiuum expressis, locupletioribusque, annotatiunculis illustrata a Carolo Clusio Atrebate.

A BA guarda na coleção de Cimélios a edição de 1579 (3ª edição) que reúne num volume portátil os 3 grandes nomes da investigação naturalista tropical, com as suas ligações à farmacopeia e terapêutica, em texto latino: Garcia de Orta (1. resumo dos Colóquios e 2. Anotações de l’Écluse aos mesmos) Cristovão da Costa e Nicolòs Monardes.

A obra de divulgação de Carolus Clusius, como era conhecido, com a publicação em latim de 3 textos ibéricos e, principalmente, o português de Goa, trouxe ao diálogo europeu uma concretização do novo método das ciências experimentais e que terá a sua sistematização no Novum Organon, de Francis Bacon e nas experiências físicas de Galileu sobre o movimento. O contributo da obra de Orta para o progresso da Ciência e a sua revolução no séc. XVII é inegável. A sua prática de vida e registo, uma enorme erudição e o pressuposto da procura da verdade na Natureza sobre a autoridade são marcas da modernidade que o renascimento imprimiu à criação de uma ciência que terá um novo paradigma nos 2 séculos seguintes. 

(...). Garcia da Horta estava de posse d'um methodo scientifico rigoroso e arvorava a observação em criterio infallivel nas sciencias naturaes. (…) emancipa-se do respeito pela auctoridade e a sua divisa é esta: eu vi. Tambem o meio em que vivia dava-lhe uma certa liberdade de pensar e de exprimir o seu pensamento. Em Hespanha – é elle que o diz – certamente não se atreveria a afirmar coisa alguma contra os /p. 281/ gregos e nomeadamente contra Galeno, (…). Não me ponhaes medo com eles, eu vi. [Nota: Coloquio IX, do benjuy, I, p. 105] – LEMOS, Maximiano, Historia da Medicina em Portugal. Doutinas e instituições. 2 vols. – Lisboa: Manoel Gomes, editor, MDCCCXCIX [1899] . Vol. I pp. 280-281 – BA 39-XI-72

   

Edição magna da obra de l'Écluse, publicada em 1605 em Antuérpia, com os textos por ele traduzidos.

E o primeiro destes livros da ciência natural impresso está escrito em português, publicado numa colónia longínqua do que era “o Orbe lusitano” na segunda metade de quinhentos, por um homem que encarnou a erudição e a vida aventurosa como premissas para a análise do mundo natural à sua volta, exemplar dos nossos navegadores, colonos e cronistas da Índia e do seu contributo para as novas fronteiras da ciência europeia que então se iniciava.

Para saber mais: 

Biografia (exemplar da BA 116-III-46)

Avaliação e contexto científico de época

Edição anotada e dirigida pelo conde de Ficalho: 

Colóquiosdos Simples e Drogas da Índia por Garcia da OrtaEdição publicada por deliberação da Academia Real das Sciencias de Lisboa. Conde de Ficalho, dir. e anot. Lisboa: Imprensa Nacional, 1981

BA 39-XI-70 

FG@BA

D. Isabel de Portugal (1503-1539): comemorações dos 500 anos do seu casamento com o Imperador Carlos V

Col. Museu Nacional de Arte Antiga

Filha de D. Manuel I e de D. Maria de Castela, filha dos Reis Católicos, D. Isabel nasceu a 24 de outubro de 1503, no Paço da Alcáçova, no Castelo de São Jorge. Considerada na época uma das mulheres mais belas e cultas da Europa, estava destinada, através do casamento com o primo Carlos V, a desempenhar um papel político de grande relevo, contribuindo para uma convivência harmoniosa entre Portugal e Espanha.

Casou por procuração em Almeirim, a 1 de novembro de 1525, e presencialmente em Sevilha, a 11 de março de 1526. Apesar de se tratar de um casamento arranjado, a união com Carlos V revelou‑se feliz e politicamente sólida. D. Isabel foi Rainha consorte de Espanha e Imperatriz consorte do Sacro Império Romano‑Germânico. Durante as frequentes ausências do marido, exerceu funções de regente da Monarquia Hispânica, nomeadamente entre 1529 e 1533, período em que revelou grande capacidade de governação.

Teve sete filhos, dos quais sobreviveram três: Filipe, futuro Filipe II de Espanha e I de Portugal; Maria de Áustria, imperatriz pelo casamento com Maximiliano II; e Joana de Áustria, mãe do rei D. Sebastião, fruto do seu casamento com D. João de Portugal, filho de D. João III.

A morte da imperatriz, que marcou profundamente Carlos V, ocorreu em Toledo, em 1539, na sequência de um parto mal‑sucedido. O seu corpo foi trasladado num cortejo fúnebre até à Capela Real de Granada, organizado e conduzido por Francisco de Borja y Aragón, IV Duque de Gandia e camareiro‑mor da imperatriz. À chegada, de acordo com o protocolo régio, o caixão foi aberto para reconhecimento do corpo. O estado avançado de decomposição, resultante dos vários dias de viagem, causou um forte impacto em Francisco de Borja, a quem a tradição atribui a frase: «Nunca volveré a servir a señor que se me pueda morir»Este episódio, decisivo na sua vida, levou-o a abandonar a corte e a ingressar, em 1546, após enviuvar, na Companhia de Jesus. Foi beatificado em 1624 por Urbano VIII e canonizado durante o pontificado de Clemente X.

A Biblioteca da Ajuda conserva, entre outros documentos de grande relevância histórica, a coleção Rerum Lusitanicarum, composta por 224 códices copiados em Roma, em 1744, por iniciativa do Comendador Manuel Pereira Sampaio, ministro de D. João V junto da Santa Sé. Esta vasta compilação reúne cópias de documentos relativos à história de Portugal e às suas relações com a Cúria Romana, provenientes da Biblioteca Vaticana e de outros arquivos romanos.

Entre os volumes VIII e LIX encontra‑se a subcoleção Symmicta Lusitanica, dedicada sobretudo à diplomacia portuguesa e à história dos seus monarcas. É neste conjunto que se preserva, no códice 46‑XI‑12 (vol. LVIII, tomo 51.º), a transcrição da bula de dispensa de parentesco, primos, concedida pelo Papa Clemente VII, documento indispensável para a celebração do casamento entre Carlos V e D. Isabel de Portugal. O original da bula encontra‑se registada no Archivio Apostolico Vaticano, no pontificado de Clemente VII (1523‑1534), ano de 1525, sendo o documento acessível no Arquivo Geral de Simancas [ver aqui]

Mais documentos da Biblioteca da Ajuda relativos a D. Isabel de Portugal [aqui]


Manuscritos fora da estante: Encontros com património | 11 de Maio 2026 | 15h00 | Biblioteca da Ajuda |

O ciclo de encontros “Manuscritos fora da estante – Encontros com Património” propõe uma aproximação académica a manuscritos notáveis, convidando o público a observá-los de perto explorando as suas histórias, materialidades e significados num diálogo aberto entre passado e presente.
A sessão inaugural, na Biblioteca da Ajuda, será orientada por especialistas como Elena Lombardo (FLUL/CLUL-Filologia), Joana Gomes (FLUP/IF) e Filipe Alves Moreira (UAb/IELT-UNL Polo UAb), que guiarão o público numa viagem de exploração dos seguintes manuscritos: o Cancioneiro da Ajuda e Livro de Linhagens do Conde D. Pedro; o códice 47-XIII-26 — o único manuscrito conhecido da Vida e Feitos delrey Dom João Segundo, de Garcia de Resende, anterior à edição de 1545; e o códice 51-IX-22 — que contém uma fonte inédita sobre a batalha de Alcácer-Quibir (1578).

Horário: 15h

Inscrições: O acesso é gratuito, limitado a 20 lugares. Para inscrições, preencha este formulário ou escreva um e-mail para manuscritos.fora.da.estante@gmail.com.



Dia Mundial da Poesia: Entre a Poesia e a Filosofia: Alexander Pope, Martha Blount e a Cultura Literária na Inglaterra do Século XVIII

Por ocasião do Dia Mundial da Poesia, celebrado a 21 de março de 2026, relembramos a criação poética enquanto forma de expressão artística cujo impacto transcende a esfera literária, influenciando de modo significativo a cultura e a sociedade. Neste contexto, no âmbito da tradição literária inglesa, evocamos Alexander Pope (1688–1744), cuja obra, marcada pelo rigor formal e pela crítica sagaz, constitui um dos mais notáveis exemplos do neoclassicismo inglês no século XVIII.

Col Icon. BA 827
Nascido em Londres a 21 de maio de 1688, Alexander Pope enfrentou desde a infância problemas de saúde que lhe deixaram sequelas físicas permanentes. Descendente de uma família católica num período de discriminação religiosa, viu-se impedido, devido à legislação anticatólica existente da época, de frequentar universidades como Oxford ou Cambridge, dedicando-se de forma autodidata ao estudo dos clássicos, particularmente de Homero, Virgílio e Horácio. Esta formação refletiu-se nas suas obras, caracterizadas pela mestria na sátira, pela precisão formal e pelo uso do verso heroico.

Autor do poema filosófico An Essay on Man, publicado em quatro epístolas (1733–1734), o poeta reflete sobre a condição humana, o papel do homem no universo e a relação de equilíbrio entre ordem e caos. É nessa mesma obra que surge a sua expressão “Hope springs eternal in the human breast” (An Essay on Man, epístola I, p. 56, linha 95),  que exprime a ideia de que a esperança é eterna no coração humano, numa observação sobre a constância da esperança como traço da natureza humana.

Ensaio sobre o homemepístola I, p. 56, linha 95

Apesar de uma relação tensa com o meio literário da época, Alexander Pope notabilizou-se ainda pela tradução da Ilíada de Homero e pela versão inglesa da Odisseia, realizada sob a sua direção com a colaboração de outros autores. 

Enquanto poeta, algumas das suas mais belas poesias são dedicadas a Martha Blount (1690-1762), figura ativa nos círculos literários da época, sua confidente, por quem desenvolve uma forte ligação.

Col Icon. BA 817
A natureza deste vínculo tem sido objeto de debate na historiografia literária, sendo geralmente caracterizada como uma relação de grande proximidade afetiva, sem consenso quanto à sua eventual dimensão amorosa. Ainda assim, Martha Blount foi uma das presenças mais constantes na vida do poeta. Demonstração do apreço que lhe dedicava foi o facto de lhe ter legado uma parte significativa dos seus bens, incluindo uma quantia monetária substancial e o usufruto de rendimentos provenientes da sua propriedade após a sua morte, em 1744.





A Biblioteca da Ajuda, para além dos retratos de Alexander Pope (registo BA 827) e de Martha Blount (registo BA 817), testemunhos iconográficos destas figuras da literatura e cultura do século XVIII, conserva no seu acervo a tradução para português da obra An Essay on Man, por Francisco Bento Maria Targini (1756-1827), Visconde de São Lourenço, tradutor e literato, que inclui uma dedicatória ao Rei D. João VI: 

Ensaio sobre o homem de Alexandre Pope / traduzido verso por verso por Francisco Bento Maria Targini, Baraõ de Saõ Lourenço... - Londres: na Officina Typographica de C. Whittingham, College House, Chiswick, 1819.

3 vols. - Dedicatória a D. João VI, com as armas reais.  No anterrosto gravura representando Francisco Maria Targini assin. «H.J. da Silva inv. et del.» ; «G. F. Queiroz sculp. em 1815». Gravura entre p. 31 e 32 representando Alexandre Pope assin.: «Jervas pinxit» ; «J. H. Robinson sculp.»

BA 62-VI-23 a 25



Gravuras de Francisco Maria Targini e Alexandre Pope

     

Relembrar a vida e obra do poeta Alexander Pope é, simultaneamente, compreender aspetos da cultura literária inglesa desta época, mas também de como as redes de relações humanas se entrelaçam na construção do património cultural.

Desafiamos os leitores a (re)descobrir a sua obra, refletindo sobre a intemporalidade dos seus textos e a sua relevância no contexto contemporâneo

TM&BA

Natal: Uma Alegoria à Maternidade

Oficio de la Virgen Maria                

                              

               

           Oficio de la Virgen Maria.... - Madrid: en la imprenta da Compañia, 1797. BA. 53-VI-1

A Biblioteca da Ajuda, herdeira da Real Biblioteca Particular, possui, no seu muito rico e diversificado acervo, um conjunto de obras com superlibros, marcas relevantes de anteriores proprietários, ou de ligação a encomendadores, ou patrocinadores das edições e que sinalizam as aquisições, doações, ou incorporações que ocorreram ao longo da sua história.

O exemplo que hoje apresentamos - Oficio de la Virgen Maria, livro de Horas, impresso em Madrid, em 1797, concentra toda a riqueza formal na encadernação cuidada, a marroquim vermelho gravado a seco e com ferros a ouro, enquadrando superlibros, com as iniciais "R" e "C" encimadas por coroa fechada, gravadas a ouro, uma na pasta anterior e outra na posterior, simbólica heráldica que nos remete para Carlos IV (1748-1819), rei de Espanha. Nada sabemos quanto à forma como a obra foi incorporada nas colecções da Biblioteca Real. No entanto, dadas as relações familiares próximas entre as duas casas reinantes, a de Espanha e a de Portugal, é provável que se tenha tratado de uma oferta do monarca espanhol a seus parentes da corte régia portuguesa. Quer a D. Maria I (1734-1816), sua prima direita, ou a sua filha D. Carlota Joaquina (1775-1830), à data da impressão do livro, Princesa do Brasil. 

Pastas, anterior e posterior, com as iniciais "R" e "C" encimadas por coroa fechada dentro de molduras com motivos vegetalistas, enquadradas por cercaduras com elementos florais, cantos, contra cantos e cortes dourados, num tipo de estilização  comum nas encadernações espanholas:

No Oficio, a entrada de cada episódio da Vida de Maria e de seu filho Jesus, é ilustrada com gravuras de autoria diversa, entre outros de Mariano Salvador Maella (1739 - Madrid 1819), pintor de Câmara do Rei Carlos IV, gravadas por Manuel Salvador Carmona, e ainda de autores, de menor relevo. De entre as imagens criteriosamente colocadas, introduzindo cada oração, destacamos a alusiva à Natividade que reflete a aprendizagem de Maella no ambiente artístico romano, prévia à sua nomeação como pintor da corte régia de Espanha.

A imagem de Jesus Menino, nas palhinhas, debaixo do olhar enlevado de sua Mãe, e da presença protectora de S. José, rodeado de pastores, e de animais domésticos, encimada por anjos celestiais que iluminam a cena, de invenção de Maella, replica a tradição milenar, de colocar Jesus entre os mais humildes, iconografia que prossegue com várias declinações ao longo dos séculos e que Maella reproduz a partir dos autores do barroco italiano, nas obras dos quais o artista se deixara influenciar. Imagens que são o reflexo do seu périplo de aprendizagem romano e da sua presença activa junto de Anton Raphael Mengs (1728-1779), pintor-académico que Carlos III (1716-1788) chamara para a Corte de Madrid, aí divulgando o gosto pela estética classicista romana.

Este livro do acervo da BA, para além de testemunho dos laços familiares, artísticos e estéticos que uniam as duas monarquias ibéricas e que se reflecte nas obras de arte que possuíam e nas que ofereciam com o objectivo de reforçar alianças políticas e afectivas, algumas das quais enriquecem as colecções patrimoniais nacionais, é ainda a expressão da matriz ideológica e imagética partilhada pelo Sul Católico. 

MMB@BA