Informa-se que amanhã dia 5 de Abril, por motivo de desinfestação da ala norte do Palácio da Ajuda, a Biblioteca da Ajuda encerra o serviço de leitura.
O horário habitual é retomado no dia 9 de Abril.
Agradecemos a compreensão.
A Coordenadora
A Biblioteca da Ajuda é uma das mais antigas Bibliotecas de Portugal caracterizando-se, pela natureza e riqueza dos seus fundos, como uma Biblioteca Patrimonial que tem por objecto a conservação, estudo e divulgação do seu acervo documental
AVISO
Informa-se que a Biblioteca da Ajuda, encerra o serviço de leitura nos dia 8 de Abril, devido, à preparação e realização do Seminário: Camões na Biblioteca da Ajuda , que terá lugar nas suas instalações.
O horário habitual é retomado no dia 9 de Abril.
Agradecemos a compreensão.
A Coordenadora
O horário habitual é retomado no dia 9 de Abril.
Agradecemos a compreensão.
A Coordenadora
Obras recebidas na Biblioteca da Ajuda:

Portuguese StudiesIn Medieval Mode: Collected Essays in Honour of Stephen Parkinson on his RetirementModern Humanities Research Association
Vol. 31, No. 2, 2015
Inclui:
André B. Penafiel. “Early Modern Marginalia in the Cancioneiro Da Ajuda.” Portuguese Studies, vol. 31, no. 2, 2015, pp. 183–194. JSTOR, [aqui]
Obras recebidas na Biblioteca da Ajuda:
Iluminação da Casa Real Portuguesa :
os candeeiros do Palácio Nacional da Ajuda / António Cota Fevereiro ; pref. José
Alberto Ribeiro. - Oeiras
: Mazu Press, cop. 2018. – 192 [2]p. : il. ; 23 cm [Oferta do Autor]
Este livro é um detalhado e pioneiro estudo sobre os sistemas de iluminação - novecentistas, a óleo vegetal, petróleo, etc. - da Casa Real Portuguesa.
O autor começa por apresentar as inovações tecnológicas do século XIX, para depois conduzir o leitor numa rebuscada visita ao rico espólio do Palácio Nacional da Ajuda. É uma oportunidade de excelência para conhecer as peças não expostas desta colecção do Património Português.
No final do século XVIII desenvolveram-se sofisticados mecanismos em torno da iluminação a óleo vegetal. Estes foram os primeiros passos para o rápido desenvolvimento deste tipo de luminosidade, posteriormente seguido pelo gás, petróleo e eletricidade. Estes sistemas com intensidade de luz superior às tradicionais alteraram hábitos e vivências no interior da habitação.
Esta evolução está patente no acervo de luminária do Palácio Nacional da Ajuda, sendo alguns exemplares de importantes manufaturas europeias e americanas, relevantes para a história da iluminação e do design. Mas é sobretudo um espólio único no mundo por ter pertencido a uma casa reinante europeia, por estar quase completo, pela qualidade diversificada dos exemplares e por expressarem os grandes avanços tecnológicos do século XIX, entre outras particularidades.
Obra é valorizada com cerca de uma centena de ilustrações e diversos anexos documentais, como glossário, manufacturas e individualidades, totalmente inéditos.
António Cota Fevereiro (n. 1978) é arquiteto e investigador. É mestre em arquitetura pela Universidade Lusíada de Lisboa, onde defendeu em 2011 a tese Álvaro Augusto Machado, José António Jorge Pinto e o Movimento Arte Nova em Portugal.
Tem vindo a desenvolver trabalhos em torno da arquitetura do século XIX e início do século XX, dedicando-se, em particular, ao estudo da volumetria e da espacialidade da Arte Nova portuguesa, da azulejaria e das artes decorativas. Em torno destes trabalhos enveredou pelo levantamento de biografias, complementando assim lacunas e notas biográficas de projetistas, de artistas e de individualidades relevantes para a história da arte em Portugal. Recentemente dedicou-se à biografia e à arquitetura de estrangeiros na ilha de São Miguel, no século XVIII e início do século XIX, que estiveram ligados ao comércio da laranja. Nestes trabalhos tem levantado documentação inédita e que tem vindo a ser publicada em vários artigos.
No ano de 2015 deu início ao estudo aprofundado dos candeeiros da Casa Real, cujo primeiro resultado agora se dá à estampa. O trabalho ainda está em curso, sendo o tema da tese de doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Este livro é um detalhado e pioneiro estudo sobre os sistemas de iluminação - novecentistas, a óleo vegetal, petróleo, etc. - da Casa Real Portuguesa. O autor começa por apresentar as inovações tecnológicas do século XIX, para depois conduzir o leitor numa rebuscada visita ao rico espólio do Palácio Nacional da Ajuda. É uma oportunidade de excelência para conhecer as peças não expostas desta colecção do Património Português.
No final do século XVIII desenvolveram-se sofisticados mecanismos em torno da iluminação a óleo vegetal. Estes foram os primeiros passos para o rápido desenvolvimento deste tipo de luminosidade, posteriormente seguido pelo gás, petróleo e eletricidade. Estes sistemas com intensidade de luz superior às tradicionais alteraram hábitos e vivências no interior da habitação.
Esta evolução está patente no acervo de luminária do Palácio Nacional da Ajuda, sendo alguns exemplares de importantes manufaturas europeias e americanas, relevantes para a história da iluminação e do design. Mas é sobretudo um espólio único no mundo por ter pertencido a uma casa reinante europeia, por estar quase completo, pela qualidade diversificada dos exemplares e por expressarem os grandes avanços tecnológicos do século XIX, entre outras particularidades.
Obra é valorizada com cerca de uma centena de ilustrações e diversos anexos documentais, como glossário, manufacturas e individualidades, totalmente inéditos.
António Cota Fevereiro (n. 1978) é arquiteto e investigador. É mestre em arquitetura pela Universidade Lusíada de Lisboa, onde defendeu em 2011 a tese Álvaro Augusto Machado, José António Jorge Pinto e o Movimento Arte Nova em Portugal.
Tem vindo a desenvolver trabalhos em torno da arquitetura do século XIX e início do século XX, dedicando-se, em particular, ao estudo da volumetria e da espacialidade da Arte Nova portuguesa, da azulejaria e das artes decorativas. Em torno destes trabalhos enveredou pelo levantamento de biografias, complementando assim lacunas e notas biográficas de projetistas, de artistas e de individualidades relevantes para a história da arte em Portugal. Recentemente dedicou-se à biografia e à arquitetura de estrangeiros na ilha de São Miguel, no século XVIII e início do século XIX, que estiveram ligados ao comércio da laranja. Nestes trabalhos tem levantado documentação inédita e que tem vindo a ser publicada em vários artigos.
No ano de 2015 deu início ao estudo aprofundado dos candeeiros da Casa Real, cujo primeiro resultado agora se dá à estampa. O trabalho ainda está em curso, sendo o tema da tese de doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Manuel de Gusmão distinguido com medalha de Mérito Cultural
Decorre amanhã, dia 5 de Fevereiro às 15h00, na Biblioteca da Ajuda, com a presença da Ministra da Cultura, a cerimónia de entrega da condecoração de Mérito cultural ao poeta e ensaísta Manuel Gusmão.
D. Henrique, Cardeal-Rei

Nasce a 31 de Janeiro de 1512 e morre, curiosamente, a 31 de Janeiro, de 1580, com 68 anos; está sepultado no Mosteiro dos Jerónimos.
Filho de D. Manuel
I e D. Maria de Aragão e Castela.
Regente, em nome de D. Sebastião, seu sobrinho, de 1562 a 1568.
Regente, em nome de D. Sebastião, seu sobrinho, de 1562 a 1568.
Rei, de 4 de Agosto
de 1578 a 31 de Janeiro de 1580
Cognome, o Casto
Títulos: Arcebispo
de Braga, Arcebispo de Évora, Arcebispo de Lisboa, Inquisidor-mor e Cardeal de
Portugal
A Biblioteca da Ajuda tem no seu acervo um códice — cartas e papéis de Lourenço Pires de Távora, para diversas individualidades — do qual destacamos o doc., abaixo, com os “conselhos” que o Embaixador Pires de Távora fez chegar ao Cardeal D. Henrique pela altura em que assumiu a regência de Portugal, durante a menoridade de D. Sebastião.
A Biblioteca da Ajuda tem no seu acervo um códice — cartas e papéis de Lourenço Pires de Távora, para diversas individualidades — do qual destacamos o doc., abaixo, com os “conselhos” que o Embaixador Pires de Távora fez chegar ao Cardeal D. Henrique pela altura em que assumiu a regência de Portugal, durante a menoridade de D. Sebastião.
[c. 1562]
Papel que Lourenço Pires de Távora, embaixador que foi de Alemanha e de Roma, deu ao Cardeal D. Henrique quando tomou o governo por El-Rei D. Sebastião seu sobrinho.
Papel que Lourenço Pires de Távora, embaixador que foi de Alemanha e de Roma, deu ao Cardeal D. Henrique quando tomou o governo por El-Rei D. Sebastião seu sobrinho.
BA - 49-IX-38, fls. 1-7v
AVISO
Informamos que, devido à preparação e realização de um evento oficial nesta Biblioteca, a leitura estará encerrada na próxima terça-feira, 5 de Fevereiro.
O horário regular será retomado no dia 6 de Fevereiro (quarta-feira).
O horário regular será retomado no dia 6 de Fevereiro (quarta-feira).
Agradecendo a compreensão dos leitores,
Dia da Conversão de S. Paulo
No dia da conversão do chamado Apóstolo dos gentios, celebrado hoje dia 25 de
Janeiro, a Biblioteca da Ajuda apresenta um dos seus manuscritos iluminados:
Epístolas de S. Paulo: BA 52-XII-34
Códice em pergaminho, manuscrito e iluminado. Texto em latim, bicolor. Letra francesa. Glosas marginais em encarnado. Capitulares iluminadas. Nove iluminuras representando cenas de vida de S. Paulo, com cercaduras ornamentadas a cores, ouro e prata com elementos vegetalistas, animais e seres fantásticos.
200 x 125 mm, [80] fls.
Desconhece-se o modo como o códice das “Epístolas de S. Paulo”
chegou à Biblioteca da Ajuda, tendo o livro uma anotação manuscrita no interior
da contracapa com data de 20 de Novembro de 1722 [1722 Nov 20].
A autoria das iluminuras, desconhecida, poderia ser atribuída a Jean Bourdichon (Tours, c. 1457 – 1521) pelas semelhanças com algumas das suas obras
[cf. Paul Getty Museum ].
Encadernação, inteira de pele (vermelha), com super-libros e monograma, em ambas as pastas, de Philippe de Béthune (1565-1649). É composto pelo brasão da família circulado pelo colar
da Ordem do Espirito Santo, da qual foi nomeado cavaleiro a 31 de Dezembro de
1619. Nos cantos e na lombada, encontra-se repetido o monograma composto por
dois "PP" (Philippe), encimados por coroa de conde e circulados por
duas palmas. Na lombada aparece o título gravado a ouro “Epistri de S. Pauli”.
Philippe de Béthune, foi embaixador de França em diversos territórios
europeus, nomeadamente, Escócia, Saboia e Alemanha. Têm especial destaque os
seus anos como diplomata em Roma, entre 1601 e 1605. Colecionador de arte, é
famosa a sua colecção de pinturas, esculturas e manuscritos históricos, com
especial relevância para o conjunto de livros de horas. A sua biblioteca foi
oferecida a Luís XIV, sendo actualmente uma das joias do Gabinete de
Manuscritos e Estampas da Biblioteca Nacional de França.

Um dos seus principais objectivos foi a evangelização dos povos pagãos, daí ser conhecido como Apóstolo dos gentios. É considerado como um dos maiores pensadores da História do Cristianismo. S. Paulo morre em Roma, decapitado, à roda de 67 e 68 D.C.
Mais:
Le Cabinet des manuscrits de la Bibliothèque impériale / Léopold Victor Delisle , Volume 1 p. 266-268
Philippe de Béthune (1565-1649) [aqui]
Códice em pergaminho, manuscrito e iluminado. Texto em latim, bicolor. Letra francesa. Glosas marginais em encarnado. Capitulares iluminadas. Nove iluminuras representando cenas de vida de S. Paulo, com cercaduras ornamentadas a cores, ouro e prata com elementos vegetalistas, animais e seres fantásticos.
200 x 125 mm, [80] fls.
Encadernação, inteira de pele (vermelha), com super-libros e monograma, em ambas as pastas, de Philippe de Béthune (1565-1649). É composto pelo brasão da família circulado pelo colar
da Ordem do Espirito Santo, da qual foi nomeado cavaleiro a 31 de Dezembro de
1619. Nos cantos e na lombada, encontra-se repetido o monograma composto por
dois "PP" (Philippe), encimados por coroa de conde e circulados por
duas palmas. Na lombada aparece o título gravado a ouro “Epistri de S. Pauli”.
Em seis das
iluminuras, na cercadura, aparece um brasão acompanhado da divisa “Non plus” e
de um báculo.
O brasão
pertence à família Saint-Gelais (Lusignan) [cf. aqui], com uma pequena
variação em relação à parte do brasão pertencente à Família Lusignan. A divisa
“Non plus” era utilizada por um dos membros mais conhecidos desta família, o
tradutor, poeta e bispo de Angoulême Octavien de Saint-Gelais (Cognac,
1468-1502). Foi autor de traduções em verso da Eneida de Virgílio,
das comédias de Terêncio e de uma Heroide de Ovídio. Outras obras apareceram sob
sua autoria, após a sua morte, como a Caça ou a Partida de Amor (1509),
ou a Estada de honra (1519). O poeta e músico Mellin de Saint-Gelais é
seu sobrinho ou filho natural. Tornou-se bispo de Angoulême em 1494, pelo que o
brasão com o báculo tem que pertencer a este período
O Códice contém nove das catorze epístolas de S. Paulo, considerado um dos
textos mais importantes do Novo Testamento:
Epístola de S. Paulo aos Colossenses (fl. 9v a fl. 17v)
Primeira epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses (fl. 17v a fl. 25v)
Segunda epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses (fl. 25v a fl. 30v)
Primeira epístola de S. Paulo a Timóteo (fl. 30v a fl. 40)
Segunda epístola de S. Paulo a Timóteo (fl. 40 a fl. 47)

Epístola de S. Paulo a Tito (fl. 47 a fl. 51v)
Epístola de S. Paulo a Filémon (fl. 51v a fl. 54v)
Epístola de S. Paulo aos Hebreus (fl. 54v a fl. 80v)
S. Paulo, com nome de nascimento Saulo, nasceu em Tarso, na Cilícia, actual
Turquia (c. 3 – c. 66). Filho de Judeus, nasceu cidadão romano privilégio
atribuído a seus pais.
Estudou em Jerusalém tendo sido discípulo do rabino Gamaliel. Fiel às
Tradições Judaicas, considerava os discípulos de Jesus traidores dessa religião
razão pela qual os perseguia. A caminho de Damasco (Síria), teve uma visão que
redundou na sua conversão ao Cristianismo. Transformando por completo a sua
vida começou a pregar e a dar testemunho de Jesus, como Filho de Deus.
Um dos seus principais objectivos foi a evangelização dos povos pagãos, daí ser conhecido como Apóstolo dos gentios. É considerado como um dos maiores pensadores da História do Cristianismo. S. Paulo morre em Roma, decapitado, à roda de 67 e 68 D.C.
Mais:
Le Cabinet des manuscrits de la Bibliothèque impériale / Léopold Victor Delisle , Volume 1 p. 266-268
Philippe de Béthune (1565-1649) [aqui]
O Dia da Escrita à Mão - 23 de Janeiro de 2019
A
propósito da data, que se assinala esta quarta-feira, a Biblioteca da Ajuda
deixa vários exemplos de manuscritos (do latim manu = mãos e scriptus = escrever),
que poderão ainda, e dependendo de características próprias, ser classificados
de autógrafos — escrito pela mão do autor ou iluminados — com adornos vários (nas letras, miniaturas, bordas...) que irão conferir uma
beleza suplementar às letras que compõem o texto.
MANUSCRITOS AUTÓGRAFOS:

Viena
de Áustria 14 de Julho de 1745
Carta
de Sebastião José de Carvalho eMelo, para o Comendador Manuel Pereira de Sampaio Ministro Plenipotenciário de
Dom João V em Roma [1691-1750], a dar notícias da sua chegada a Viena
BA.
51-XIII-24, n.º 1; Autógrafo
BA. 49-III-70
Historia de Alexandre Magno da Macedónia, por Quinto Cúrcio Rufo.Tradução portuguesa da tradução italiana de Pedro Candido [Pier Candido Decembrio].
Dedicada ao Duque de Milão e de Pavia, Filipe Maria [Filippo Maria Visconti.].
BA – 52-XIII-24 (pergaminho)
[Régime du Corps] / [Aldobrandino da Siena = Allebrant de Florence]
[Manuscrito,
[1356]. - 138, [28], [2] f. : 27 lin. ; velino, il. color ; 280x200 mm. - Enc. de pele, com ferros gravados a ouro.
BA 52-XIII-26 [digit. aqui]
Fol.
1: capital ornamentada a cores e ouro, iluminura com a representação da Criação
do Mundo e cercadura ornamentada com motivos estilizados de flora e fauna, com
brasão de armas na tarja inferior; ao longo do texto iniciais iluminadas,
historiadas e ornamentadas com flores e animais.
No último fl., com letra
diferente "Cest la [sic] liure que fu fait et compile par maistre Allebr
nt [sic] de florente a la requeste de la Contesse de prouence [Beatriz de
Sabóia, 1200-1266] qui estoit la meere de la Royne de france de la Royne dalmayn
de la Royne dangleterre et la contesse danjou Et fuitcompile en lan mil
cccbj.".Subsídios para a História da Biblioteca da Ajuda: O reinado de D. Miguel (1828-1834): Parte II
Damos, neste artigo, continuidade à divulgação de informação
relativa à História da Biblioteca da Ajuda, com especial ênfase para o período
relativo ao reinado de D. Miguel (1828-1834).[BA. 131/132-H-30, p. 175]
Nas primeiras décadas do século XIX, aquando do regresso da
Família Real do Brasil, a Real Biblioteca da Ajuda encontrava-se depauperada de
obras relevantes, e longe do esplendor com que deveria ser “mantida e
conservada (…) a Real Bibliotheca Particular”, segundo se lia no diploma
assinado pelo Conde de Basto [1],
em nome do Rei, datado de 6 de Fevereiro de 1832 e publicado na Gazeta de Lisboa, nº 36, desse mesmo
ano. A principal causa desse empobrecimento fora o envio para o Brasil dos
livros que anteriormente a compunham. O objectivo de inverter a situação
motivou um conjunto de iniciativas de que aquele diploma, não sendo o primeiro,
era um testemunho.
O envio dos duplicados
da Biblioteca Pública para a Biblioteca de Sua Magestade no Real Paço da Ajuda. Ainda no reinado de D. João VI,
pelo diploma de 30 de Dezembro de 1824, determinara-se que fossem “remetidos à
Bibliotheca Pública, de qualquer Officina Typografica, hum Exemplar de todo o
Escripto que se imprimir nestes Reinos”, configurando o que se viria a designar
como “depósito legal” [2].
A esta medida, que visava essencialmente o enriquecimento da Biblioteca
Pública, sucedeu outra, de especial alcance, que estabelecia, pelo Aviso régio
de 5 de Novembro de 1825, que da Real Biblioteca Pública fosse enviado para a
Real Biblioteca Particular “um exemplar de todas as obras que houver
duplicados, entrando” naquele número “o Risco do Edifício da Batalha, e um
exemplar de todas as obras dos Authores Classicos Gregos, Romanos e Portuguezes” [3],
conforme se podia ler naquele documento. O propósito daquela disposição régia era o de promover a dignificação e o enriquecimento de uma instituição tão relevante não só para a ilustração, como para a representação das pessoas reais, como era a Real Biblioteca Particular, assim então denominada a livraria do Paço da Ajuda. Outra das medidas empreendidas, com o mesmo desígnio, traduziu-se no confisco das Bibliotecas dos opositores políticos, os “banidos”, “reos ausentes”, isto é, os liberais, opositores do governo “legitimista” de D. Miguel.
As bibliotecas integradas na Real Biblioteca
Particular em consequência do “banimento” dos seus proprietários. Os
catálogos manuscritos datados de 1831, que se encontram na secção dos
manuscritos da Biblioteca da Ajuda, apontam para a incorporação de diversas
livrarias, na então Real Biblioteca Particular. Umas, em resultado de doações,
como as da Princesa Maria Francisca Benedita (1774-1833) [4],
e da Imperatriz-Rainha D. Carlota Joaquina de Bourbon (1775-1830) [5] ,
ou as de Francisco Maria Angelleli [6] ,
e de Joaquim de Sá Braga [7] ;
outras, em consequência do confisco, determinado pelo governo miguelista, sobre
a propriedade de algumas das principais figuras, emigradas, do movimento
liberal. Relacionadas com estas, acham-se os catálogos manuscritos das
livrarias de Cândido José Xavier, constituída por 389 livros [8] ,
do “Conde de S. Paio”, contemplando 784 livros e a do Conde de Vila-Flor, com
851 livros [9],
bem como alguma documentação avulsa inserta na pasta, do arquivo interno, relativa à gerência de José
Manuel Abreu Lima (1825-1834)[10] .
A consulta do “Acordão
da Alçada do Porto contra os Réos Ex Marquez de Palmella e outros em 1829” [11],
elucida-nos sobre a condenação a que foram sujeitos, naquele ano, os “réos
ausentes”, de entre os quais se destacava o então “Marquez de Palmella”, caracterizado
como “maligno e insidioso chefe”, que transformara o palácio da Legação Portuguesa
em Londres, em “infame e vergonhosa officina de conspirações”. De acordo com a
“Devassa e Appensos”, eram os réus “impelidos pelo iniquo e implacável odio”
que votavam ao senhor D. Miguel, o que os levara a que, vendo “talvez o próximo
castigo de seus insidiosos procedimentos”, terem saído “precipitada ou
clandestinamente destes Reinos, com diversos pretextos, mas com a premeditada
malicia de inculcar ás nações estrangeiras a existência de huma perseguição
iminente”. Assim se descrevia o intento daqueles opositores políticos, no
mencionado Acordão.
Eram então citados como “réos ausentes”, o “Marquez de
Palmella D. Pedro de Sousa e Holstein [12],
Conde de Sampayo Manoel Antonio de Sampayo Mello e Castro Torres e Luzignano [13],
Conde de Villa Flor Antonio José de Souza Manoel de Menezes Severim de Noronha [14],
Conde de Calhariz D. Alexandre Domingos de Souza e Holstein [15],
Conde da Taipa D. Gastão da Camara [16],
João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun[17]
que foi Marechal de Campo graduado, Cândido José Xavier que foi Tenente Coronel
do Exercito (…)”, entre outras personalidades.
Este documento permite-nos estabelecer uma relação entre os
condenados pela sentença de 11 de Setembro de 1829 e algumas Livrarias
incorporadas na Real Biblioteca Particular, cujos catálogos atrás mencionámos.
O acórdão ao citar cada um dos acusados do “crime de Lesa Magestade”, de
rebelião e dissidência, abria o caminho ao confisco das propriedades daqueles
sentenciados. Ausentes do Reino, “banidos” de suas prerrogativas, os acusados
deixavam à mercê da Justiça os meios de os sujeitar a sanções.

E o confisco de seus bens, de entre os quais as Livrarias
particulares, foi uma das penas infligidas, como prova a documentação existente
na Biblioteca da Ajuda. O caso da Livraria do futuro Marquês de Sampaio é
exemplar. Em uns folios, não datados, do Arquivo Interno da BA, a que já
aludimos, relativos a uma lista de livros, o seu proprietário é identificado
como “desembargador, banido, Sampaio”[18].
No catálogo, datado de 1831, da “Livraria do Conde de São-Paio”[19],
são inventariadas 784 obras dos séculos XVI-XIX, nacionais e estrangeiras,
sobre temática variada.
Outro catálogo, existente na mesma
secção de manuscritos da BA, refere-se à Livraria de Cândido José Xavier [Dias
da Silva] 1769-1833, (Cod. 51-XIII-1),
destacado liberal, “Tenente Coronel do Exército”, conforme o Acordão de 1829[20],
condenado à morte por traição, e que foi, posteriormente, secretário particular
de D. Pedro IV. Datado de 1831, inclui 389 obras dos séculos XVII-XIX, nacionais e estrangeiras,
predominantemente sobre engenharia e assuntos militares. Na contracapa, a lápis, podemos ler “vide catalogo de 1829 desta
Livraria organizado em 1829 por ocasião do confisco (secretaria)”.
Ainda relacionado com esta temática dos confiscos das livrarias
dos exilados liberais encontramos, em pasta do Arquivo interno[21], a referência à Livraria do Conde de
Linhares, em 1832, sendo o auto de entrega redigido nos seguintes termos - “O
Solicitador do Real Fisco dos Auzentes do Reyno faz entrega na Real Bibliotheca
de Nossa Senhora da Ajuda ao Bibliothecario Mor o Ill.mo Padre Joze Manoel de
Abreu e Lima de sessenta e dois caixotes de livros constantes do Cathalogo que
os acompanha pertencentes a Livraria do Ex.mo
Auzente Conde de Linhares [22]
em que se manda remeter para a ditta Bibliotheca, e polla autorização que o
mesmo teve por Acordão da Rellação de q. cobrara recibo da ditta entrega para
se juntar aos Autos Respectivos. Lx.ª 14 de Fevereiro de 1832. O Soll.or Ant.
M.el Cae.to Cª e S.ª ”.
Segue relação completa - “Relação dos Livros da Livraria do
Ex.mo Conde de Linhares entregues na Real Bibliotheca de Sua Magestade”.
Alguns bilhetes manuscritos antigos constituem outra fonte
importante para o estudo desta temática. Em alguns foi possível encontrar títulos
e apelidos relacionáveis com estas figuras de proa do movimento liberal, cujas
livrarias foram então arroladas.
A eventual devolução das mesmas após 1834, com a instituição do Regime Constitucional, não impede a localização, na
Biblioteca da Ajuda, de obras referenciadas quer nestes mesmos inventários,
quer nas citadas fichas manuscritas. A leitura da relação dos implicados na Alçada de Outubro de 1829, faz-nos concluir serem as fichas, cuja proveniência se reporta a “Calhar.”, relacionadas com a eventual proveniência de obras da Casa do Calhariz, em Sesimbra, por ser D. Pedro de Sousa e Holstein o 13º administrador do morgado do Calhariz, já que o seu filho, 1º conde de Calhariz, D. Alexandre Domingos de Souza e Holstein (1812-1832), morre com 20 anos, em Ponta Delgada, no decurso das manobras das forças liberais contra o regime absolutista, não tendo chegado a ter casa própria.
A não localização de obras levara-nos, em anterior texto, a equacionar a possibilidade de, com a instituição do Regime Constitucional, ter ocorrido a devolução da totalidade dos livros anteriormente confiscados. No entanto, recentes descobertas, fazem-nos pôr de parte tal cenário.
A referência a estas obras será tema de próximo artigo.
Mafalda Magalhães Barros (...)
[1]José António de Oliveira Leite de Barros (1749-1833), Conde de Basto pelo Decreto de D. Miguel de 12 de Janeiro de 1829, foi Ministro do Reino durante os reinados de D. João VI e D. Miguel.
[2] Idem, Idem.
[3] Ribeiro, José Silvestre, Apontamentos Históricos sobre Bibliotecas Portuguesas (...). Universidade de Coimbra, 1914. [Aqui]
[4] BA. 51-XIII-3
[5] BA. 51-XIII-7
[6] BA. 51-XIII-6
[7] BA. 51-XIII-2
[8] BA. 51-XIII-1
[9] BA. 51-XIII-5
[10] Pasta, arquivo interno, da Gerência de José Manuel Abreu Lima (1825-1834).
[11] BA. 97-V-23 (28).
[12] D. Pedro de Sousa e Holstein, (1781-1850), 13º administrador do morgado do Calhariz, entre outros títulos, foi 1º Conde (11-04-1812), 1º Marquês de Palmela e feito Conde de Calhariz o seu primogénito (03-06-1825), 1º Duque de Palmela (04-04-1833). Diz F. Bonifácio que “não havia lugar
para ele no Portugal de D. Miguel, que de resto já lhe confiscara os bens”, Memórias do Duque de Palmela, D. Quixote, 2011, pag.36.
[13] 2º Conde e 1º Marquês de Sampaio, (1762-1841). Tomou parte activa na primeira tentativa de conquista da Terceira, sendo julgado e condenado à morte, por sentença a 9 de Abril de 1829, a sua família vê os bens sequestrados. Viveu o tempo de exílio na Bélgica, sendo nomeado por Rei D. Pedro IV como mordomo-mor da jovem Rainha D. Maria II. Exerceu este cargo até à sua morte.
[14] 7º Conde, 1º Marquês de Vila Flor e 1º Duque da Terceira, (1792-1860).
[15] 1º Conde de Calhariz, D. Alexandre de Sousa e Holstein (Cádis 1812- Ponta Delgada 1832).
[16] D. Gastão da Câmara Coutinho Pereira de Sande (1794-1866), 1º Conde da Taipa, em 1823.
[17] Futuro 1º Duque de Saldanha, (1790-1876).
[18] BA Arquivo interno ms. pastas D 288 e D 291. Sebastião José de São Payo de Melo e Castro, segundo filho do 1.º Conde de São-Paio. Vid. Marquês de São-Paio. Para a História dos "Setembrizados": O Desembargador Sebastião José de São-Paio, in: Anais da Academia Portuguesa da História, II série, vol. 17. - Lisboa, 1968 (BA 215-VIII-28).
[19] BA. 51-XIII-4
[20] BA. 97-V-23 (28).
[21] In Pasta da Gerência de José Manuel Abreu Lima (1825-1834). Doc.s avulsos sem catalogação Cofre BA.
[22] D. Vitório Maria Francisco de Sousa Coutinho (1790-1857), 2º Conde de Linhares. Era cunhado do Duque de Palmela, D. Pedro de Sousa e Holstein.
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