Dia Mundial da Música 2019

A colecção de música da Biblioteca da Ajuda (I)

A Biblioteca da Ajuda evoca o Dia Mundial da Música lembrando a estreita relação da família real portuguesa com esta arte e o espólio que essa 'intimidade' produziu e se materializa no fundo musical à guarda desta Biblioteca.

Desde a maestria técnica na composição atribuída a D. João IV, e de que há exemplos na coleção da BA, os manuscritos musicais – partituras gerais ou partes musicais – 'falam' principalmente da última dinastia reinante e dão cor ao esboço das suas vidas construído com as palavras das muitas páginas da documentação paralela. Assim, e apenas olhando para os locais de execução e eventos que as peças celebram há uma geografia dos tempos de lazer das pessoas reais que foi variando de D. João V a D. Carlos I, bem como, expressam a atenção dada à música na educação dos infantes, sobremaneira visível no legado musical de D. Luís.


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O patrocínio de D. João V à Patriarcal, Mafra e outras capelas reais de grande dimensão e o de D. José ao Teatro do Paço da Ribeira fez entrar de forma decisiva o modelo italiano em Portugal, mantendo-se a composição lírica 'sustentada' por comerciantes, a par dos promovidos e sustentados pelo real erário, animando espaços icónicos em Lisboa: o Teatro da Rua dos Condes e o do Salitre, a par do de S. Carlos (1790), a grande sala de espectáculos operáticos de Lisboa e que se manteve como tal até ao fim da monarquia.
Integrando compositores famosos ou menos conhecidos, originais e arranjos de obras europeias de enorme alcance por compositores e libretistas portugueses, a colecção de música manuscrita da BA integra mais de 5.000 peças, descritas no "Catálogo de música manuscrita" (1967-8) e no catálogo da exposição "Flores de Música" (1973), organizadas em 4 grandes espólios: 1) o arquivo musical dos serenins reais – as peças de géneros múltiplos associadas às vivências da família real, as provenientes das capelas reais, e outras sacras e profanas dos sécs. XVII e XVIII, principalmente; 2) o espólio musical de D. Luís I: composições do próprio ou ofertas, destacando-se não só o conteúdo autógrafo de muitas mas também as encadernações de aparato e dedicadas que as revestem. Principalmente peças do séc. XIX; 3) espólios particulares: do maestro João Machado Gonçalves e do cantor da Sé Catedral de Lisboa, José Avelino da Gama Carvalho, ambos algarvios e principalmente do séc. XX; 4) composições avulsas: entradas por oferta ou compra, são documentos patrimoniais importantes para o "arquivo musical português". Com datas extremas entre os séculos XI a XX, partituras integrais, excertos ou 'partes de orquestra', formalmente variadas – para canto ou instrumentação, por ex. -, publica e faustosamente apresentadas, inéditas ou com 1 única representação no local e ocasião que ditaram a sua composição, a variedade do conteúdo e da forma é apenas o indício físico/material da importância que lhe foi dada pela Família Real.



Catálogo de música manuscrita / Maria Mariana Machado dos Santos, 1967-8, 9 vols, Lisboa: M.E.N. / Biblioteca da Ajuda









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