AVISO

Devido à realização de actividade do Ministério da Culturaa Biblioteca da Ajuda estará encerrada, à leitura, no dia 5 de Fevereiro (quarta-feira), até às 13h00. 

      Pedimos desculpa por eventuais transtornos



O manuscrito “Tercera Division, Cuadros adjudicados a la Serenissima Señora Infanta de España Dona Carlota Joaquina de Borbon, Reyna Viuda de Portugal, por la Testamanaria de los Señores Reyes Padres, en el año de 1826”. Das colecções reais aos museus públicos:


Em janeiro de 1819, morriam Maria Luísa de Parma (1751-1819), no dia 2, no Palazzo Barberini, em Roma, e o seu marido, Carlos IV de Bourbon (1748-1819), no dia 19, em Nápoles. 

PNA, inv. 41367
Quis a fortuna que a filha dos monarcas espanhóis,D. Carlota Joaquina de Bourbon (1775-1830), morresse nesse mesmo mês, no dia 7, onze anos depois.

As reminiscências destes factos no acervo da Biblioteca da Ajuda, ou nas colecções do Palácio da Ajuda, é o objecto deste texto, no qual é dada notícia do manuscrito, existente no espólio da Biblioteca, ms. 54-X-33 (7) - “Tercera Division, Cuadros adjudicados a la Serenissima Señora Infanta de España Dona Carlota Joaquina de Borbon, Reyna Viuda de Portugal, por la Testamanaria de los Señores Reyes Padres, en el año de 1826[1], até agora inédito.


Este documento que enumera as pinturas que, por morte de seus pais, seriam adjudicadas à soberana portuguesa, completa a informação, já divulgada pelos meios académicos e museológicos espanhóis, relativa à herança dos reis Carlos IV de Bourbon e Maria Luísa de Parma, que se encontra nos arquivos de Espanha, e da qual agora se confirmou a existência de um exemplar na Biblioteca da Ajuda, correspondente à “Tercera Division [...]”[2], isto é, à quota parte hereditária constituída por pinturas, joias e metálico que D. Carlota Joaquina, já viúva, recebe.

Como se depreende do manuscrito da Biblioteca da Ajuda[3], aquele conjunto não chegará a Lisboa antes de 1826, vindo juntar-se ao património de que a soberana já dispunha. Após a morte de D. Carlota Joaquina, em 7 de Janeiro de 1830, parte das obras de arte que compunham a herança paterna e integravam o espólio do Palácio do Ramalhão, seria leiloada no Palácio da Bemposta, a partir de Dezembro de 1847. Mas não a totalidade, é o que se defende no artigo “As colecções de arte da Rainha D. Carlota Joaquina de Bourbon (1775-1830): da colecção privada aos Museus Públicos. O manuscrito da Biblioteca da Ajuda: Memórias e Silêncios”, ual- repositório camões [aqui]

Com aquele texto, no qual se ensaia uma relação entre as pinturas inscritas no citado manuscrito, e, o seu possível impacto no acervo do Palácio Nacional da Ajuda, pretende-se contribuir para o melhor conhecimento das actuais colecções públicas de arte, bem como chamar a atenção para a importância dos legados de Antigo Regime, para a constituição das actuais colecções museológicas nacionais e para a necessidade do permanente estudo dos acervos documentais para o esclarecimento das suas origens e percursos.

Mafalda Magalhães Barros
Biblioteca da Ajuda




[1] Biblioteca da Ajuda ms. 54-X-33 (7) e 54-X-33 (13), cópia do mesmo documento.
[2] CHECA, Carmen García-Frías, “Nuevas aportaciones al estúdio de la colección pictórica de Carlos IV en el exilio”, in Actas de las Jornadas de Arte e Iconografia Carlos IV y el arte de su reinado, Fundación Universitaria Española, Outubro 2011, pp. 211 e 261. A autora refere os lotes da herança que couberam aos irmãos da soberana portuguesa, fazendo ainda algumas referências às pinturas do quinhão hereditário de D. Carlota Joaquina. A lista da Biblioteca da Ajuda — ms. 54-X-33 (7) —, contém os títulos das obras e autorias mas não inclui a dimensão das mesmas, nem nenhuma informação técnica, o que dificulta o trabalho de localização das pinturas. Tendo sido solicitada cópia daquele manuscrito aos Arquivos de Espanha, em Abril de 2016, não foi ainda possível obter cópia do mesmo, pelo que trabalhamos com base no exemplar da Biblioteca da Ajuda.
[3] BA ms. 54-X-33 (7).


Obras recebidas na Biblioteca da Ajuda

Régio Aparato e Soberano Festejo: As cerimónias de sagração da Real Basílica de Mafra em Outubro de 1730 / Teresa Leonor Vale; Ana Leal de Faria; Maria João P. Ferreira. - Lisboa: Scribe, 2019


No acervo da Biblioteca da Ajuda (BA. 51-VI-44, fls. 1-64) conserva-se o documento que na presente obra se publica e se estuda: trata-se de uma narrativa elaborada por alguém (o religioso arrábido Fr. José de Jesus Maria) que testemunhou presencialmente os acontecimentos relativos à sagração da Real Basílica de Nossa Senhora e de Santo António de Mafra, cujas solenes cerimónias decorreram em Outubro de 1730. Apesar de não ser desconhecido dos autores que se ocuparam de Mafra, sobretudo no âmbito da história da arte, o manuscrito permanecia por estudar. A relevância da informação que veicula, sem eco em outros textos coevos (tanto manuscritos como impressos), justificou a sua transcrição integral, publicação e estudo. Assim, procedeu-se à sua transcrição e empreenderam-se estudos nos quais se abordam os aspectos que, do ponto de vista dos conteúdos, se nos afiguraram como mais significativos. Após uma breve introdução em que se empreende uma apresentação do texto e seu autor, um primeiro ensaio empreende uma contextualização do acontecimento no âmbito do reinado de D. João V, efectuando-se uma dupla abordagem do evento, do ponto de vista do protocolo régio e do cerimonial religioso. Seguem-se outros dois ensaios, dedicados à presença da ourivesaria e dos têxteis no evento, os quais se assumem como verdadeiros participantes, quase diríamos protagonistas, das cerimónias. Importa ainda notar um aspecto no que ao carácter dos ensaios concerne, visto que os mesmos, ainda que alicerçados numa mesma fonte, desenvolvem abordagens diferentes, proporcionando assim um discurso plural entre a história e a história da arte.

Ler algumas págs. [Aqui]


BA. 51-VI-44, fls. 1-64

fl. 2
fl. 1

fl. 64




















Obra da Biblioteca da Ajuda no Museu de São Roque

Um Rei e Três Imperadores: Portugal, a China e Macau no Tempo de D. João V



Museu de S. Roque |  20 de dezembro 2019 até 5 de abril 2020


O reinado de D. João V (1706-1750) correspondeu aos reinados de três imperadores da dinastia Qing (Kangxi, Yonzheng e Qianlong) e foi um dos períodos mais intensos e relevantes do relacionamento entre Portugal e a Europa e a China. Esse período foi igualmente marcante para a história de Macau e para a sua qualidade de porto internacional de comércio e de porto entre dois impérios, o português e o chinês.
Exposição comissariada por Jorge Santos Alves que assinala os 40 anos do restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a China, os 20 anos da transferência de poderes em Macau e os 450 anos da Santa Casa da Misericórdia de Macau.


BA. 51-V-31



“Relação da Embaixada, e do que por respeito della sucedeu, que El rey N. Snr’ D. João o 5.º de seu nome no anno de 1725 mandou ao Imperador da Trataria, e China, cujo reynado era Yum Chim.»



[No final do doc., noutra mão]:  

Franc.co X.er da Rua Prior de Req.o a fez”.






Mais informações; [Aqui]