AVISO: horário de Verão

Informamos os nossos leitores que, de acordo com o nosso regulamento, já está em vigor o horário de Verão:

Horário de verão (1 de julho - 15 setembro)

De 2.ª a 6.ª Feira, 10h30 – 13h00; 14h00- 17h30 (requisições de leitura até às 15h30); Sala de Leitura encerra 15 minutos antes do fecho da Biblioteca.


Camões e a BA: Tricentenário de Camões II - 10 de Junho 1880 -a divulgação

O Tricentenário de Camões, nascido num ímpeto patriótico e nacionalista da camada intelectual e política – como resulta dos nomes que compõem a Comissão Executiva – foi marcado por uma intensa campanha de divulgação das festividades que se associaram. Instituições, comissões, cidadãos nacionais e estrangeiros deram eco aos festejos, sessões públicas e manifestações individuais.

A homenagem à história portuguesa na sua aventura marítima de "dar novos mundos ao mundo" inspira e aperfeiçoa tecnicamente a arte do cartaz público e da sua dimensão simbólico-artística, como se manifesta exemplarmente no cartaz genérico criado pra a ocasião.


BA. Reg. 2590

As comemorações, cuja coordenação esteve dependente da Comissão Executiva (cf. post anterior),  foram amplamente divulgadas por vários periódicos da altura, de entre os quais destacamos a revista Occidente cujos n.º 59 [aqui], suplemento ao n.º 59, e dos n.º 60 ao n.º 62lhes foram dedicados. 

 n.º 59 (supl.)n.º 60                n.º 61         

 

O n.º 62 [aqui], com poucos artigos, escritos, publicou várias estampas de Henrique Pousão e de Casanova, ilustrativas de alguns dos festejos ocorridos na cidade de lisboa:


                                                                           

                                                                    
De entre as múltiplas edições relativas a Camões e a Os Lusíadas impressas durante as Comemorações do 3º Centenário da Morte de Luís de Camões, destacamos 2 das existentes na Biblioteca da Ajuda:


A primeira edição dos Lusíadas / por Tito de Noronha. - Porto ; Braga : Livraria Internacional de Ernesto Chardron, 1880. - 87, [10]p. : il 30,5 cm. - (Camoniana). - Dedicatória, ms, de Tito de Noronha ao Rei D. Luís. - Tem selo, muito sumido, do arrolamento de 1911 "U''1234". BA 149-X-54



Braga, Teófilo, 1843-1924 ; Camões, Luís de, 1524-1580 ; D. luís I, (Rei de Portugal) ; Imprensa de Cristovão A. Rodrigues. Lisboa - Bibliographia camoniana. Edição numerada de 1 a 325 exemplares. Lisboa : Imprensa de Christovão A. Rodrigues. 253, [2], pp. 
BA 156-VIIIA-1 


Acesso para as obras relativas a Camões na Biblioteca da Ajuda [Aqui]

FG & CPB @BA

AVISO: leitura encerrada

Informamos os nossos leitores que, por motivos imprevistos, o serviço de leitura estará encerrado hoje (9 de Julho) a partir das 13h00.


Agradecemos a compreensão dos nossos leitores para esta situação.

Recordamos hoje a Infanta de Espanha

Maria Josefa Carmela de Bourbon (Pepa, em família) ( 1744 – 1801)


autor Lorenzo Tiepolo


Nasce  princesa de Nápoles e da Sicília, enquanto filha do rei Carlos VII de Nápoles e Sicília. Torna-se Infanta de Espanha pela ascensão do pai à coroa de Espanha, como Carlos III, vaga por morte de Fernando VI, sem descendência. 

Nunca se casou e viveu sempre na corte do pai e, após a morte deste (Dez. de 1788), na do irmão Carlos IV.  Morre no Escorial e foi enterrada em Madrid, no convento Carmelita de Santa Teresa de Jesus, a seu pedido. 

A Biblioteca da Ajuda (BA) tem no seu acervo, um conjunto epistolográfico, autógrafo, da Infanta Maria Josefa dirigidas à prima direita (ou irmã), a Rainha de Portugal, Maria I, enviadas entre 1781 e 1791, em castelhano, com assuntos de natureza familiar.

 Cartas da infanta D. Maria Josefa de Borbón (1744-1801) para a prima D. Maria I, Rainha de Portugal         (1734-1816), 1781-1791: [aqui]

Mais: 

A infanta Maria Josefa Carmela de Bourbon (1744-1801) e PortugalIsabel Drumond Braga, 2023 [aqui]
da autoria da infanta, datadas entre 1781 e 1791

Camões e a BA: Tricentenário de Camões - 10 de Junho 1880

Assinalam-se hoje o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e os 144 anos em que foram inauguradas as novas instalações da Biblioteca da Ajuda, na ala que ainda hoje se encontra, resultando, nas palavras de Teófilo Braga, no “...começo para uma éra nova…“.


[Álbum sobre Lisboa e Sintra]/ F. Rocchini photographo. - [1868]. - 
1 álbum [27] f. : 27 fotos, provas em albumina, p&b  

A transferência da Biblioteca, determinada por D. Luís I, concretizou-se aproveitando esta data para se efectivar, já sob a gerência de Magalhães Coutinho (1877-1892).


Transc. do rascunho do Arq. Hist. do Min. Finanças, caixa 891, Proc. 699 
in: 
Alexandre Herculano e a Biblioteca da Ajuda / Mariana Machado dos Santos, Coimbra: O Instituto, 1965, p. 80



A inauguração das novas instalações da Biblioteca Real que a transferiram do seu, há muito degradado, edifício no Paço Velho, para novas salas no edifício do novo Palácio, vindo a ocupar os espaços projetados para as acomodações dos Archeiros que, assim, receberam as melhorias arquitetonicas e decorativas, a cargo do arq. Rafael da Silva Castro e do pintor Pereira Cão Jr., que ainda hoje definem as principais Salas da Biblioteca. 

Arquivo Interno: pasta da gerência de José Eduardo Magalhães Coutinho. 
BA. D.293 






Nesta data, 10 de Junho 1880, para além da inauguração das novas instalações da Biblioteca da Ajuda, foram planeadas outras iniciativas que ao longo de vários dias assinalaram e celebraram os 300 anos da morte do poeta português, Luís Vaz de Camões. 

Estes festejos foram concebidos, organizados e promovidos por um conjunto dos mais ilustres e influentes intelectuais da altura, organizados numa Comissão Executiva constituída por J. C. Rodrigues da Costa, Eduardo Coelho, Sebastião de Magalhães Lima, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Jaime Batalha Reis, Luciano Cordeiro, Rodrigo Afonso Pequito. Esta empreendeu uma campanha nacional  de divulgação e revitalização da vida e obra de Camões, ideologicamente colorida por um nacionalismo patriótico, perspectivado como um verdadeiro momento de união nacional visando o progresso do país. As principais atividades decorreram em Lisboa.


O Contemporaneo, nº 88, 6º ano, [aqui]

"Comissão executiva da imprensa no tricentenário de Camões".

BA. 233-X, reg 7201
De entre as atividades públicas realizadas destacamos um cortejo de carros alegóricos em Lisboa, "Cortejo Cívico", idealizado por Ramalho Ortigão que será, ca. de uma década depois, Diretor da Biblioteca da Ajuda (1895-1911). Desta iniciativa resultou um álbum de fotografias, da autoria de Henrique Nunes, que faz parte do acervo da BA e que se encontra reproduzido através do MatrizPix [aqui]


Álbum do Tricentenário de Camões [10 de Junho 1880]  /  Henrique Nunes [1820-1882]. - 1880. 

123-III-40, reg. 5748-5756


O álbum em questão é constituído por 13 fotografias:

Busto de Camões; Pavilhão onde foi assinado o auto da solenidade por ocasião do cortejo cívico; Carro triunfal representando a Marinha; Carro triunfal representando a Guerra; Carro triunfal representando as Artes; Carro triunfal representando as Colónias; Carro triunfal da Agricultura; Carro triunfal representando a Industria; Carro triunfal representando a Imprensa; Carro dos Alunos da Escola do Exercito; Carro dos Bombeiros Voluntários de Belém e carro com “bouquet” colossal; Monumento a Luis de Camões (vista panorâmica da praça ou Largo de Camões, em Lisboa).

                               "Carro triumphal representando a imprensa"

                              "Carro dos bombeiros voluntários de Belém..."

"Carro triunphal representando a Artes"


FG & CPB @BA

Camões na BA: a música

memória de Camões na Biblioteca da Ajuda está presente em todas as áreas do seu acervo documental, quer seja manuscrito ou impresso. O Poeta que, nas suas palavras afirmou "... Cantando espalharei por toda a parte..." a aventura maior dos Portugueses, foi ele próprio e a sua obra, tanto épica como lírica, fonte de inspiração de contemporâneos e "sucessores" ao longo dos séculos. Esta inspiração extravasou o estrito domínio da poesia e alargou-se a outras áreas da cultura artística. Assim, encontramos os seus ecos na música que, curiosamente, se manifestam ainda em peças modernas ou contemporâneas. 

Deixamos, entre outros que cantaram Camões, alguns exemplos que demonstram a eterna atualidade dos grandes temas líricos camonianos : Amália Rodrigues cantou, entre outras, "Lianor" [aqui] de José Afonso  temos "verdes são os campos" [aqui], de José Mário Branco "Mudam-se os tempo, mudam-se as vontades"  [aqui].

Os espécimes abaixo, que fazem parte do acervo desta Biblioteca, exemplificam e refletem essa mesma inspiração que aliando a poesia à composição musical - bons condutores de emoções - , serviram não só para distinguir o Poeta Maior da literatura portuguesa como, em simultâneo, para homenagear os nossos soberanos, enquanto mecenas e representantes dos Portugueses.


Colás, Francisco Libânio (1830-1885)

Camões: Marcha triumphal a grande orchestra em Solemnização ao tricentenário de Luíz de Camões, principe dos poetas portugueses. Ded. a D. Luís I
1880, Pernambuco
Cotas e outras ref.: U’’’4599; 138-III-32; cat. Música n.º 563

Mus. Ms. BA 54-XII-89 [autógrafo]



Cesari, Pedro

A Camões: marcha fúnebre. Séc. XX, Olhão
Partes cavas do clarinete 2.º; cornetins 1.º e 2.º; trombones 1.º e 2.º (2) barítono 1.º; baixo e contrabaixo; cat. Música n.º 5236

Mus. Ms. 54-VII-30, n.º 37-45 [autógrafo]




Eusèbe, Lucas Séc. XIX, Monaco

Le dernier chant du Camoêns: ballade a grand orchestre.
Part.ª para orquestra.
Enc. em moiré azul e branco, letras a ouro. Ded. a D. Luís I. - Portada desenhada a pena a azul
Cotas e outras ref.: U’’’4631; 138-III-70; cat. Música n.º 774

Mus. Ms. 54-XII-52 [autógrafo]


Machado, João Gonçalves (Séc. XX, Olhão)

Alma minha gentil que te partiste … música para canto a 3 vozes
cat. Música 4024

Mus. Ms. 54-VII-22, n.º 7 [autógrafo]

Reuchsel-Dieu, Léon (1840-1915)

Les Lusiadas. Poëme symphonique. 1875, Lyon
Partitura para canto e orquestra, 3 vols. Op. 54
cat. Música n.º 2686

Mus. Ms. 54-XII-1 a 3 [autógrafo]

Cordeiro, João Rodrigues (1826-1881)

Hymno (…) à inauguração da estátua do grande Épico portuguez Luiz de Camões
1867, Lisboa,
Musica para piano

BA. 137-I-12, n.º 1
Frondoni, Angelo (1809-1891)

Luís de Camões
Música para canto c. acomp. de piano e letra L. A. Palmeirim.
In: antologia musical. Colecção (…) sobre poesias portuguesas, p. 27-39 Séc. XIX, London; W. Murray

BA. 137-I-9, n.º 136

 Cópia digital do exemplar da BNP [aqui]


Durand, L ()

Alma minha…
Música para canto c. acomp. de piano e letra em Português. e francês; Séc. XIX
Ded. a D. Luís I; cat. Música n.º 717
 
BA. 44-XV-68, n.º 82 [autógrafo]




FG & CPB @BA