Carlos Seixas: 11 de Junho de 1704 - 25 de Agosto de 1742

Carlos Seixas foi o mais relevante e profícuo compositor português de música para tecla da primeira metade do século XVIII.

Filho de Francisco Vaz, organista da Sé de Coimbra, substituiu seu pai – e mestre - nessas funções com apenas 14 anos de idade.

Em Lisboa impôs-se como organista, cravista e compositor. Foi professor também.

Compôs, segundo testemunhos da época, perto de setecentas Toccatas ou Sonatas, tendo só cerca de cem destas sobrevivido à destruição do terramoto de 1755.

 Virtuoso no cravo e inovador na composição, "(…) Carlos Seixas poderá ter criado as primeiras peças concertantes para cravo e orquestra”, segundo as palavras de Andreas Staier, um dos mais aclamados intérpretes de Seixas. E acrescenta “(os concertos) estarão entre os primeiros para tecla da História”, podendo ser “anteriores aos concertos para cravo de Johann Sebastian Bach”.

 Domenico Scarlatti, ao tempo Mestre da Capela Real portuguesa, cedo reconheceu o talento de Seixas. Sobre este conhecimento mútuo, muita tinta correu já sobre a possível influência que o mestre italiano poderá ter tido sobre a obra de Seixas, polémica que não nos compete neste espaço.

Importa, sim, sublinhar que as sonatas de Seixas universalizaram-se e perpetuam-se como autênticas pérolas do período Barroco.

 A Biblioteca da Ajuda, ao assinalar a data de nascimento de Carlos Seixas, em sua homenagem, sugere a consulta de partituras de duas Tocatas deste compositor, com a cota:

 BA-48-I-2 (15)








BA. 48-I-2 (16)


As primeiras traduções dos sermões do P. Antonio Vieira em inglês:

                   

Antonio Vieira: Six Sermons / Edited and translated by Mónica Leal da Silva and Liam Brockey . - New York: Oxford University Press , 2018






Oxford University Press [aqui]
Google preview [aqui]





 “Missionary, diplomat, theologian, pulpit preacher, social critic, political strategist, and one of the finest writers of the Portuguese language, the Jesuit António Vieira was a remarkable figure of the Baroque age whose life has remained relatively unknown to English-speaking readers. This excellent edition and translation of his sermons finally gives them access to Vieira's talents and thought, and helps to restore him to the prominence he deserves."

Stuart Schwartz, George Burton Adams Professor of History and Chair of the Council on Latin American and Iberian Studies, Yale University

 "The reader will find here six of António Vieira's sermons, most available in English for the first time. Brilliantly translated and contextualized, the sermons reflect the ways a leading Jesuit grappled with the bewildering forces of globalization, commerce, slavery, and morality, forces the Jesuits themselves unleashed. How to find providential meaning in a Portuguese global empire built on the backs of both slaves and Jesuit missionaries? How to have providential certainty in a world bedeviled by greed, growing religious apathy, and geopolitical uncertainty? How to be a prophet in a new, yet weakened Braganza-led Israel? Out of hundreds of possible sermons, the authors have masterfully picked a handful to illuminate a complex, deeply contradictory world of faith and violence."
      Jorge Cañizares-Esguerra, Alice Drysdale Sheffield Professor of History, Univ. of Texas at Austin

"António Vieira is a major religious, cultural, and political figure in the early modern world, little known outside the field of Iberian history. This outstanding translation of selected sermons will contribute to integrate his thought in the long-term complex analysis of colonialism, slavery, racism, and national assertion."
         Francisco Bethencourt, author of Racisms from the Crusades to the Twentieth Century


Obras recebidas na Biblioteca da Ajuda:

A Música no Convento de Cristo em Tomar: (desde finais do século XV até finais do século XVIII) / Cristina Maria de Carvalho Cota. - [Lisboa]: Edições Colibri; CESEM - Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical - UNL, 2017

Esta obra vem revelar o passado musical do Convento de Tomar, casa principal daquela que foi considerada a mais poderosa e emblemática ordem religiosa portuguesa: a Ordem de Cristo.
Retomando a única e sumária investigação realizada há cem anos por Sousa Viterbo sobre os músicos deste convento, concluiu-se que este foi um dos mais importantes centros de actividade musical em Portugal, equiparável a Coimbra, com uma Capela reconhecida pela excelência do seu nível musical em finais do século XVI, e uma prática instrumental e vocal majestosa durante o século XVII, de produção musical própria assinada por Frei Fernando de Almeida (1604-1660), o mais destacado compositor da Ordem e exemplo marcante da música maneirista portuguesa.
Neste livro se oferece a mais completa biografia deste compositor, que infelizmente teve um fim trágico e injusto às mãos da Inquisição. A prática litúrgico-musical na Ordem do Templo foi assunto inesperado e original de estudo que se tornou um ponto de partida para a compreensão do cerimonial e prática litúrgico-musical da Ordem de Cristo, considerada a sua sucessora em Portugal.
Finalmente, a descoberta de um espólio musical tomarense, inteiramente inédito com ligação à igreja de S. João Baptista, em Tomar, poderá constituir a primeira peça do puzzle, ainda por reconstituir, do repertório musical das igrejas da Ordem de Cristo. [Cristina Cota]



Mistérios e viagens de um manuscrito......

A Factura de los acopios q.º Dn. Jn. B.ta Ardisson ha hecho en Paris p.ª la Guarda Ropa de S. M. M. la Reyna N.S., y Sr.ª Infanta D. M.ª Franc.ª de Asis. Paris 1816. 4º &.

A recente notícia da aquisição, para o Palácio Nacional de Queluz, pela Parques de Sintra Monte da Lua [aqui], de um manuscrito relativo a compras efectuadas pela Rainha D. Carlota Joaquina (1775-1830), no ano de 1816, suscitou alguma curiosidade no meio museográfico, pela possibilidade de acesso a um documento pormenorizado sobre os consumos sumptuários por parte de um elemento preponderante da corte portuguesa, no início de oitocentos. Uma análise detalhada da documentação permitirá avaliar eventuais acertos, ou desacertos, desta com os principais centros europeus difusores da moda, com grande destaque para Paris, onde boa parte das compras teriam sido efectuadas, cidade que, desde o início do séc. XVIII, ditava os modelos a seguir, nas artes da mesa, na etiqueta, no vestuário, entre outros domínios da representação social.

Para a escrita da História são indispensáveis documentos sendo as Bibliotecas e os Arquivos os guardiães primeiros desses testemunhos, assim como os Museus o são para os objectos artísticos. Quer sejam fontes manuscritas, impressas, ou iconográficas, servem de suporte a narrativas, fundamentam teses, permitem contextualizar factos, auxiliam o progresso do conhecimento, pelo que o enriquecimento das colecções nacionais, mediante a aquisição no mercado destes testemunhos dispersos, é algo de saudar.

Esta notícia veio, em simultâneo, chamar a atenção para o facto de um manuscrito, com título idêntico, constar do Catálogo da Livraria que foi de S. Mag.de a Senhora D. Carlota Joaquina de Bourbon, ms. BA-51-XIII-7, existente na Biblioteca da Ajuda.

Ora, apesar da referência no mencionado Catálogo da Factura de los acopios q.º Dn. Jn. B.ta Ardisson ha hecho en Paris p.ª la Guarda Ropa de S. M. M. la Reyna N.S., y Sr.ª Infanta D. M.ª Franc.ª de Asis. Paris 1816. 4º &, esta não foi, no entanto, localizada no acervo da Biblioteca da Ajuda, contrariamente a grande parte de outras entradas do mesmo, o que nos leva a supor que seja aquele o manuscrito que outrora pertenceu à Livraria da Imperatriz-Rainha, ou que, em alternativa, seja uma cópia em tudo semelhante ao mesmo.


A investigação, feita no âmbito do trabalho desenvolvido na Biblioteca da Ajuda permitiu, porém, que uma dúvida fosse esclarecida. Tal relaciona-se com o facto de o signatário das facturas  ter sido João Baptista Ardisson, súbdito espanhol natural de Madrid, e não uma suposta Baronesa de Ardisson, nome que constava das notícias iniciais divulgadas na Comunicação Social [1]. Uma parte da documentação relacionada com este assunto encontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal, nos Manuscritos Reservados e, a partir desta, sabemos que fora o espanhol, que segundo o próprio, desde 1807 prestava serviços à Coroa de Portugal, incumbido de levar à corte do Rio de Janeiro, “correspondência” na qual “pedia o Rey D. Fernando 7º para Espoza a Snr.ª Infanta D. Maria Isabel de Bragança e a Snr.ª Infanta D. Maria Francisca de Assis p.ª Espoza de seu irmão”[2], conforme se pode ler nos autos da Pertenção de D. João Baptista Ardisson, subdito espanhol, e de sua mulher D. Victoria Catharina de Oiamatia. - Lisboa  1831-1839, BN. mss-33-3[3], guardados na mencionada Biblioteca.  Assim, “convencionados que forão os contratos dos cazamentos” recebeu Ardisson “os competentes despachos” para regressar à corte de Espanha. Partindo do Rio de Janeiro em Março de 1816, “chegou a Madrid no princípio de M.o do m.mo anno” e logo o rei-noivo o incumbiu de novo serviço. Agora o de ir a Paris com o objectivo de “comprar vestidos, infeites e ornatos” e “apromptar todas as galas e mais objectos necessários p.ª ambos os cazamentos”, segundo as “ordens que trazia do Rio de Jan.ro”. Ali se demorou por 3 meses e conforme alega na mencionada Pertenção (….) por “não haver fundos em conseq.cia da Invasão Francesa”, e zeloso do serviço do qual fora incumbido, aplicou os seus próprios recursos e crédito pois, desejava “fazer serviços e desempenhar as Ordens q.lhe tinhão sido dadas”.
 
Nesta missão despendera “mais de 140 mil cruzados”, regressando a Madrid “hum mês antes da chegada das Augustas Noivas”, já munido das encomendas reais, regozijando-se de tudo ter merecido a “completa aprovação de todas as Reas Pessoas”. Ora, pertencendo aos “Pays das Augustas Espozas pagar metade de toda a despeza”, passados mais de vinte anos, apenas fora reembolsado de uma parte da mesma. E a esta dívida somava-se uma outra “privativa e particular de S. Mag.de a Imperatriz Rainha a Snr.ª D. Carlota Joaquina de Bourbon da quantia de 9.208$960 r. motivada d´objectos a q. o supl. satisfez de Sua ordem no Anno de 1815 e 1816”. Esta dívida fora reconhecida pela “Augusta devedora” que, por Decreto de 12 de Agosto de 1829, a mandara pagar em prestações anuais de 500$00. Porém, com a morte da soberana em 1830, suspenderam-se esses pagamentos, o que motivava Ardisson a dirigir nova súplica, em 1839, agora à Rainha D. Maria II (1819-1853), neta da ilustre devedora.
A afirmação de Max Weber de que “status groups are stratified according to the principles of their consumption of goods as represented by their special styles of life[4], isto é, a necessidade de assegurar uma dimensão de representação simbólica do poder régio determinava a aquisição de objectos sumptuários, independentemente das disponibilidades financeiras de cada momento. Aliás, quem iria recusar fornecer à Casa Real os bens de que necessitava? Teoricamente os recursos seriam quase que ilimitados. No entanto, na prática, nem sempre a organização da “contabilidade” permitia satisfazer prontamente os credores, como este e muitos outros exemplos testemunham.

Sobre o elenco dos artigos que justificaram as quantias reclamadas por João Baptista Ardisson poderá, provavelmente, o manuscrito - agora pertença do Palácio Nacional de Queluz - lançar alguma luz, uma vez que o idêntico que pertenceu à Livraria de D. Carlota Joaquina há muito que não se encontra na Biblioteca da Ajuda. Será o mesmo? Será uma cópia? Teria o mesmo integrado o conjunto de manuscritos e impressos que seguiram com D. Manuel II (1889-1932) para o exílio, teria estado na posse de sua Mãe, a última Rainha de Portugal, D. Amélia de Orléans (1865-1951), que o levaria quando partiu de Portugal, na sequência da implantação da República? Não temos resposta para estas questões. Apenas uma certeza: a que o regresso do manuscrito, agora adquirido, estimulará mais investigação e ajudará a melhor esclarecer as dúvidas agora suscitadas, bem como a aprofundar o conhecimento sobre a relação da coroa portuguesa com os centros europeus difusores de correntes estéticas, contrariando a ideia de uma corte alheada e desfasada do que se passava além Pirenéus, como certa historiografia oitocentista quis fazer passar.

MMB

[1] Link Publico [aqui]
[2] As infantas portuguesas, filhas de D. Carlota Joaquina (1775-1830) e de D. João VI (1767-1826), mais concretamente, D. Maria Isabel (1797-1818) e D. Maria Francisca de Assis (1800-1834), casaram com, respectivamente, Fernando VII de Espanha (1788-1833) e seu irmão Carlos Maria Isidro (1788-1855).
[3] Link BN [aqui]
[4] M. Weber, “Class, Status, Party”, em Class, status and power, Londres, 1954, p.73, em Ethos aristocrrático y estructura del consumo: la aristocracia cortesana portuguesa a finales del Antigua régimen, Nuno Monteiro, F. I. H. S. UNED Valencia.

DIA MUNDIAL DA POESIA – 21 de Março




Entre os códices de literatura desta Biblioteca, encontra-se o manuscrito da obra O Condestable Dom Nunalurez Pereira, de Francisco Rodrigues Lobo, cuja 1ª edição foi impressa em Lisboa em 1610, por Pedro Crasbeck. A obra é dedicada ao Duque D. Teodósio II, com quem terá convivido.




 

Francisco Rodrigues Lobo nasceu em Leiria, c. 1580, filho de cristãos-novos. Foi um dos mais conhecidos e importantes discípulos de Camões, distinguindo-se na literatura portuguesa como um dos introdutores do gongorismo barroco, em cujo coletânea do séc. XVIII, A Fénix Renascida, vários dos seus poemas foram incluídos e assim divulgados [aqui]. É autor da obra em prosa Corte na aldeia, ficção notável composta por dezasseis diálogos didáticos que descrevem a vida cortesã da época e a desilusão da nobreza portuguesa por ter perdido a sua corte.

Morre em 1621 num naufrágio entre Lisboa e Santarém.
 

 Primeira edição (1610) disponível na BND (Biblioteca Nacional Digital) [aqui 

FICHA DA OBRA:

N.º de Inventário: BA 49-III-70

 Titulo: O Condestable Dom Nunalurez Pereira

Data: ca 1603 [data tirada da ded.]

Descrição: Cod. Ms. em papel, [1] 180 fls. – Enc. em pergaminho. - Notas marginais

Pertence: Biblioteca das Necessidades. — ded. ao Duque de Bragança, D. Teodósio II, pai de do futuro D. João IV, em Setembro de 1603.

Publicado em 1610, Lisboa, oficina de Pedro Crabeeck.

Dimensões: 4.º (21,5x156mm)

Localização: Biblioteca da Ajuda (cofre)

Estado de conservação: Razoável. Papel com alguma fragilidade. Manchas de humidade

Importância: Original, autógrafo, em português, de Francisco Rodrigues Lobo (1580-1621) é um dos mais importantes discípulos de Camões. É considerado como o iniciador do Barroco na literatura portuguesa. Manuscrito publicado em 1610, Lisboa, na Oficina de Pedro Crasbeeck

Bibliografia:
O condestable de Portugal Dom Nunalvres Pereira / Francisco Rodrigues Lobo ; ed. lit. Carlos Alberto Ferreira ; pref. Luís Silveira. Lisboa : Inspecção Superior das Bibliotecas e Arquivos, 1958.

Alguns fls do ms. da BA:


fl. 1


fl.1v-2


fl. 2v-3


fl. 3v-4
fl. 4v-5
fl. 5v-6



          



 



AVISO

Informamos que, devido à realização de visitas de estudo que irão decorrer na Biblioteca da Ajuda no dia 20 de Fevereiro (quarta-feira), o serviço de leitura estará encerrado até às 11h00, do dia em questão. 
Agradecemos a compreensão dos nossos leitores para esta situação