AVISO

Informamos que, devido à realização das actividades que irão decorrer, por ocasião das Jornadas Europeias do Património 2018 (28 a 30 de Setembro), a Biblioteca da Ajuda, estará encerrada, à leitura, nos dias 27 e 28 de Setembro (quinta feira e sexta feira), e dia 1 de Outubro (segunda -feira) até às 13h00. 
 
 Agradecemos a compreensão dos nossos leitores para esta situação.

Jornadas Europeias do Património 2018


AVISO: Alterações no horário de funcionamento da Biblioteca da Ajuda

Informam-se os Leitores que de 13 de Agosto até 14 de Setembro a Biblioteca da Ajuda realiza o seguinte horário de abertura ao público:

10h30-13h00

14h00-17h30


A partir de 16 de Setembro (segunda-feira) será retomado o horário regular.


Carlos Seixas: 11 de Junho de 1704 - 25 de Agosto de 1742

Carlos Seixas foi o mais relevante e profícuo compositor português de música para tecla da primeira metade do século XVIII.

Filho de Francisco Vaz, organista da Sé de Coimbra, substituiu seu pai – e mestre - nessas funções com apenas 14 anos de idade.

Em Lisboa impôs-se como organista, cravista e compositor. Foi professor também.

Compôs, segundo testemunhos da época, perto de setecentas Toccatas ou Sonatas, tendo só cerca de cem destas sobrevivido à destruição do terramoto de 1755.

 Virtuoso no cravo e inovador na composição, "(…) Carlos Seixas poderá ter criado as primeiras peças concertantes para cravo e orquestra”, segundo as palavras de Andreas Staier, um dos mais aclamados intérpretes de Seixas. E acrescenta “(os concertos) estarão entre os primeiros para tecla da História”, podendo ser “anteriores aos concertos para cravo de Johann Sebastian Bach”.

 Domenico Scarlatti, ao tempo Mestre da Capela Real portuguesa, cedo reconheceu o talento de Seixas. Sobre este conhecimento mútuo, muita tinta correu já sobre a possível influência que o mestre italiano poderá ter tido sobre a obra de Seixas, polémica que não nos compete neste espaço.

Importa, sim, sublinhar que as sonatas de Seixas universalizaram-se e perpetuam-se como autênticas pérolas do período Barroco.

 A Biblioteca da Ajuda, ao assinalar a data de nascimento de Carlos Seixas, em sua homenagem, sugere a consulta de partituras de duas Tocatas deste compositor, com a cota:

 BA-48-I-2 (15)








BA. 48-I-2 (16)


As primeiras traduções dos sermões do P. Antonio Vieira em inglês:

                   

Antonio Vieira: Six Sermons / Edited and translated by Mónica Leal da Silva and Liam Brockey . - New York: Oxford University Press , 2018






Oxford University Press [aqui]
Google preview [aqui]





 “Missionary, diplomat, theologian, pulpit preacher, social critic, political strategist, and one of the finest writers of the Portuguese language, the Jesuit António Vieira was a remarkable figure of the Baroque age whose life has remained relatively unknown to English-speaking readers. This excellent edition and translation of his sermons finally gives them access to Vieira's talents and thought, and helps to restore him to the prominence he deserves."

Stuart Schwartz, George Burton Adams Professor of History and Chair of the Council on Latin American and Iberian Studies, Yale University

 "The reader will find here six of António Vieira's sermons, most available in English for the first time. Brilliantly translated and contextualized, the sermons reflect the ways a leading Jesuit grappled with the bewildering forces of globalization, commerce, slavery, and morality, forces the Jesuits themselves unleashed. How to find providential meaning in a Portuguese global empire built on the backs of both slaves and Jesuit missionaries? How to have providential certainty in a world bedeviled by greed, growing religious apathy, and geopolitical uncertainty? How to be a prophet in a new, yet weakened Braganza-led Israel? Out of hundreds of possible sermons, the authors have masterfully picked a handful to illuminate a complex, deeply contradictory world of faith and violence."
      Jorge Cañizares-Esguerra, Alice Drysdale Sheffield Professor of History, Univ. of Texas at Austin

"António Vieira is a major religious, cultural, and political figure in the early modern world, little known outside the field of Iberian history. This outstanding translation of selected sermons will contribute to integrate his thought in the long-term complex analysis of colonialism, slavery, racism, and national assertion."
         Francisco Bethencourt, author of Racisms from the Crusades to the Twentieth Century


Obras recebidas na Biblioteca da Ajuda:

A Música no Convento de Cristo em Tomar: (desde finais do século XV até finais do século XVIII) / Cristina Maria de Carvalho Cota. - [Lisboa]: Edições Colibri; CESEM - Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical - UNL, 2017

Esta obra vem revelar o passado musical do Convento de Tomar, casa principal daquela que foi considerada a mais poderosa e emblemática ordem religiosa portuguesa: a Ordem de Cristo.
Retomando a única e sumária investigação realizada há cem anos por Sousa Viterbo sobre os músicos deste convento, concluiu-se que este foi um dos mais importantes centros de actividade musical em Portugal, equiparável a Coimbra, com uma Capela reconhecida pela excelência do seu nível musical em finais do século XVI, e uma prática instrumental e vocal majestosa durante o século XVII, de produção musical própria assinada por Frei Fernando de Almeida (1604-1660), o mais destacado compositor da Ordem e exemplo marcante da música maneirista portuguesa.
Neste livro se oferece a mais completa biografia deste compositor, que infelizmente teve um fim trágico e injusto às mãos da Inquisição. A prática litúrgico-musical na Ordem do Templo foi assunto inesperado e original de estudo que se tornou um ponto de partida para a compreensão do cerimonial e prática litúrgico-musical da Ordem de Cristo, considerada a sua sucessora em Portugal.
Finalmente, a descoberta de um espólio musical tomarense, inteiramente inédito com ligação à igreja de S. João Baptista, em Tomar, poderá constituir a primeira peça do puzzle, ainda por reconstituir, do repertório musical das igrejas da Ordem de Cristo. [Cristina Cota]



Mistérios e viagens de um manuscrito......

A Factura de los acopios q.º Dn. Jn. B.ta Ardisson ha hecho en Paris p.ª la Guarda Ropa de S. M. M. la Reyna N.S., y Sr.ª Infanta D. M.ª Franc.ª de Asis. Paris 1816. 4º &.

A recente notícia da aquisição, para o Palácio Nacional de Queluz, pela Parques de Sintra Monte da Lua [aqui], de um manuscrito relativo a compras efectuadas pela Rainha D. Carlota Joaquina (1775-1830), no ano de 1816, suscitou alguma curiosidade no meio museográfico, pela possibilidade de acesso a um documento pormenorizado sobre os consumos sumptuários por parte de um elemento preponderante da corte portuguesa, no início de oitocentos. Uma análise detalhada da documentação permitirá avaliar eventuais acertos, ou desacertos, desta com os principais centros europeus difusores da moda, com grande destaque para Paris, onde boa parte das compras teriam sido efectuadas, cidade que, desde o início do séc. XVIII, ditava os modelos a seguir, nas artes da mesa, na etiqueta, no vestuário, entre outros domínios da representação social.

Para a escrita da História são indispensáveis documentos sendo as Bibliotecas e os Arquivos os guardiães primeiros desses testemunhos, assim como os Museus o são para os objectos artísticos. Quer sejam fontes manuscritas, impressas, ou iconográficas, servem de suporte a narrativas, fundamentam teses, permitem contextualizar factos, auxiliam o progresso do conhecimento, pelo que o enriquecimento das colecções nacionais, mediante a aquisição no mercado destes testemunhos dispersos, é algo de saudar.

Esta notícia veio, em simultâneo, chamar a atenção para o facto de um manuscrito, com título idêntico, constar do Catálogo da Livraria que foi de S. Mag.de a Senhora D. Carlota Joaquina de Bourbon, ms. BA-51-XIII-7, existente na Biblioteca da Ajuda.

Ora, apesar da referência no mencionado Catálogo da Factura de los acopios q.º Dn. Jn. B.ta Ardisson ha hecho en Paris p.ª la Guarda Ropa de S. M. M. la Reyna N.S., y Sr.ª Infanta D. M.ª Franc.ª de Asis. Paris 1816. 4º &, esta não foi, no entanto, localizada no acervo da Biblioteca da Ajuda, contrariamente a grande parte de outras entradas do mesmo, o que nos leva a supor que seja aquele o manuscrito que outrora pertenceu à Livraria da Imperatriz-Rainha, ou que, em alternativa, seja uma cópia em tudo semelhante ao mesmo.


A investigação, feita no âmbito do trabalho desenvolvido na Biblioteca da Ajuda permitiu, porém, que uma dúvida fosse esclarecida. Tal relaciona-se com o facto de o signatário das facturas  ter sido João Baptista Ardisson, súbdito espanhol natural de Madrid, e não uma suposta Baronesa de Ardisson, nome que constava das notícias iniciais divulgadas na Comunicação Social [1]. Uma parte da documentação relacionada com este assunto encontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal, nos Manuscritos Reservados e, a partir desta, sabemos que fora o espanhol, que segundo o próprio, desde 1807 prestava serviços à Coroa de Portugal, incumbido de levar à corte do Rio de Janeiro, “correspondência” na qual “pedia o Rey D. Fernando 7º para Espoza a Snr.ª Infanta D. Maria Isabel de Bragança e a Snr.ª Infanta D. Maria Francisca de Assis p.ª Espoza de seu irmão”[2], conforme se pode ler nos autos da Pertenção de D. João Baptista Ardisson, subdito espanhol, e de sua mulher D. Victoria Catharina de Oiamatia. - Lisboa  1831-1839, BN. mss-33-3[3], guardados na mencionada Biblioteca.  Assim, “convencionados que forão os contratos dos cazamentos” recebeu Ardisson “os competentes despachos” para regressar à corte de Espanha. Partindo do Rio de Janeiro em Março de 1816, “chegou a Madrid no princípio de M.o do m.mo anno” e logo o rei-noivo o incumbiu de novo serviço. Agora o de ir a Paris com o objectivo de “comprar vestidos, infeites e ornatos” e “apromptar todas as galas e mais objectos necessários p.ª ambos os cazamentos”, segundo as “ordens que trazia do Rio de Jan.ro”. Ali se demorou por 3 meses e conforme alega na mencionada Pertenção (….) por “não haver fundos em conseq.cia da Invasão Francesa”, e zeloso do serviço do qual fora incumbido, aplicou os seus próprios recursos e crédito pois, desejava “fazer serviços e desempenhar as Ordens q.lhe tinhão sido dadas”.
 
Nesta missão despendera “mais de 140 mil cruzados”, regressando a Madrid “hum mês antes da chegada das Augustas Noivas”, já munido das encomendas reais, regozijando-se de tudo ter merecido a “completa aprovação de todas as Reas Pessoas”. Ora, pertencendo aos “Pays das Augustas Espozas pagar metade de toda a despeza”, passados mais de vinte anos, apenas fora reembolsado de uma parte da mesma. E a esta dívida somava-se uma outra “privativa e particular de S. Mag.de a Imperatriz Rainha a Snr.ª D. Carlota Joaquina de Bourbon da quantia de 9.208$960 r. motivada d´objectos a q. o supl. satisfez de Sua ordem no Anno de 1815 e 1816”. Esta dívida fora reconhecida pela “Augusta devedora” que, por Decreto de 12 de Agosto de 1829, a mandara pagar em prestações anuais de 500$00. Porém, com a morte da soberana em 1830, suspenderam-se esses pagamentos, o que motivava Ardisson a dirigir nova súplica, em 1839, agora à Rainha D. Maria II (1819-1853), neta da ilustre devedora.
A afirmação de Max Weber de que “status groups are stratified according to the principles of their consumption of goods as represented by their special styles of life[4], isto é, a necessidade de assegurar uma dimensão de representação simbólica do poder régio determinava a aquisição de objectos sumptuários, independentemente das disponibilidades financeiras de cada momento. Aliás, quem iria recusar fornecer à Casa Real os bens de que necessitava? Teoricamente os recursos seriam quase que ilimitados. No entanto, na prática, nem sempre a organização da “contabilidade” permitia satisfazer prontamente os credores, como este e muitos outros exemplos testemunham.

Sobre o elenco dos artigos que justificaram as quantias reclamadas por João Baptista Ardisson poderá, provavelmente, o manuscrito - agora pertença do Palácio Nacional de Queluz - lançar alguma luz, uma vez que o idêntico que pertenceu à Livraria de D. Carlota Joaquina há muito que não se encontra na Biblioteca da Ajuda. Será o mesmo? Será uma cópia? Teria o mesmo integrado o conjunto de manuscritos e impressos que seguiram com D. Manuel II (1889-1932) para o exílio, teria estado na posse de sua Mãe, a última Rainha de Portugal, D. Amélia de Orléans (1865-1951), que o levaria quando partiu de Portugal, na sequência da implantação da República? Não temos resposta para estas questões. Apenas uma certeza: a que o regresso do manuscrito, agora adquirido, estimulará mais investigação e ajudará a melhor esclarecer as dúvidas agora suscitadas, bem como a aprofundar o conhecimento sobre a relação da coroa portuguesa com os centros europeus difusores de correntes estéticas, contrariando a ideia de uma corte alheada e desfasada do que se passava além Pirenéus, como certa historiografia oitocentista quis fazer passar.

MMB

[1] Link Publico [aqui]
[2] As infantas portuguesas, filhas de D. Carlota Joaquina (1775-1830) e de D. João VI (1767-1826), mais concretamente, D. Maria Isabel (1797-1818) e D. Maria Francisca de Assis (1800-1834), casaram com, respectivamente, Fernando VII de Espanha (1788-1833) e seu irmão Carlos Maria Isidro (1788-1855).
[3] Link BN [aqui]
[4] M. Weber, “Class, Status, Party”, em Class, status and power, Londres, 1954, p.73, em Ethos aristocrrático y estructura del consumo: la aristocracia cortesana portuguesa a finales del Antigua régimen, Nuno Monteiro, F. I. H. S. UNED Valencia.

DIA MUNDIAL DA POESIA – 21 de Março




Entre os códices de literatura desta Biblioteca, encontra-se o manuscrito da obra O Condestable Dom Nunalurez Pereira, de Francisco Rodrigues Lobo, cuja 1ª edição foi impressa em Lisboa em 1610, por Pedro Crasbeck. A obra é dedicada ao Duque D. Teodósio II, com quem terá convivido.




 

Francisco Rodrigues Lobo nasceu em Leiria, c. 1580, filho de cristãos-novos. Foi um dos mais conhecidos e importantes discípulos de Camões, distinguindo-se na literatura portuguesa como um dos introdutores do gongorismo barroco, em cujo coletânea do séc. XVIII, A Fénix Renascida, vários dos seus poemas foram incluídos e assim divulgados [aqui]. É autor da obra em prosa Corte na aldeia, ficção notável composta por dezasseis diálogos didáticos que descrevem a vida cortesã da época e a desilusão da nobreza portuguesa por ter perdido a sua corte.

Morre em 1621 num naufrágio entre Lisboa e Santarém.
 

 Primeira edição (1610) disponível na BND (Biblioteca Nacional Digital) [aqui 

FICHA DA OBRA:

N.º de Inventário: BA 49-III-70

 Titulo: O Condestable Dom Nunalurez Pereira

Data: ca 1603 [data tirada da ded.]

Descrição: Cod. Ms. em papel, [1] 180 fls. – Enc. em pergaminho. - Notas marginais

Pertence: Biblioteca das Necessidades. — ded. ao Duque de Bragança, D. Teodósio II, pai de do futuro D. João IV, em Setembro de 1603.

Publicado em 1610, Lisboa, oficina de Pedro Crabeeck.

Dimensões: 4.º (21,5x156mm)

Localização: Biblioteca da Ajuda (cofre)

Estado de conservação: Razoável. Papel com alguma fragilidade. Manchas de humidade

Importância: Original, autógrafo, em português, de Francisco Rodrigues Lobo (1580-1621) é um dos mais importantes discípulos de Camões. É considerado como o iniciador do Barroco na literatura portuguesa. Manuscrito publicado em 1610, Lisboa, na Oficina de Pedro Crasbeeck

Bibliografia:
O condestable de Portugal Dom Nunalvres Pereira / Francisco Rodrigues Lobo ; ed. lit. Carlos Alberto Ferreira ; pref. Luís Silveira. Lisboa : Inspecção Superior das Bibliotecas e Arquivos, 1958.

Alguns fls do ms. da BA:


fl. 1


fl.1v-2


fl. 2v-3


fl. 3v-4
fl. 4v-5
fl. 5v-6



          



 



AVISO

Informamos que, devido à realização de visitas de estudo que irão decorrer na Biblioteca da Ajuda no dia 20 de Fevereiro (quarta-feira), o serviço de leitura estará encerrado até às 11h00, do dia em questão. 
Agradecemos a compreensão dos nossos leitores para esta situação


Visita da Congregação de N.ª Sr.ª das Vitórias



A Biblioteca da Ajuda recebeu no passado dia 8 de Fevereiro uma visita de 14 irmãs da Congregação franciscana de N.ª Sr.ª das Vitórias, de Loures.
Novidade para o grupo de freiras que, acompanhadas da madre superiora e da professora de português, assim incluíram uma atividade cultural e exterior no processo formativo que as levará aos locais onde exercerão a sua ação pedagógica e apostólica. Atentas e motivadas, a beleza do espaço da biblioteca, a riqueza dos seus fundos e o contacto direto com alguns dos tesouros religiosos e reais que aqui estão à guarda não as deixaram indiferentes e foi com sorrisos mais largos que iniciaram a visita do Palácio. Para a Biblioteca, esta foi uma oportunidade de divulgar alguns dos seus tesouros a um público diferente e uma motivação adicional para a continuação do trabalho de guarda e divulgação da sua coleção.
Para saber mais sobre a Congregação: [aqui]

AVISO

Informamos que, devido à realização de filmagens que irão decorrer na Biblioteca da Ajuda no dia 28 de Fevereiro (quarta-feira), o serviço de leitura estará encerrado a partir das 14h00, do dia em questão.

O horário habitual é retomado no dia seguinte 

Agradecemos a compreensão dos nossos leitores para esta situação

AVISO

Informa-se que a Biblioteca da Ajuda estará encerrada para leitura a partir das 14h00 do dia 21 de Fevereiro (quarta-feira), por motivo de preparação e realização de evento da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

O horário habitual é retomado no dia seguinte.

Agradecemos a compreensão dos nossos leitores.

 A Coordenadora

 

Cultura e o ensino científicos na corte joanina do Rio de Janeiro: um testemunho

Um manuscrito que integrou a que foi outrora a livraria da Rainha D. Carlota Joaquina de Bourbon - Catálogo da Livraria que foi de S. Mag.de a Senhora D. Carlota Joaquina de Bourbon (cód. 51-XIII-7)revela-nos algumas informações sobre os primórdios do ensino científico na corte Joanina, do Rio de Janeiro:  
Intitulado “Primeiro dia do Curso sobre Chymica para ser feito em Presença de S.A.R. o Príncipe Regente Nosso Senhor, e da Sua Augusta e Real Família, pelo Doutor Daniel Gardner, formado em Medicina” (Ms. Av. 54-VI-14, n.º 87), não se encontra datado, nem informa sobre o local de sua redacção. Feita alguma pesquisa a partir da identificação do médico encarregue da docência, foi possível obter alguns esclarecimentos sobre o significado mais amplo deste documento.
 
De facto, Daniel Gardner (1785-1831), médico inglês, integrara a “Academia Real Militar”, criada por carta régia de 4 de dezembro de 1810, no Rio de Janeiro, por inspiração do ministro D. Rodrigo de Sousa Coutinho (1755-1812),futuro Conde de Linhares,com o objectivo de promover o ensino das ciências matemáticas, da física da química, da mineralogia, metalurgia e história natural, daquela que seria a semente para a “institucionalização do ensino das ciências no Brasil”[aqui]. As aulas de Química seriam ministradas no quinto ano do curso e o Dr. Gardner, cidadão britânico, era nomeado lente responsável pelo seu ensino, auferindo um salário anual de 600$000, devendo 100$000 corresponder a gastos com demonstrações práticas. O decreto facultava ainda ao professor ministrar outros "cursos além dos que for obrigado a dar na Academia Militar" (Santos, Nadja Paraense dos; Filgueiras, Carlos Alberto Lombardi, “Daniel Gardner, autor do primeiro livro de química brasileiro, um desconhecido”)
A presença Dr. Gardner no Rio de Janeiro era, no entanto, anterior àquela data, pois desde 1809 que o mesmo leccionava Química no Seminário de S. Joaquim, contribuindo ainda para a divulgação dos conhecimentos sobre aquela ciência mediante a realização de palestras que anunciava na Gazeta do Rio de Janeiro, nos anos de 1810-1811, sendo os anúncios acompanhados da informação de que o Príncipe Regente D. João(1767-1826) e a Família Real, já teriam presenciado as experiências físicas e químicas, que as mesmas seriam repetidas e, novidade, que estariam abertas à participação das senhoras - “as senhoras serão admitidas” lê-se na Gazeta do Rio de Janeiro (n.º 51, 26 de Junho de 1811).
 

 n.º 51, 1811
 
 
 
O manuscrito da Biblioteca da Ajuda (Ms. Av. 54-VI-14, n.º 87), que pertenceu à livraria da Rainha D. Carlota Joaquina de Bourbon (1775-1830) enuncia o sumário de cada uma de três aulas que, presumimos, integrariam o mencionado Curso de Química, sendo que apenas no primeiro se mencionam as presenças régias. De acordo com os resumos apresentados no referido manuscrito o primeiro dia seria dedicado a “Explicação da significação do termo – Chymica - seus principais objectos, utilidade, e História, analyses e sintheses”;

 
o segundo dia “Sobre a Electricidade” versando “Observações sobre a particularidade deste fluido. Hum fluido, seus géneros, e meios activos no laboratório da Natureza. Descripção da Maquina electrica. Fluido electrico produzido por meio de fricção”;

 
e no terceiro dia dedicado “A Sciencia Pneumatica”, apresentada como “a doutrina do ar, incluindo suas propriedades mecânicas e químicas”
  




Com estas iniciativas se davam os primeiros passos para o ensino da Química no Brasil, segundo os preceitos científicos mais avançados e baseado em experimentalismo laboratorial, estudos estes incentivados pelo Príncipe Regente D. João que, com a sua participação no laboratório do eminente cientista, bem como da Família Real, mais não fazia do que creditar as suas aulas e aquele ensino.
 

O Dr.Gardner seria ainda o autor do primeiro livro de Química publicado no Brasil, pela Impressão Régia, em 1810, dedicado ao Príncipe Regente, "Syllabus ou Compendio das Lições de Chymica", e que era, na sua essência, “um programa comentado de seu curso”. O médico inspirara-se na obra de A. F. Fourcroy que na sua tradução recebera o título “Filosofia Química ou Verdades Fundamentaes da Química Moderna”, (BA- 37-VII-40), obra traduzida por Manoel Joaquim Henriques de Paiva, e impressa em Lisboa no ano de 1801, e que em dezembro de 1816, fora “recomendado para o futuro ano escolar”, sendo, então, “considerado o primeiro compêndio adotado oficialmente num curso regular de Química no Brasil” (Nadja Paraense dos Santos; Carlos A. L. Filgueiras- “O primeiro curso regular de química no Brasil”, São Paulo  2011)

A divulgação desta disciplina e a curiosidade que despertara entre uma camada social ávida de conhecimentos, talvez fosse a razão para encontrarmos no Catálogo da Livraria de D. Carlota Joaquina, além do manuscrito contendo o sumário de parte das lições do Dr. Gardner, esta obra do químico francês Antoine François de Fourcroy (1755-1809), na sua tradução portuguesa.
 

Anúncios da Gazetas:



n.º 51, 1810


n.º 74, 1811

n.º 60, 1811
MMB




A missão Jesuíta da China nas coleções da Biblioteca da Ajuda: textos

A publicação do livro do Prof. Noël Golvers, Letters of a Peking Jesuit.The correspondence of Ferdinand Verbiest, SJ (1623-1688), Lovaina: Ferdinand Verbiest Institute, KU, 2017, foi a oportunidade para a realização de uma sessão que congregou no espaço da Biblioteca da Ajuda um conjunto de investigadores numa 'conversa à volta da mesa' com a produção documental e bibliográfica jesuíticas como tema comum.

Esta situação foi duplamente satisfatória pois não só foram invocadas as obras, as estórias e o significado histórico da Companhia de Jesus em Portugal, como foi também uma ocasião de retomar uma das valências historicamente documentadas desta Biblioteca enquanto espaço de construção, partilha e divulgação de conhecimento.
 

BA. 17-XI-23 (1628)

A qualidade e originalidade das comunicações e a sua referência direta à coleção à guarda da Biblioteca justificaram a edição das Atas do Colóquio Internacional A missão jesuíta da China nas coleções da Biblioteca da Ajuda, publicadas no sítio do Palácio Nacional da Ajuda, mais um passo na divulgação das coleções e espécies mais preciosas da Biblioteca da Ajuda.

 Atas do Colóquio: [Aqui]
 



 
Sumários  em Inglês e português pdf:

Hamzeh Almaaytah, O LIVREIRO PRODIGIOSO


Representante da quarta geração de livreiros, Hamzeh AlMaaytah dorme poucas horas por dia e sempre num velho colchão, atrás de um biombo, junto ao balcão da sua livraria em Amã. Trabalha 365 dias por ano.
Seu pai abandonara Jerusalém, em 1948, tendo continuado, com admirável determinação, a exercer a sua paixão de mercador e divulgador de livros na capital da Jordânia. Era um verdadeiro “médico da alma e leitor compulsivo”, lembra Hamzeh.

Comunicativo, enérgico, vivaz e bem-falante, citando de cor inúmeros poetas, em Fusha – árabe literário – mais do que em jordano, Hamzeh vive verdadeiramente para os livros e para a literatura, nunca encerrando as portas da sua Mahall al-Maa (Livraria al-Maa), situada nas cercanias da Mesquita Husseini e do mercado local. Por vezes, no final da noite, desfruta de um brevíssimo e merecido descanso, quando é substituído por dois antigos funcionários de seu pai, dois sírios refugiados em Amã.
Na al-Maa, os preços dos livros são sempre negociáveis, dependendo das posses, do entusiasmo e das necessidades do comprador e, sempre, da generosidade do vendedor.

Empréstimos domiciliários e troca de exemplares com outros leitores ou com o livreiro - caso único neste meio - são praticados por este livreiro prodigioso.
Hamzeh recusa armazenar, comprar, vender ou trocar títulos que incitem à violência, à discriminação religiosa, étnica e de género, à perseguição do diferente, seja árabe, cristão ou judeu, mesmo sabendo que faria muito bom negócio se aos maus princípios cedesse.

Ele acredita e defende que a livraria deve ser um verdadeiro oásis, um purificador da mente e não uma correia de transmissão de ideias perigosas, maléficas e odientas.
Comerciar não é a prioridade, mas sim fazer chegar e espalhar matéria escrita e ilustrada que fertilize o espírito, qualificando e dignificando o ser humano.

A al-Maa disponibiliza cerca de 2000 títulos em loja, 1000 em armazém – em permanente e cuidada inventariação - e é um riquíssimo entreposto de livros, em várias línguas, de ideais, de sonhos e de valores humanistas universais.
Obrigada, Hamzeh!

Homenageando esta personalidade ímpar e elogiosa da natureza humana, a Biblioteca da Ajuda propõe a consulta de

Portogallo
in
FERRARIO, Giulio (1767-1847)
Il costume antico e moderno o storia del governo, della milizia, della religione, delle arti, scienze ed usanze di tutti i popoli antichi e moderni (…). Tomo V. Parte 1. – "Europa". – Milano: dalla tipografia dell'Editore [Vicenzo Batelli], 1827.
BA 125-I-13
 
 
Obra de imensa envergadura técnica, estética e de conteúdo, é fruto de um espírito letrado e racional que se dedicou a sistematizar e divulgar os costumes e a organização de todos os povos do mundo, mesmo aqueles à época menos conhecidos. Continuando o 'espírito enciclopédico', alimentou o interesse pelo exótico e pelo mundo humano nas suas múltiplas formas, inaugurando uma forma coletiva de publicação, envolvendo o trabalho de inúmeros colaboradores e artistas.

AM


Bailes de Máscaras:



APNA 9.1.1, n.º 2


A 7 de Fevereiro de 1864. A Rainha Dona Maria Pia organizou no Palácio da Ajuda, uma "Soirée de Mascaras".






A 15 de Fevereiro de 1865. A Rainha Maria Pia organizou no Palácio da Ajuda um baile de máscaras para o qual usou 3 disfarces e, grande adepta da fotografia, fez-se fotografar com todos eles.
A Biblioteca da Ajuda conserva, na sua colecção de fotografia, os retratos da Rainha, nos diferentes trajes que usou:


BA. Reg. 960


BA.  Reg. 870
Traje de Maria Tudor, com o qual abriu o Baile:
BA reg. 960




 depois a Rainha trocou por um traje de escocesa:
                                                      




BA. Reg. 961
 


por último usou o traje de Dominó




                                                  Mais..... [Aqui]







CPB