Abolição do estado de escravidão em Portugal

A 25 de Fevereiro de 1869, D. Luís I  decreta que " Fica abolido o estado de escravidão em todos os territorios da monarchia Portugueza desde o dia da publicação do presente decreto...."  (legislação régia [aqui]).

Esta importante medida foi antecedida de muitas outras tomadas ao longo dos tempos, por diferentes monarcas, cuja mais antiga remonta a D. Sebastião através do diploma de 20 de março de 1570 - Lei sobre a liberdade dos gentios [no Brasil]- , transcrito por Francisco Adolfo de Varnhagen, na sua obra História Geral do Brasil, Secção XX, p. 322 [aqui].

Destacam-se, ainda, neste percurso a actividade legislativa ao tempo de D. José I que, pelo alvará de 19/09/1761, proibe o transporte dos escravos pretos de ambos os sexos, trazidos dos portos da América, África e Ásia, para os portos do reino de Portugal e Algarve, com aplicação de penas.

JOSÉ I, 1714-1777, Rei de Portugal

Portugal. Leis, decretos, etc. (1761, Setembro, 19) ;

 Chancelaria-mor do Reino - [Alvará com força de ley, porque Vossa Magestade he servido prohibir, que se possam carregar, nem transportar escravos pretos de hum, e outro sexo dos pórtos da America, Africa, e Asia, para os destes reinos de Portugal, e dos Algarves...]. [Lisboa] : impresso na Chancellaria mór da Corte, e Reino, [1761]. 4 p.


BA 96-VIII-40, p. 42-43

Vide versão manuscrita: Torre do Tombo, Leis e ordenações, Leis, mç. 6, n.º 4


Em 1773, é publicado Alvará que pretende obviar,  "... ao impio e desumano abuso, com que no Reino do Algarve, e em algumas provincias de Portugal se procuráram perpetuar os captiveiros..." e terminar, de forma gradual, a escravidão em Portugal


JOSÉ I, 1714-1777, Rei de Portugal

Portugal. Leis, decretos, etc. (1773, Janeiro 16) 


 Portugal. Leis, decretos, etc. ; Biblioteca das Necessidades (Lisboa) - Collecçaõ das leys, decretos, e alvarás, que comprehende o feliz reinado Del Rey Fidelissimo D. Jozé o I nosso Senhor, desde o anno de 1761 até o de 1769 [1770] : tomo II-[III]. Lisboa : na officina de Miguel Rodrigues, impressor do Eminentissimo Cardial Patriarca , 1770-[1773]. 1 v.


BA 96-VIII-37, p. 263-265


                         



                                                             






A história é feita de factos e um deles é que a escravatura, condição de submeter uma pessoa à vontade de outra privando-a da sua liberdade, foi prática generalizada, desde as primeiras civilizações, a que Portugal não se pode eximir apesar de, ao longo dos tempos, ter tido legislação atenta à matéria.

Aviso: leitura encerrada

Informamos os nosso leitores que, devido à preparação e realização de um evento interno nesta Biblioteca, o serviço de leitura estará encerrado no dia 25 de Fevereiro (terça-feira).

O horário regular será retomado no dia 26 de Fevereiro (quarta-feira).

 Agradecemos a compreensão dos nossos leitores

Dia da Fundação Nacional do Japão: 11 de Fevereiro

Comemora-se amanhã o dia nacional do Japão, nação com a qual mantemos relações diretas e institucionais há mais de 480 anos, manifestas em múltiplas peças do acervo do Palácio Nacional da Ajuda e destacadas nos exemplares bibliográficos e documentais da coleção à guarda da Biblioteca da Ajuda. Este ano de 2025, assinalaremos a data com a receção, nos dois espaços acima, de uma comitiva científica japonesa que nos honra com a sua visita particularmente sentida neste dia de simbólica importância para o japão.

Na Biblioteca, preparamos-lhe uma pequena mostra de grandes exemplares representativos das áreas da nossa colecção. Assim:


Da col. de cimélios (livros raros) selecionámos a primeira gramática da língua Japonesa em Português, "Arte breve da lingoa Iapoa" impressa em Macau, com a “prensa Japonesa” (Cim. 50-XI-3).

Facsímile, edição bilingue, com trad. japonesa de Hino Hiroshi (BA. 245-IV-2)





Da col. de diplomática selecionámos Carta do imperador Mutsuhito atribuindo a D. Luís I, a Insígnia correspondente ao Grande Colar (col. PNA) da Suprema Ordem do Crisântemo. (Ms. av. 54-XI-13, n.º 17 e 17a).





Da col. de manuscritos, apresentaremos a primeira descrição do Japão incluída no cód. 49-IV-49, fls. 28-30, o primeiro vol. da col. “Jesuítas na Ásia” e, a cópia setecentista, do Primeiro dicionário japonês/latim/português (46-XIII-11).

Da col. de cartografia foi escolhido um atlas histórico e geográfico que se baseia em gravuras japonesas originais, existentes na europa, além das informações habituais à época, séc. 17, neste tipo de álbuns (BA: 13-X-14).

Além destes deixamos o link para as imagens do álbum de fotografia “Views of Japan” disponível na plataforma Matrizpix [aqui]

cpb&fg@ba

Episódios da história da Biblioteca da Ajuda

Sabia que em 20 de Janeiro de 1912 foi oficialmente decretada a reabertura da Biblioteca da Ajuda após o encerramento determinado pelo Inventário Judicial do Paço da Ajuda (que decorreu entre 1911 e 1913).

Esta 'reabertura', publicada por Decreto do Ministério do Interior, no "Diário de Governo" de 2 de fevereiro de 1912, foi fundamentada na necessidade de tornar acessível a colecção à sua guarda, à época de cerca de 80.000 volumes, "aos estudiosos" que dela necessitam. Por outro lado, é destacada a natureza especial da biblioteca que passa a estar integrada nas "Bibliotecas Eruditas e Arquivos".

A operacionalização desta abertura decretada da Biblioteca acontece realmente a 13 de fevereiro de 1912, mas com um conjunto de limitações decorrentes do arrolamento judicial dos bens do Paço da Ajuda que continuava a ser executado. O auto lavrado da entrega da Biblioteca da Ajuda à Inspecção das Bibliotecas Eruditas e Arquivos – que a delegou nos funcionários já identificados da nova instituição – releva essas limitações do seu funcionamento diário:

"(…) entrega ao mencionado official bibliographo [Jordão Apolinário de Freitas], mas só para o effeito dos seus subordinados e elle trabalharem n'ella, no sentido dito, de preparar trabalho para o arrolamento, e não para ella ser aberta ao público."

Sobre a história diária desta abertura, contada na primeira pessoa, num contexto de enormes alterações político-administrativas, damos aqui conta de um ofício de Jordão de Freitas, Oficial Bibliógrafo (com responsabilidades de direcção), que acentua a necessidade desta Biblioteca para a investigação e, por isso, a sua abertura efetiva ao público:

Doc. nº NN , fl. NN:  Of. Nº 4 – rascunho ms. – 6 de Julho de 1912

De: Biblioteca da Ajuda- ass. Jordão de Freitas; Para: Inspector das Bibliothecas Eruditas e Arquivos [Júlio Dantas]

Resposta ao ofício nº 303. "(…) infelizmente, e sob pena de assumir a responsabilidade de um conflicto de jurisdição com o Sr. Juiz Arrolador dos bens mobiliários existentes no Paço d'Ajuda, me acho inhibido de cumprir as ordens de V. Ex.ª.

As condições em que este magistrado [Juiz Arrolador] me fez a entrega desta Biblioteca no dia 13 de Fevereiro do ano corrente e de que imediatamente dei conhecimento ao Inspector Interior, antecessor de V. Ex.ª, impõem-me a obrigação, entre outras, de não fazer sair, nem permitir a saída de, qualquer volume desta Biblioteca sem autorização ou ordem delle;  a qual, por sua vez só pode ser dada / / depois de a haver recebido do Ministério da Justiça.

Em consequência de taes condições, os próprios estudiosos – em attenção aos quaes esta Bibliotheca foi mandada reabrir por Decreto de 20 de Janeiro último – não podem entrar neste estabelecimento sem iguaes formalidades." [Arq. Hist. BA, D-480, Correspondência, nº1, de Nov. 1905 a Dez. 1923].


Finalmente, em 17 de Fevereiro de 1913 - mais de um ano depois do Decreto que a determinou e apenas após a finalização do arrolamento judicial do Paço da Ajuda - a abertura ao público da BA aconteceu efetivamente, com regulamentação específica, e foi assim comunicada ao seu 'Director':

Doc. nº NN, fl. NN: Of. nº 202, L.º 4º - dactiloscrito de 10 de Fevereiro de 1913

De: "Secretaria Geral das Bibliotecas e Arquivos Nacionais" – O Inspector das Bibliotecas Eruditas e Arquivos (ass.) Júlio Dantas Para: Oficial-Bibliógrafo da Biblioteca da Ajuda [Jordão de Freitas]

" (…) digne-se V. Ex.ª promover as providencias julgadas indispensáveis para que, a partir do próximo dia 17 do corrente, a referida Biblioteca da Ajuda seja aberta á leitura pública, das 10 às 16 horas, observando-se todas as determinações da legislação em vigor, e mais as seguintes instrucções aconselhadas pelas circunstâncias: 1º - o acesso do público será limitado à primeira sala da Biblioteca; 2º - Só serão fornecidas à consulta pública as espécies que, no último arrolamento, se verificou pertencerem ao Estado; 3º - Não se removerão do logar [sic] onde se encontram os objectos que ao Estado não pertençam; 4º - não serão levantados os selos apostos pelo digno juiz arrolador." [Arq. Hist. BA, D-480, Correspondência, nº1, de Nov. 1905 a Dez. 1923].

Começamos, assim, uma série de testemunhos documentais da vida pós-monárquica desta instituição que chegou até nós: a Biblioteca Pública da Ajuda, nascida em berço real emancipou-se republicanamente sem perder o seu estatuto "especial".


MFG@BA

Aviso: leitura encerrada

Informamos os nosso leitores que, devido à preparação e realização de um evento interno nesta Biblioteca, o serviço de leitura estará encerrado no dia 21 de Janeiro (terça-feira) a partir das 13h00.

O horário regular será retomado no dia 22 de Janeiro(quarta-feira).

 Agradecemos a compreensão dos nossos leitores