A Biblioteca da Ajuda é uma das mais antigas Bibliotecas de Portugal caracterizando-se, pela natureza e riqueza dos seus fundos, como uma Biblioteca Patrimonial que tem por objecto a conservação, estudo e divulgação do seu acervo documental
A Biblioteca da Ajuda associou-se, mais uma
vez, às Jornadas Europeias do Património,
este ano sob o tema Comunidades e
Culturas, nas mais diferentes abordagem que o tema sugere.
Considerando-se uma Comunidade como um
conjunto de pessoas que partilham o mesmo espaço, organizadas em torno de orgânicas
e de um legado histórico-cultural comuns nas suas mais variadas formas.
A
Biblioteca da Ajuda, no contexto das suas coleções, orientou o tema para as figurações
do Mundo humano patentes nas representações de um mundo em descoberta, dividido
em continentes.
Essas Representações, que vão muito além das
meras delimitações das fronteiras geográficas, tão-somente políticas e cujas
limites têm sido constantemente alterados ao longo dos anos, levam-nos a uma multiplicidade
de olhares / “leituras” que nos permitem, em mapas e gravuras da Coleção da BA,
estas com uma linguagem muito visual, caracterizar as diferentes Comunidades e Culturas que coabitam nos vários
continentes.
As obras, do séc. XV a XIX,
escolhidas para a presente mostra, têm como objectivo representar uma espécie
de repositório de memória de comunidades, existentes ou desaparecidas, a partir
da sua identidade própria e que as caracterizam enquanto povo, com as diferenças
culturais representadas nas crenças, arte, moral, leis, usos, costumes, entre
outros
Informamos que, devido à realização das actividades que irão
decorrer, por ocasião das Jornadas Europeias do Património 2016 (23 a 25 de
setembro), a Biblioteca da Ajuda, estará encerrada, à leitura, nos dias 22 e 23
de Setembro (quinta feira e sexta feira), retomando o horário normal na segunda-feira,
dia 26 de setembro.
Agradecemos a compreensão dos nossos leitores para esta
situação.
Terão lugar nos dias 23, 24 e 25 de setembro (sexta, sábado e domingo) as Jornadas Europeias do Património 2016, este ano subordinadas ao tema Comunidades e Culturas.
John Dee, matemático, astrónomo, geógrafo, perito em
navegação e, mais tarde, astrólogo e ocultista do período Tudor, foi
homenageado pelo Royal College of Physicians (Londres), no primeiro semestre do
corrente ano, com a exposição “Scholar,courtier, magician: the lost library of John Dee”.
John Dee estudou no St. John’s College, Cambridge, viajou
pela Europa, prosseguiu estudos em Lovaina e lecionou em Paris. Regressado a
Inglaterra, privou com as elites do seu tempo, tendo sido conselheiro
científico e confidente da rainha Isabel I. A ele se atribui a criação da
designação “British Empire” (Império Britânico), pelo encorajamento ativo ao
domínio britânico de terras que então se julgavam de ninguém.
Publicou “Memórias Gerais e Raras no que concerne a Perfeita
Arte da Navegação”(1577) e, já desiludido com a ciência, dada a impossibilidade
de encontrar respostas para os “segredos da
criação”, deixou-se seduzirpelo sobrenatural
e o oculto, o epicentro, desde então, do seu estudo. Escreveu “Monas Hieroglyphica” – tratado hermético -,
após longa pesquisa de “Steganographia” (alfabeto secreto) de J. Tritheme,
um dos mestres de Paracelso.
A biblioteca particular de Dee, composta por cerca de 4000
volumes, era certamente uma das maiores da Europa; o seu trabalho refletiu uma
vasta e inquestionável erudição.
Conhece Edward Kelly (1555 –
1597), em 1582, que muito o impressionou com os seus talentos mágicos, e fez
deste seu assistente, muito pela capacidade que este exibia em contactar com os
anjos, criaturas espirituais e detentores de ligação à sabedoria espiritual “perdida”
no mais recôndito dos textos antigos: o Livro de Enoch.
Dedicaram-se ambos à elaboração da
língua angélica, adâmica, enoquiana – formulando os respetivos alfabeto,
sintaxe e gramática – no sentido de uma interpretação cabalística que explicasse
a unidade mística da criação.
Físico e feiticeiro, a (quase) todos
maravilhando, John Dee usava nas suas inúmeras sessões espirituais um espelho
negro (“obsidian black mirror”) e uma bola de cristal (“scryer”), objetos ainda
hoje guardados em museu e interditos a qualquer utilização.
Abordar a ciência e o
sobrenatural, estabelecendo-lhes complementaridade, foi (e ainda é) um
empreendimento tentador e de risco, agitador que é das ordens instituídas, do
poder e do saber.
Alfabeto enoquiano
Jonh Dee acreditava
na autenticidade do seu trabalho e nos benefícios dos seus resultados para a
posteridade, pelo que registou, em cadernos, toda a informação por si
pesquisada e divulgada.
Admirado por muitos,
soçobrou, contudo, à humilhação do epíteto, por alguns criado, de mágico malévolo,
insulto à sua religiosidade. Viveu os seus últimos anos na miséria.
“Who does not understand should either learn, or be
silent.” John Dee
A Biblioteca da Ajuda associa-se à iniciativa de homenagem a John Dee, selecionando do seu acervo e recomendando aos seus leitores a obra:
LE CLERC, Daniel, 1652-1728
Histoire de la Medecine : ou lónt voit l'Origine & le Progrés de cet Art, de siécle en siécle; les sectes, que s'y font formées; les noms des Médecins, leurs découvertes, leurs opinions, & les circonstances les plus remarquables de leur vie. / Par Daniel Le Clerc. - nouvelle édition, revue, corrigée et augmentée par l'Auteur en divers endroits, & surtout d'un plan pour servir à la continuation de cette Histoire dépuis la fin du siécle II jusques au millieu du XVII.. - a la Haye : Chez Isaac van der Kloot, M. D. CCXXIX. - [20], 820, [20] p. : Il; 4º (25 cm) - Frontispício gravado com motivo alegórico e a inscrição "Histoire de la Medecine"
37-X-47 (BA). - Pert.: Ex Bibliotheca Congregationis Oratorii apud Regiam Domum B. M. Virginis de Necessitabus.
O Dia Internacional dos Arquivos foi instituído pela
Assembleia Geral do CIA – Conselho Internacional de Arquivos, em Novembro de
2007.
Foi escolhida esta data, por ter sido precisamente nesse dia
de 1948 que a UNESCO criou o CIA – Conselho Internacional de Arquivos. O
objetivo da criação de um Dia Internacional de Arquivos foi o de proporcionar
condições para que, em todo o Mundo, se desenvolvam ações de promoção e
divulgação dos arquivos.
Arquivos,
Harmonia e Amizadeé
o tema congregador, em 2016, à volta do qual terão lugar, a nível global,
várias ações para técnicos e grande público de promoção e divulgação da riqueza
documental.
Em Seul, entre 5 e 10 de Setembro, terá lugar o “ Congresso
do Conselho Internacional de Arquivos” (International Council on Archives
Quadriennial Congress), que dará voz a arquivistas e demais especialista da
área, provenientes de várias latitudes e apostados em missão comum: projetar e
sublinhar a importância ímpar e insubsituível dos arquivos.
Os arquivos
são uma inesgotável fonte de informação para descobrirmos o passado,
compreendermos o presente e anteciparmos o futuro. Mas, para além desta missão
vital, os arquivos são igualmente obrigatórios no apoio à administração e à
missão das organizações e das pessoas.
Os arquivos
são transversais à sociedade e nessa medida corporizam um importantíssimo
recurso administrativo, operacional e informativo. São ainda “apenas” um pilar
da transparência administrativa, pois constituem prova e testemunho da
atividade da administração O conhecimento e participação ativa dos cidadãos na
missão e atividades dos arquivos é um passo decisivo para o seu bom
funcionamento, para a eficiência organizacional e para preservação de um
património que é de todos.
A Biblioteca da Ajuda,polifacetada que é, tem uma valência também de arquivo, pois muitos são
os documentos que integram as suas existências, enriquecendo-as.
Saudamos todos quantos se dedicam a reunir, organizar, proteger, preservar os
arquivos, assegurando o acesso a informação neles contida, propondo a leitura
de:
Título:
Ao Partido Liberal Portuguez a Associação Popular Promotora da educação
do sexo femenino