A Biblioteca da Ajuda é uma das mais antigas Bibliotecas de Portugal caracterizando-se, pela natureza e riqueza dos seus fundos, como uma Biblioteca Patrimonial que tem por objecto a conservação, estudo e divulgação do seu acervo documental
Informamos que, devido à realização das actividades que irão
decorrer, por ocasião das Jornadas Europeias do Património 2016 (23 a 25 de
setembro), a Biblioteca da Ajuda, estará encerrada, à leitura, nos dias 22 e 23
de Setembro (quinta feira e sexta feira), retomando o horário normal na segunda-feira,
dia 26 de setembro.
Agradecemos a compreensão dos nossos leitores para esta
situação.
Terão lugar nos dias 23, 24 e 25 de setembro (sexta, sábado e domingo) as Jornadas Europeias do Património 2016, este ano subordinadas ao tema Comunidades e Culturas.
John Dee, matemático, astrónomo, geógrafo, perito em
navegação e, mais tarde, astrólogo e ocultista do período Tudor, foi
homenageado pelo Royal College of Physicians (Londres), no primeiro semestre do
corrente ano, com a exposição “Scholar,courtier, magician: the lost library of John Dee”.
John Dee estudou no St. John’s College, Cambridge, viajou
pela Europa, prosseguiu estudos em Lovaina e lecionou em Paris. Regressado a
Inglaterra, privou com as elites do seu tempo, tendo sido conselheiro
científico e confidente da rainha Isabel I. A ele se atribui a criação da
designação “British Empire” (Império Britânico), pelo encorajamento ativo ao
domínio britânico de terras que então se julgavam de ninguém.
Publicou “Memórias Gerais e Raras no que concerne a Perfeita
Arte da Navegação”(1577) e, já desiludido com a ciência, dada a impossibilidade
de encontrar respostas para os “segredos da
criação”, deixou-se seduzirpelo sobrenatural
e o oculto, o epicentro, desde então, do seu estudo. Escreveu “Monas Hieroglyphica” – tratado hermético -,
após longa pesquisa de “Steganographia” (alfabeto secreto) de J. Tritheme,
um dos mestres de Paracelso.
A biblioteca particular de Dee, composta por cerca de 4000
volumes, era certamente uma das maiores da Europa; o seu trabalho refletiu uma
vasta e inquestionável erudição.
Conhece Edward Kelly (1555 –
1597), em 1582, que muito o impressionou com os seus talentos mágicos, e fez
deste seu assistente, muito pela capacidade que este exibia em contactar com os
anjos, criaturas espirituais e detentores de ligação à sabedoria espiritual “perdida”
no mais recôndito dos textos antigos: o Livro de Enoch.
Dedicaram-se ambos à elaboração da
língua angélica, adâmica, enoquiana – formulando os respetivos alfabeto,
sintaxe e gramática – no sentido de uma interpretação cabalística que explicasse
a unidade mística da criação.
Físico e feiticeiro, a (quase) todos
maravilhando, John Dee usava nas suas inúmeras sessões espirituais um espelho
negro (“obsidian black mirror”) e uma bola de cristal (“scryer”), objetos ainda
hoje guardados em museu e interditos a qualquer utilização.
Abordar a ciência e o
sobrenatural, estabelecendo-lhes complementaridade, foi (e ainda é) um
empreendimento tentador e de risco, agitador que é das ordens instituídas, do
poder e do saber.
Alfabeto enoquiano
Jonh Dee acreditava
na autenticidade do seu trabalho e nos benefícios dos seus resultados para a
posteridade, pelo que registou, em cadernos, toda a informação por si
pesquisada e divulgada.
Admirado por muitos,
soçobrou, contudo, à humilhação do epíteto, por alguns criado, de mágico malévolo,
insulto à sua religiosidade. Viveu os seus últimos anos na miséria.
“Who does not understand should either learn, or be
silent.” John Dee
A Biblioteca da Ajuda associa-se à iniciativa de homenagem a John Dee, selecionando do seu acervo e recomendando aos seus leitores a obra:
LE CLERC, Daniel, 1652-1728
Histoire de la Medecine : ou lónt voit l'Origine & le Progrés de cet Art, de siécle en siécle; les sectes, que s'y font formées; les noms des Médecins, leurs découvertes, leurs opinions, & les circonstances les plus remarquables de leur vie. / Par Daniel Le Clerc. - nouvelle édition, revue, corrigée et augmentée par l'Auteur en divers endroits, & surtout d'un plan pour servir à la continuation de cette Histoire dépuis la fin du siécle II jusques au millieu du XVII.. - a la Haye : Chez Isaac van der Kloot, M. D. CCXXIX. - [20], 820, [20] p. : Il; 4º (25 cm) - Frontispício gravado com motivo alegórico e a inscrição "Histoire de la Medecine"
37-X-47 (BA). - Pert.: Ex Bibliotheca Congregationis Oratorii apud Regiam Domum B. M. Virginis de Necessitabus.
O Dia Internacional dos Arquivos foi instituído pela
Assembleia Geral do CIA – Conselho Internacional de Arquivos, em Novembro de
2007.
Foi escolhida esta data, por ter sido precisamente nesse dia
de 1948 que a UNESCO criou o CIA – Conselho Internacional de Arquivos. O
objetivo da criação de um Dia Internacional de Arquivos foi o de proporcionar
condições para que, em todo o Mundo, se desenvolvam ações de promoção e
divulgação dos arquivos.
Arquivos,
Harmonia e Amizadeé
o tema congregador, em 2016, à volta do qual terão lugar, a nível global,
várias ações para técnicos e grande público de promoção e divulgação da riqueza
documental.
Em Seul, entre 5 e 10 de Setembro, terá lugar o “ Congresso
do Conselho Internacional de Arquivos” (International Council on Archives
Quadriennial Congress), que dará voz a arquivistas e demais especialista da
área, provenientes de várias latitudes e apostados em missão comum: projetar e
sublinhar a importância ímpar e insubsituível dos arquivos.
Os arquivos
são uma inesgotável fonte de informação para descobrirmos o passado,
compreendermos o presente e anteciparmos o futuro. Mas, para além desta missão
vital, os arquivos são igualmente obrigatórios no apoio à administração e à
missão das organizações e das pessoas.
Os arquivos
são transversais à sociedade e nessa medida corporizam um importantíssimo
recurso administrativo, operacional e informativo. São ainda “apenas” um pilar
da transparência administrativa, pois constituem prova e testemunho da
atividade da administração O conhecimento e participação ativa dos cidadãos na
missão e atividades dos arquivos é um passo decisivo para o seu bom
funcionamento, para a eficiência organizacional e para preservação de um
património que é de todos.
A Biblioteca da Ajuda,polifacetada que é, tem uma valência também de arquivo, pois muitos são
os documentos que integram as suas existências, enriquecendo-as.
Saudamos todos quantos se dedicam a reunir, organizar, proteger, preservar os
arquivos, assegurando o acesso a informação neles contida, propondo a leitura
de:
Título:
Ao Partido Liberal Portuguez a Associação Popular Promotora da educação
do sexo femenino
Eis
uma ideia inteligente e utilíssima: um livro que contém informação sobre
consumo de água potável (texto educativo) e cujas páginas podem ser destacadas
e usadas como filtros (material salva vidas), eliminando 99% das bactérias
contidas na água (anteriormente) imprópria para consumo.
A
Dr. Theresa Dankovich, da Universidade Carnegie Mellon, inventou, no decorrer
dos seus trabalhos de investigação em Química, um papel bactericida feito de
nanopartículas e, simultaneamente, um método barato e benigno de o produzir. Os
filtros/ páginas têm uma duração eficaz de várias semanas, garantindo, assim,
um ano de vida “útil” a cada livro, dadas as suas dimensões e número de folhas. Segundo
a Organização Mundial de Saúde, esta invenção – mais um passo importante para a
humanidade - irá assegurar, tão cedo quanto possível, isto é: o financiamento
necessário à produção em larga escala, o acesso de milhões de pessoas a água
potável, salvando-as da morte por contaminação de micróbios.
Sabíamos
que os livros faziam bem ao homem e que muito têm contribuído ao longo dos
séculos para a sua saúde física, mental, emocional, social; surpreende-nos
sempre, contudo, tomar conhecimento de inusitadas e fascinantes propriedades
que os livros também possuem, verdadeiramente O Admirável Mundo Novo.
Na Biblioteca da Ajuda encontram-se inúmeros livros, tantas vezes salva-vidas, privilégio de quem os leu, lê e lerá, prova irrefutável do seu efeito na humanidade, valor e caracter eterno. Torna-se, por isso, difícil selecionar um só título, uma só obra, um só exemplo.
Atendo-nos, por imperativos do tema central deste texto, à área científica – também muito representada nesta casa – e celebrando esta descoberta admirável e promissora, destacamos do nosso acervo a obra magna de Isaac Newton, ainda hoje considerado o maior cientista de todos os tempos:
Newton, Isaac, Sir (1642-1727) Philosophiae naturalis principia mathematica Londini : Apud Guil. & Joh. Innys, 1726. Editio tertia aucta & emendata.