Informamos que, devido à realização das actividades que irão
decorrer, por ocasião das Jornadas Europeias do Património 2016 (23 a 25 de
setembro), a Biblioteca da Ajuda, estará encerrada, à leitura, nos dias 22 e 23
de Setembro (quinta feira e sexta feira), retomando o horário normal na segunda-feira,
dia 26 de setembro.
A Biblioteca da Ajuda é uma das mais antigas Bibliotecas de Portugal caracterizando-se, pela natureza e riqueza dos seus fundos, como uma Biblioteca Patrimonial que tem por objecto a conservação, estudo e divulgação do seu acervo documental
Jornadas Europeias do Património 2016
John Dee, cientista e ocultista (1527 – 1609)
O homem que falava com os anjos

John Dee, matemático, astrónomo, geógrafo, perito em navegação e, mais tarde, astrólogo e ocultista do período Tudor, foi homenageado pelo Royal College of Physicians (Londres), no primeiro semestre do corrente ano, com a exposição “Scholar,courtier, magician: the lost library of John Dee”.
John Dee
LE CLERC, Daniel, 1652-1728
Histoire de la Medecine : ou lónt voit l'Origine & le Progrés de cet Art, de siécle en siécle; les sectes, que s'y font formées; les noms des Médecins, leurs découvertes, leurs opinions, & les circonstances les plus remarquables de leur vie. / Par Daniel Le Clerc. - nouvelle édition, revue, corrigée et augmentée par l'Auteur en divers endroits, & surtout d'un plan pour servir à la continuation de cette Histoire dépuis la fin du siécle II jusques au millieu du XVII.. - a la Haye : Chez Isaac van der Kloot, M. D. CCXXIX. - [20], 820, [20] p. : Il; 4º (25 cm) - Frontispício gravado com motivo alegórico e a inscrição "Histoire de la Medecine"
37-X-47 (BA). - Pert.: Ex Bibliotheca Congregationis Oratorii apud Regiam Domum B. M. Virginis de Necessitabus.

John Dee, matemático, astrónomo, geógrafo, perito em navegação e, mais tarde, astrólogo e ocultista do período Tudor, foi homenageado pelo Royal College of Physicians (Londres), no primeiro semestre do corrente ano, com a exposição “Scholar,courtier, magician: the lost library of John Dee”.
John Dee estudou no St. John’s College, Cambridge, viajou
pela Europa, prosseguiu estudos em Lovaina e lecionou em Paris. Regressado a
Inglaterra, privou com as elites do seu tempo, tendo sido conselheiro
científico e confidente da rainha Isabel I. A ele se atribui a criação da
designação “British Empire” (Império Britânico), pelo encorajamento ativo ao
domínio britânico de terras que então se julgavam de ninguém.
Publicou “Memórias Gerais e Raras no que concerne a Perfeita
Arte da Navegação”(1577) e, já desiludido com a ciência, dada a impossibilidade
de encontrar respostas para os “segredos da
criação”, deixou-se seduzir pelo sobrenatural
e o oculto, o epicentro, desde então, do seu estudo. Escreveu “Monas Hieroglyphica” – tratado hermético -,
após longa pesquisa de “Steganographia” (alfabeto secreto) de J. Tritheme,
um dos mestres de Paracelso.
A biblioteca particular de Dee, composta por cerca de 4000
volumes, era certamente uma das maiores da Europa; o seu trabalho refletiu uma
vasta e inquestionável erudição.
Conhece Edward Kelly (1555 –
1597), em 1582, que muito o impressionou com os seus talentos mágicos, e fez
deste seu assistente, muito pela capacidade que este exibia em contactar com os
anjos, criaturas espirituais e detentores de ligação à sabedoria espiritual “perdida”
no mais recôndito dos textos antigos: o Livro de Enoch.
Dedicaram-se ambos à elaboração da
língua angélica, adâmica, enoquiana – formulando os respetivos alfabeto,
sintaxe e gramática – no sentido de uma interpretação cabalística que explicasse
a unidade mística da criação.
Físico e feiticeiro, a (quase) todos
maravilhando, John Dee usava nas suas inúmeras sessões espirituais um espelho
negro (“obsidian black mirror”) e uma bola de cristal (“scryer”), objetos ainda
hoje guardados em museu e interditos a qualquer utilização.
Abordar a ciência e o
sobrenatural, estabelecendo-lhes complementaridade, foi (e ainda é) um
empreendimento tentador e de risco, agitador que é das ordens instituídas, do
poder e do saber.
Alfabeto enoquiano
Jonh Dee acreditava
na autenticidade do seu trabalho e nos benefícios dos seus resultados para a
posteridade, pelo que registou, em cadernos, toda a informação por si
pesquisada e divulgada.
Admirado por muitos,
soçobrou, contudo, à humilhação do epíteto, por alguns criado, de mágico malévolo,
insulto à sua religiosidade. Viveu os seus últimos anos na miséria.
“Who does not understand should either learn, or be
silent.” John Dee
A Biblioteca da Ajuda associa-se à iniciativa de homenagem a John Dee, selecionando do seu acervo e recomendando aos seus leitores a obra:
LE CLERC, Daniel, 1652-1728
Histoire de la Medecine : ou lónt voit l'Origine & le Progrés de cet Art, de siécle en siécle; les sectes, que s'y font formées; les noms des Médecins, leurs découvertes, leurs opinions, & les circonstances les plus remarquables de leur vie. / Par Daniel Le Clerc. - nouvelle édition, revue, corrigée et augmentée par l'Auteur en divers endroits, & surtout d'un plan pour servir à la continuation de cette Histoire dépuis la fin du siécle II jusques au millieu du XVII.. - a la Haye : Chez Isaac van der Kloot, M. D. CCXXIX. - [20], 820, [20] p. : Il; 4º (25 cm) - Frontispício gravado com motivo alegórico e a inscrição "Histoire de la Medecine"
37-X-47 (BA). - Pert.: Ex Bibliotheca Congregationis Oratorii apud Regiam Domum B. M. Virginis de Necessitabus.
9 Junho – Dia internacional dos Arquivos
O Dia Internacional dos Arquivos foi instituído pela
Assembleia Geral do CIA – Conselho Internacional de Arquivos, em Novembro de
2007.
Foi escolhida esta data, por ter sido precisamente nesse dia
de 1948 que a UNESCO criou o CIA – Conselho Internacional de Arquivos. O
objetivo da criação de um Dia Internacional de Arquivos foi o de proporcionar
condições para que, em todo o Mundo, se desenvolvam ações de promoção e
divulgação dos arquivos.
Arquivos,
Harmonia e Amizade é
o tema congregador, em 2016, à volta do qual terão lugar, a nível global,
várias ações para técnicos e grande público de promoção e divulgação da riqueza
documental.
Em Seul, entre 5 e 10 de Setembro, terá lugar o “ Congresso
do Conselho Internacional de Arquivos” (International Council on Archives
Quadriennial Congress), que dará voz a arquivistas e demais especialista da
área, provenientes de várias latitudes e apostados em missão comum: projetar e
sublinhar a importância ímpar e insubsituível dos arquivos.
Os arquivos
são uma inesgotável fonte de informação para descobrirmos o passado,
compreendermos o presente e anteciparmos o futuro. Mas, para além desta missão
vital, os arquivos são igualmente obrigatórios no apoio à administração e à
missão das organizações e das pessoas.
Os arquivos
são transversais à sociedade e nessa medida corporizam um importantíssimo
recurso administrativo, operacional e informativo. São ainda “apenas” um pilar
da transparência administrativa, pois constituem prova e testemunho da
atividade da administração O conhecimento e participação ativa dos cidadãos na
missão e atividades dos arquivos é um passo decisivo para o seu bom
funcionamento, para a eficiência organizacional e para preservação de um
património que é de todos.
A Biblioteca da Ajuda,
polifacetada que é, tem uma valência também de arquivo, pois muitos são
os documentos que integram as suas existências, enriquecendo-as.
Saudamos todos quantos se dedicam a reunir, organizar, proteger, preservar os
arquivos, assegurando o acesso a informação neles contida, propondo a leitura
de:
Título:
|
Ao Partido Liberal Portuguez a Associação Popular Promotora da educação
do sexo femenino
|
Publicação:
|
|
Descrição Física:
|
43, [1] p.; 24 cm
|
Notas:
|
Por Alexandre Herculano segundo a bibliografia
|
Assunto(s):
|
|
Localização:
|
154-IV-1, nº
45 (BA)
|
Veja também...
|
O livro bebível
Eis
uma ideia inteligente e utilíssima: um livro que contém informação sobre
consumo de água potável (texto educativo) e cujas páginas podem ser destacadas
e usadas como filtros (material salva vidas), eliminando 99% das bactérias
contidas na água (anteriormente) imprópria para consumo.A Dr. Theresa Dankovich, da Universidade Carnegie Mellon, inventou, no decorrer dos seus trabalhos de investigação em Química, um papel bactericida feito de nanopartículas e, simultaneamente, um método barato e benigno de o produzir. Os filtros/ páginas têm uma duração eficaz de várias semanas, garantindo, assim, um ano de vida “útil” a cada livro, dadas as suas dimensões e número de folhas.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, esta invenção – mais um passo importante para a humanidade - irá assegurar, tão cedo quanto possível, isto é: o financiamento necessário à produção em larga escala, o acesso de milhões de pessoas a água potável, salvando-as da morte por contaminação de micróbios.
Sabíamos
que os livros faziam bem ao homem e que muito têm contribuído ao longo dos
séculos para a sua saúde física, mental, emocional, social; surpreende-nos
sempre, contudo, tomar conhecimento de inusitadas e fascinantes propriedades
que os livros também possuem, verdadeiramente O Admirável Mundo Novo.
Na Biblioteca da Ajuda encontram-se inúmeros livros, tantas vezes salva-vidas, privilégio de quem os leu, lê e lerá, prova irrefutável do seu efeito na humanidade, valor e caracter eterno. Torna-se, por isso, difícil selecionar um só título, uma só obra, um só exemplo.
Atendo-nos, por imperativos do tema central deste texto, à área científica – também muito representada nesta casa – e celebrando esta descoberta admirável e promissora, destacamos do nosso acervo a obra magna de Isaac Newton, ainda hoje considerado o maior cientista de todos os tempos:
Newton, Isaac, Sir (1642-1727)
Philosophiae naturalis principia mathematica
Londini : Apud Guil. & Joh. Innys, 1726.
Editio tertia aucta & emendata.
Philosophiae naturalis principia mathematica
Londini : Apud Guil. & Joh. Innys, 1726.
Editio tertia aucta & emendata.
BA 32- IX- 5
Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor
“A história da palavra escrita é a história da humanidade”, Irina Bokova, UNESCO
A 23 de Abril celebra-se, desde 1996 e por iniciativa da UNESCO, o Dia Mundial do Livro.
Pretende-se com esta iniciativa chamar a atenção para esta área da criatividade e, bem assim, para os direitos dos que imaginam, sonham, refletem, pesquisam, compõem, escrevem e assinam os livros.
Nesta data, no ano de 1616, faleceram Miguel de Cervantes e William Shakespeare - que havia nascido nesse mesmo dia do ano de 1564 - génios universais da literatura.
A data pretende promover e sublinhar a importância ímpar do livro como bem cultural, determinante para o desenvolvimento e qualificação da humanidade, essencial que é para o desenvolvimento da literacia, da realização individual e da equidade social.
As mudanças, por vezes inquietantes, sentidas nesta área pelo efeito das novas tecnologias - formato digital, transição para o licenciamento aberto e partilha de conhecimento – deverão ser encaradas como oportunidades, suscitando, por isso também, uma clara e justa redefinição de livro e um reenquadramento do significado de autoria: eis uma causa e um projeto que a todos beneficia.
O Direito de Autor não é uma taxa é o salário dos Autores
A Defesa do Direito de Autor é a garantia da defesa do património e dos valores culturais (Sociedade Portuguesa de Autores)
A Biblioteca da Ajuda, com um riquíssimo, raro e variado acervo de cerca de 150 000 exemplares, é uma homenagem permanente e grandiosa ao livro e ao autor, pelo que selecionar uma ou duas obras - tantas nos ocorre destacar - é exercício redutor.
Superamos esta situação, sem dificuldade, indicando a seguinte obra magna:
Cancioneiro da Ajuda
Pergaminho
(Texto em Galego-Português. – Letra gótica. – Capitais ornamentadas a cores e ouro, com arabescos, caras grotescas, humanas e de animais; ilustrações com cenas da vida trovadoresca e palaciana. – Pauta de 4 linhas com ausência de notação musical).
De quant'eu sempre desejei
João Soares Somesso
De quant'eu sempre desejei
de mia senhor, nom end'hei rem;
e o que muito receei
de mi aviir, todo mi avém:
ca sempr'eu desejei mais d'al
de viver com ela e, mal
que me pês, a partir-m'hei en.
E já que m'end'a partir hei,
esto pod'ela veer bem:
que muita guerra lhe farei,
porque me faz partir daquém,
ond'eu sõo mui natural;
e sei-lh'eu um seu home atal
que lh'haverá a morrer por en.
E non'o pode defender
de morte, se mi mal fezer
- ca ũa morte hei eu d'haver;
e pois eu a morrer houver,
todavia penhor querrei
filhar por mi: e tolher-lh'-ei
est'home, por que me mal quer.
E pois lh'eu est'home tolher,
faça-m'ela mal, se poder
- e non'o poderá fazer;
mais pod'entender, se quiser,
que log'eu guardado serei
dela, e non'a temerei,
des que lh'eu esto feit'houver.
A 23 de Abril celebra-se, desde 1996 e por iniciativa da UNESCO, o Dia Mundial do Livro.
Pretende-se com esta iniciativa chamar a atenção para esta área da criatividade e, bem assim, para os direitos dos que imaginam, sonham, refletem, pesquisam, compõem, escrevem e assinam os livros.
Nesta data, no ano de 1616, faleceram Miguel de Cervantes e William Shakespeare - que havia nascido nesse mesmo dia do ano de 1564 - génios universais da literatura.
A data pretende promover e sublinhar a importância ímpar do livro como bem cultural, determinante para o desenvolvimento e qualificação da humanidade, essencial que é para o desenvolvimento da literacia, da realização individual e da equidade social.
As mudanças, por vezes inquietantes, sentidas nesta área pelo efeito das novas tecnologias - formato digital, transição para o licenciamento aberto e partilha de conhecimento – deverão ser encaradas como oportunidades, suscitando, por isso também, uma clara e justa redefinição de livro e um reenquadramento do significado de autoria: eis uma causa e um projeto que a todos beneficia.
O Direito de Autor não é uma taxa é o salário dos Autores
A Defesa do Direito de Autor é a garantia da defesa do património e dos valores culturais (Sociedade Portuguesa de Autores)
A Biblioteca da Ajuda, com um riquíssimo, raro e variado acervo de cerca de 150 000 exemplares, é uma homenagem permanente e grandiosa ao livro e ao autor, pelo que selecionar uma ou duas obras - tantas nos ocorre destacar - é exercício redutor.
Superamos esta situação, sem dificuldade, indicando a seguinte obra magna:
Cancioneiro da Ajuda
Pergaminho
(Texto em Galego-Português. – Letra gótica. – Capitais ornamentadas a cores e ouro, com arabescos, caras grotescas, humanas e de animais; ilustrações com cenas da vida trovadoresca e palaciana. – Pauta de 4 linhas com ausência de notação musical).
De quant'eu sempre desejei
João Soares Somesso
De quant'eu sempre desejei
de mia senhor, nom end'hei rem;
e o que muito receei
de mi aviir, todo mi avém:
ca sempr'eu desejei mais d'al
de viver com ela e, mal
que me pês, a partir-m'hei en.
E já que m'end'a partir hei,
esto pod'ela veer bem:
que muita guerra lhe farei,
porque me faz partir daquém,
ond'eu sõo mui natural;
e sei-lh'eu um seu home atal
que lh'haverá a morrer por en.
E non'o pode defender
de morte, se mi mal fezer
- ca ũa morte hei eu d'haver;
e pois eu a morrer houver,
todavia penhor querrei
filhar por mi: e tolher-lh'-ei
est'home, por que me mal quer.
E pois lh'eu est'home tolher,
faça-m'ela mal, se poder
- e non'o poderá fazer;
mais pod'entender, se quiser,
que log'eu guardado serei
dela, e non'a temerei,
des que lh'eu esto feit'houver.
“ O que é a literatura? Um lugar que não é lugar, um tempo que não se
mede pelo tempo, uma língua que não é linguagem. Esse lugar, esse tempo e essa
língua podem tornar-se objeto de um desejo, permitem pressentir uma forma
particular de conhecimento, ou talvez de revelação”.
George Steiner, O Silêncio dos Livros, Lisboa: Gradiva,
2007.
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