Publicação de Fontes: Cód. 46-VIII-40

Os Lusíadas de Luís de Camões Comentados por D. Marcos de S. Lourenço / Transcrição e fixação do texto Isabel Almeida, Filipa Araújo, Manuel Ferro, Teresa Nascimento, Marcelo Vieira; Notas, Isabel Almeida, Filipa Araújo, Manuel Ferro, Marcelo Vieira; Revisão, índice e nota introdutória, Isabel Almeida. [Lisboa]: Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, 2014


Os Lusíadas, de Luís de Camões, é a obra literária portuguesa mais conhecida de sempre datando a sua primeira edição impressa de 1572.

Poema épico, composto por 10 cantos, celebriza as descobertas portuguesas do século XVI, a partir da viagem de Vasco da Gama à Índia. Desde cedo traduzidas em várias línguas tiveram, igualmente, diversos comentários de entre os quais o do P. D. Marcos de S. Lourenço de que trata a presente edição e que tem apensa uma cópia digital do manuscrito BA. 46-VIII-40.


O manuscrito que agora se edita (códice 46-VIII-40 da Biblioteca da Ajuda) guarda o comentário de D. Marcos de S. Lourenço, cónego de Santa Cruz de Coimbra, aos três primeiros cantos d’Os Lusíadas. Trata-se provavelmente de um testemunho autógrafo, a julgar pelas rasuras, as substituições, os acrescentos, as tentativas de polir o discurso — marcas próprias do zelo do autor…
***

N' Os Lusíadas, o que mais fascina D. Marcos é, com a grandeza da obra, a oportunidade de olhar o mundo e de pensar sobre Portugal. A descrição de «excelências» da pátria leva-o a transgredir «os limites de comentador»...
 ***

O Comentário de D. Marcos de S. Lourenço toma por base texto que visa ser tão fiel quanto possível ao «original» de Camões. Esta era a orientação comum no séc. XVII, superadas as intervenções que haviam condicionado a publicação do poema em 1548 e 1591, e ultrapassado igualmente o engano com que em 1597 se havia feito passar por edição conforme ao «original antigo»o que era afinal ainda uma versão sujeita a severa disciplina.


Ver: Em busca das fontes:Os Lusíadas comentados pelo Padre D. Marcos de S. Lourenço  

De Roma para Lisboa: Um álbum para o Rei Magnânimo

 Museu de São Roque | 26 de junho a 25 de outubro de 2015


Concebida em torno do denominado Álbum Weale – composto na sua maioria por desenhos que se apresentam pela primeira vez em Portugal e no mundo –, a exposição De Roma para Lisboa: um álbum para o Rei Magnânimo constrói-se em torno da ideia-chave que é a viagem entre Roma e Lisboa no reinado de D. João V.


D. João V


O que cativa a nossa atenção é pois a viagem, enquanto processo de intercâmbio cultural e artístico, reconhecer o que efectivamente viajava - palavras, desenhos, obras de arte -, efectuar uma aproximação aos agentes promotores dessa viagem: desde logo o próprio soberano mas naturalmente também os embaixadores que, desde Roma, procuravam assegurar a melhor satisfação das ordens e encomendas emanadas da capital do reino e procediam ao envio das peças.


Entre as fontes iconográficas mais relevantes para o conhecimento das encomendas joaninas, em grande parte desaparecidas na voragem destruidora do terramoto de 1755, e destinadas nomeadamente à basílica e palácio de Mafra, à basílica Patriarcal e à capela de S. João Baptista, destacam-se os desenhos constantes das colecções do Museu Nacional de Arte Antiga e da Secção de Iconografia da Biblioteca Nacional de Portugal mas assume-se indiscutivelmente como peça mais importante o denominado Álbum Weale (designação advinda do nome do editor inglês John Weale em cuja posse esteve no século XIX).

Composto por 160 folhas, o álbum consiste no minucioso registo, escrito e desenhado concretizado por iniciativa de Manuel Pereira de Sampaio (1691-1750), o último embaixador de D. João V em Roma, das encomendas de obras de arte italianas destinadas a Lisboa (designadamente à Patriarcal e à capela de S. João Baptista da igreja de S. Roque), tudo reunido sob o título de Libro degli Abozzi de Disegni delle Commissioni che si fanno in Roma per Ordine della Corte. O volume, após vicissitudes várias - que o fizeram viajar de Lisboa para o Rio de Janeiro (com a família real, em 1807), rumando depois a Londres e finalmente a Paris - consta na actualidade dos fundos da Biblioteca da École Nationale Supérieure des Beaux-arts de Paris e, graças ao empenhamento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pôde ser objecto de uma intervenção de conservação e restauro, a qual possibilitou o destacamento momentâneo dos desenhos e a sua exibição no nosso país.

Os 101 desenhos do álbum permitem não apenas visualizar as obras cuja realização se encontrava então em curso na cidade pontifícia, como a sua cuidadosa observação permite também compreender aspectos relacionados com o processo relativo à sua encomenda e feitura, constituindo-se assim como elemento fundamental para a compreensão das encomendas joaninas concretizadas no ambiente romano dos anos 40 do século XVIII.

Se no que à Patriarcal diz respeito o álbum assume particular relevância, uma vez que se trata da quase única fonte visual capaz de viabilizar uma aproximação às obras perdidas, já quanto à capela régia da igreja de São Roque ele revela-se essencial não apenas para o conhecimento das obras desaparecidas (nomeadamente no âmbito da preciosa colecção de ourivesaria, única no panorama internacional) mas também possibilita o acesso à totalidade do conjunto, que se constitui como contexto, essencial à compreensão das peças sobreviventes.


BA 49-VIII-35, fl. 170
Ms. Av. 54-XIII-14, n.º 60
Naturalmente que a visão parcial da globalidade das encomendas joaninas, que o álbum proporciona, tem de ser complementada com a consulta da correspondência assiduamente trocada entre Lisboa e Roma e ainda da vasta documentação produzida pela embaixada de Portugal na cidade dos papas - constituída sobretudo por assentos de pagamentos aos artistas envolvidos na realização das obras encomendadas desde Lisboa - que se conserva na BIBLIOTECA DA AJUDA. 

Assim, trazem-se também ao olhar dos visitantes desta exposição algumas dessas cartas que viajavam entre Roma e Lisboa, nas quais por vezes a eloquência das palavras se fazia coadjuvar pela integração de desenhos, não de carácter artístico mas meramente ilustrativo e elucidativo do discurso escrito. Na tentativa de melhor reconstituir este panorama, proporcionado pela viagem entre Roma e Lisboa, mostram-se ainda obras, da autoria dos mesmos artistas que realizaram aquelas cujos desenhos constam do volume compilado pelo embaixador Pereira de Sampaio para o Magnânimo na década de 40 de Setecentos e que nos permitem assim, na sua tridimensionalidade, propiciar como que uma materialização dos desenhos do Álbum Weale, numa mais eficaz aproximação às peças desaparecidas.



Organização: Museu de São Roque - Santa Casa da Misericórdia de Lisboa    

Comissária: Teresa Leonor M. Vale

Artigo do Expresso: O regresso do álbum Weale



25 de Junho

Álvaro Siza Vieira nasceu neste dia no ano de 1933, em Matosinhos. 
Estudou Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto (1949- 1955). Foi colaborador de Fernando Távora. Ensinou na Escola Superior de Belas Artes do Porto (1966 -1969) e voltou a esta Escola como Professor Assistente.
Foi Professor Visitante em várias universidades. Lecionou, ainda, na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, onde deu a sua última aula em Outubro de 2003.
É autor de numerosos projetos, em Portugal e no estrangeiro, desde a Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, à Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, da Biblioteca da Universidade de Aveiro, ao Museu de Arte Contemporânea de Serralves.
Na Holanda, dirigiu, desde 1985, o Plano de Recuperação da Zona 5 de Schliderswij; em Espanha, delineou os projetos para o Centro Meteorológico da Villa Olímpica de Barcelona, para o Museu de Arte Contemporânea da Galiza e para a Faculdade de Ciências da Informação, em Santiago de Compostela. As suas obras foram expostas em numerosas cidades.
Participou nos mais prestigiados fóruns mundiais de Arquitetura. Recebeu inúmeros e os mais relevantes prémios, dos quais destacamos a medalha de Ouro de Arquitectura do Colégio de Arquitectos de Madrid, a Medalha da Fundação Alvar Aalto, o Prémio Prince of Wales da Harvard University e o Prémio Europeu de Arquitetura da Comissão das Comunidades Europeias/Fundação Mies van der Rohe. Em 1992, foi-lhe atribuído o Prémio Pritzer, o “Nobel” da Arquitetura, pelo conjunto da sua obra.
Siza Vieira é membro da American Academy of Arts and Science e "Honorary Fellow" do Royal Institute of British Architects, do AIA, da Académie d'Architecture de France e da European Academy of Sciences and Arts.
Assinou vários livros dentro e fora do país e há diversos títulos publicados em várias línguas sobre a sua obra, admirada e estudada em todo o mundo.
A Biblioteca da Ajuda assinala, com entusiasmo e admiração, esta data, festejando o aniversário do Mestre, do intelectual e do cidadão Siza Vieira; sugerimos, por isso, a consulta de uma obra do imenso e rico acervo desta biblioteca, certos da curiosidade e satisfação que Siza Vieira encontrará na sua leitura.
39-V-70

Regras das cinco ordens de architectura segundo os princípios de Vignhola, com hum ensaio sobre as mesmas ordens feito sobre o sentimento dos mais celebres architectos Escriptas em francez por *** e expostas em portuguez por... J. C. M. A. com o augmento de varias reflexoes interessantes sobre as mesmas ordens; com a ordem attica, e com huns principios de geometria prática que facilitao a intelligencia desta obra e de outras deste genero / [Giacomo Barozzi de] Vignhola. - Lisboa : Impressao Regia, 1830

Armida / Josef Myslivececk | 22 e 23 de Maio | CCB | 21h.00


Depois de ter passado mais de 200 anos adormecida na Biblioteca da Ajuda, a partitura da ópera Armida, do compositor Josef Myslivececk, ganha vida hoje e amanhã com a Orquestra Metropolitana de Lisboa.


Estreia moderna da ópera Armida, cuja partitura manuscrita se encontra na Biblioteca da Ajuda e que terá lugar hoje e amanhã (22 e 23 de Maio), às 21h., no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém. A direcção musical é de João Paulo Santos, a encenação cabe a Luca Aprea e os figurinos são da autoria de José António Tenente
Nascido em Praga numa próspera família que se dedicava à moagem de cereais, Myslivecek frequentou o curso de Filosofia antes de se dedicar à música a tempo inteiro. Em 1763 viajou para Veneza a fim de estudar com Giovanni Pescetti e em 1771 era admitido na prestigiada Academia Filarmónica de Bolonha, cidade onde conheceu o jovem Mozart e o seu pai, Leopold Mozart, que descreve Myslivecek numa das suas cartas como uma personalidade “plena de fogo, espírito e vida”. Mozart chegou a apropriar-se de vários motivos musicais de Myslivecek nas suas obras, sendo o caso mais emblemático o arranjo da ária Il caro mio bene, precisamente da ópera Armida, transformada através de um novo texto na famosa canção Ridente la calma, KV 152 (K. 210a).

 (...) “Trata-se de uma obra muito especial que apresenta traços que se ligam à Reforma da ópera empreendida por Gluck (no sentido de criar maior fluidez e coerência dramática), mas também partilhada por outros compositores. Musicalmente, está a par das melhores óperas de Salieri ou mesmo de Cimarosa”, explica ao Ípsilon. “Outro aspecto que pesou na escolha foi o facto de a fonte mais importante se encontrar na Biblioteca da Ajuda. Há outro manuscrito na Biblioteca Nacional de França, mas está incompleto.”

(...) Detentora de uma imponente colecção a Biblioteca da Ajuda é também o principal repositório das óperas de Myslivecek, contando com 16 dos seus títulos. No entanto, não há notícia de nenhuma delas ter sido representada em Lisboa. O maestro João Paulo Santos levanta a hipótese de terem sido enviadas pelo próprio compositor como “uma espécie de curriculum vitae, na expectativa de uma possível contratação pela corte portuguesa, que tinha a justa fama de pagar avultadas somas aos seus músicos”. Um exemplo recente era o de Jommelli, falecido em 1774, beneficiário de um vantajoso contrato com a corte de D. José. É um cenário plausível, mas as partituras de Myslivecek poderiam também facilmente ter chegado à capital portuguesa no âmbito da regular aquisição de música pela Casa Real, processo nesta época supervisionado pela Rainha D. Maria I, conforme fica claro na correspondência trocada entre o director dos teatros reais e os embaixadores em Itália, que se guarda na Torre do Tombo. Por exemplo nas missivas enviadas nos inícios da década de 1780 a D. Diogo de Noronha, ministro plenipotenciário em Roma, são solicitadas oratórias, cantatas, serenatas, óperas e música sacra e é igualmente registada a chegada das partituras a Lisboa. “Recebi por via de João Piaggio [Cônsul em Génova] o Caixote da Muzica, que V. Exa. mandou, a qual passando logo ao poder de Suas Altezas a examinaram com a sua costumada curiosidade”, escreve o director dos teatros reais em 19 de Março de 1783.
 (ler artigo completo)

Obras recebidas na Biblioteca da Ajuda: Estudos e publicação de fontes

A colecção de prataria sacra : da Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma = La collezione di argenti sacri : della chiesa Sant'Antonio dei Portoghesi in Roma / Teresa Leonor M. Vale. -  Roma: Gangemi Editore, 2014
pré visualizar algumas págs.
"Não sendo nosso objectivo, com este breve estudo, empreender uma análise exaustiva de todas as peças de prata de carácter sacro pertencentes à igreja de Santo António dos Portugueses em Roma, pretendemos porém efectuar uma primeira abordagem de tal acervo, de molde a trazê-lo ao conhecimento do público e despertar assim o eventual interesse de outros especialistas, bem como proporcionar uma primeira análise das peças mais relevantes, proporcionando também o acesso a um primeiro inventário. Começando por uma abordagem genérica do conjunto de prataria religiosa pertencente à igreja de Santo António dos Portugueses de Roma. De seguida concentrar-se-ão atenções nas peças consideradas excepcionais, às quais será concedida uma análise mais detalhada, para depois dar notícia das obras já existentes mas entretanto desaparecidas e das quais conseguimos apurar informação, com base na pesquisa arquivística empreendida, sobretudo no Arquivo do Instituto Português de Santo António e no Archivio di Stato di Roma" 
TERESA LEONOR M. VALE, é Professora Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigadora integrada do ARTIS-Instituto de História da Arte da mesma Faculdade. Licenciou-se em História, variante de História da Arte (1989), na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde também obteve o grau de Mestre em História da Arte (1994). Doutorou-se em História da Arte (1999) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a dissertação intitulada A Importação de Escultura Italiana no Contexto das Relações Artístico-Culturais entre Portugal e Itália no Século XVII. 

Detentora de estudos especializados de Museologia e Conservação das Obras de Arte, desenvolveu, durante mais de uma década, colaboração com a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais no âmbito do inventário de património arquitetónico.

Desenvolveu, entre 2004 e 2007, um projeto de investigação sobre Tumulária Portuguesa do Maneirismo e do Barroco, e entre 2007 e 2013 um outro intitulado Ourives e Escultores. A ourivesaria barroca italiana em Portugal - acervo, contexto e processos de importação, ambos no âmbito de bolsas de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. É autora de diversas publicações no domínio da História e da História da Arte.


Assinalando esta data, em celebração e homenagem, a Biblioteca da Ajuda seleciona, do seu vasto e rico acervo, um texto simples mas comovente, qualificativos que se adequam tão bem ao espírito de quem é Mãe:

La Voix de la Femme (Memoires pour servir à l´Histoire dês immunités de l´Église ou Les Conferences Ecclesiastiques de Madame), Londres: 1750. 

BA 55-I-3, n.º 1

Um desabafo, quase um grito, de uma mãe desesperada, que ambicionava orientar os filhos varões para a vida eclesiástica, sem êxito, invectivando, por isso, contra os detractores da Igreja (“ Vou voyez avec quelle licence tout le monde écrit contre l´Église. Mon Dieu! Quels herétiques.…. c’ est qu’ils s’appuyent sur toute sorte de livres impies dont on donne….de nouvelles Editions et Traductions) e suas publicações “ímpias”, que afastam os jovens do sacerdócio (“à peine savoient- ils parler, que lorsque je leur disois qu’ils devoient se faire Ecclésiastiques, ils me respondoient, Oui. Aujourd’hui quíls sont grands, ils ont lû, a mon inçu, tant de mauvais livres contre la Religion…..qu´ils sont dans le dassein de tout abandoner…), deixando-os vulneráveis, sem rumo, em conflito pessoal e desajustamento social, desesperando a pobre mãe (“Quel douleur pour une mère aussi tendre que je le fuis…ah Je n’ai plus de beaux jours à esperer!).

Ser Mãe é também ter esperança.


Feliz Dia da Mãe!